Spotfin tetra (Megalamphodus socolofi) | Ficha técnica

Espécime adulto em aquário — Foto de Klaus Rudloff (CCBY-NC) em https://www.biolib.cz/

Nome Científico: Megalamphodus socolofi (Weitzman, 1977)

Ordem: Characiformes — Família: Acestrorhamphidae

Nome popular: Spotfin tetra, Bleeding Heart Tetra

Distribuição: América do Sul, bacia do rio Negro

Etimologia: Megalamphodus, É a junção de três palavras gregas; Megas / Megalos = Grande + Amphi = De ambos os lados /  ambos os lados + Odous = Dentes. Tradução literal, “Com dentes grandes em ambos os lados”. Outra interpretação comum na literatura científica aponta que significa “com caminhos espaçosos”. Esta seria uma alusão às fontanelas (as aberturas ou “moleiras” no crânio do peixe) que são muito grandes, deixando os ossos frontais totalmente separados.

Socolofi; epônimo alusivo ao naturalista e comerciante americano Ross Benjamin Socolof (1925–2009). Socolof era uma figura lendária no aquarismo mundial, exportador e criador de peixes ornamentais. Ele enviou os espécimes-tipo (os primeiros holótipos) para o cientista Stanley Weitzman, que descreveu formalmente a espécie em 1977.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)


Descrição

O Spotfin tetra possui um corpo alto, esguio e comprimido lateralmente. Sua morfologia segue o formato clássico de “disco” ou “losango” característico dos peixes conhecidos como tetras vermelhos. Possui uma barra vertical com brilho acobreado bem à frente do olho.

Apresenta uma tonalidade geral marrom-chocolate com um forte tom vermelho-vivo. Reflexos iridescentes de azul e verde claros sobre o corpo criam uma ilusão óptica de cor violeta dependendo da iluminação. A parte inferior do abdômen é marcadamente mais prateada e clara do que o dorso.

Exibe uma mancha umeral vermelho-escura a rosa logo atrás das brânquias, com uma mancha de cor semelhante localizada na base do pedúnculo caudal. Esta marca confere à espécie o nome comum de “coração-sangrento”.

  • Tamanho Adulto: 5,6 cm
  • Expectativa de Vida: 5 anos +
Espécime adulto em aquário — Foto de Klaus Rudloff (CCBY-NC) em https://www.biolib.cz/

Distribuição e Habitat

Concentrado na bacia do Rio Negro, no estado do Amazonas.

A espécie foi descrita originalmente com base em espécimes coletados no município de Barcelos, no Amazonas.

Países: Endêmico do Brasil, ocorre nos estados do Amazonas, Pará e Roraima.

Habitat: Afluentes de fluxo lento, remansos de rios, igarapés e lagos marginais de floresta. Vive intimamente associado a estruturas lenhosas submersas, como galhos caídos, raízes e densa vegetação ciliar que se projeta sobre as margens.

Ocorre tipicamente em ambientes de água preta (com coloração de chá devido aos taninos da matéria orgânica em decomposição), caracterizados por serem extremamente ácidos (pH baixo) e com baixíssima quantidade de minerais dissolvidos.

  • pH: 4.0 a 6.5
  • Dureza: 1 a 4
  • Temperatura: 24°C a 28°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.

Substrato preferencialmente arenoso e escuro. A decoração deverá conter muitos troncos, raízes e folhas secas (como folhas de amendoeira). A decomposição das folhas libera taninos, deixando a água cor de chá e ajudando a acidificar o ambiente.

Comportamento e Compatibilidade: São pacíficos dispensando a parte de seu tempo em disputas hierárquicas ou por fêmeas entre membros do cardume. Compatível para aquários comunitários com espécies geográficas compatíveis de tamanho diminuto e pouco agitados.

Espécie estritamente gregária. Mantenha no mínimo 6 a 8 indivíduos para que demonstrem cores chamativas e comportamento natural.

  • Área de Natação: Fundo / Meio
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

Onívoro. Se alimenta naturalmente de pequenos crustáceo, larvas de insetos e secundariamente algas e biofilme aderidos aos troncos submersos, consumidos ocasionalmente enquanto buscam micro-organismos.

Em aquário aceitará prontamente alimentos secos e vivos.

Espécime macho adulto em aquário. Foto de autoria desconhecida.

Reprodução

Ovíparo. São peixes disseminadores de ovos e não apresentam cuidado parental.

A desova geralmente ocorre pela manhã, estimulada pelos primeiros raios fracos de sol. O macho corteja a fêmea e ela libera os ovos adesivos entre as plantas, quando serão fertilizados pelo macho.

Os ovos eclodem em cerca de 24 a 36 horas, quando os alevinos permanecem por mais 2 a 3 dias consumindo o saco vitelino.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 6 meses +
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: Machos possuem o corpo mais esguio, magro e comprimido lateralmente e são mais coloridos. A fêmeas possui o corpo visivelmente mais roliço, alto e arredondado na região do ventre, especialmente quando estão cheias de ovos.

A nadadeira dorsal do macho é mais longa, pontiaguda e, em alguns indivíduos, pode apresentar uma extensão ligeiramente filamentosa, enquanto na fêmea é mais curta e arredondada.


Referências

Lima, F.C.T., L.R. Malabarba, P.A. Buckup, J.F. Pezzi da Silva, R.P. Vari, A. Harold, R. Benine, O.T. Oyakawa, C.S. Pavanelli, N.A. Menezes, C.A.S. Lucena, M.C.S.L. Malabarba, Z.M.S. Lucena, R.E. Reis, F. Langeani, C. Moreira et al. …, 2003. Genera Incertae Sedis in Characidae. p. 106-168. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.

Publicado em Maio/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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