Cascudinho Anão do Pantanal (Scoloplax empousa) – Ficha técnica

Espécime com cerca de 1 cm fotografado no Rio Bento Gomes, Pocone, Mato Grosso (Brasil) — Foto de Ivan Sazima (c)

Nome Científico: Scoloplax empousa (Schaefer, Weitzman & Britski, 1989)

Ordem: Siluriformes — Família: Scoloplacidae

Nome popular: Bagre Anão do Pantanal, Cascudinho Anão  — Inglês: Pantanal dwarf catfish

Distribuição: América do Sul, bacias dos rios Amazonas e Paraguai/Paraná.

EtimologiaScoloplax oriundo do grego skolos, que significa “espinho” ou “osso pontudo”, e plax, que significa “placa plana”. Refere-se à placa rostral móvel na parte superior do focinho que é coberta por grandes dentes dérmicos (odontódeos).

Empousa vem do grego empousa, um tipo de duende ou monstro mitológico (frequentemente descrito com uma perna de burro e outra de bronze). O termo foi escolhido devido à aparência única do peixe.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)


Descrição

O Bagre Anão, ou Cascudinho Anão, caracteriza-se pelo tamanho reduzido, corpo coberto por odontodes (pequenos espinhos) e uma placa rostral distinta. Apresenta coloração marrom-escuro, mais claro no ventre. Base da nadadeira caudal com uma mancha marrom-escura seguida por uma área clara.

De respiração aérea facultativa, é um dos menores bagres conhecidos e tem uma expectativa de vida curta, geralmente vivendo próximo de um ano.

  • Tamanho Adulto: 2 cm
  • Expectativa de Vida: Próximo de um ano

Distribuição e Habitat

Encontrado no Pantanal, concentrando-se principalmente nas bacias do rio Paraguai e do alto rio Paraná.

No Brasil ocorre no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e áreas da bacia do alto rio Paraná, enquanto na Bolívia registrado na região de Santa Cruz, especificamente no rio Guaporé (Iténez), que faz parte da bacia do Amazonas, e no rio Paraguai.

Países: Brasil e Bolívia

Habitat:  um respirador aéreo que habita riachos de água clara com fundo arenoso a lodoso, até 2,5 m de profundidade.

Forrageia ao entardecer e à noite, movimentando-se pouco e predando principalmente larvas de quironomídeos e oligoquetas minúsculos. Quando perturbado, pode enterrar-se na areia, mergulhando rapidamente de cabeça e realizando movimentos laterais com o corpo.

Durante o dia, esconde-se em meio ao emaranhado de raízes expostas e às porções basais da vegetação aquática submersa, bem como entre detritos vegetais no fundo.

  • pH: 6.0 a 7.2
  • Dureza: –
  • Temperatura: 22°C a 28°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.

Necessitam de um aquário simulando riachos calmos com substrato arenoso e macio para se enterrarem. Decoração com muitas raízes, vegetação densa para esconderijo e águas quentes.

Comportamento e Compatibilidade: De comportamento extremamente pacífico, é uma espécie noturna e crepuscular, movendo-se pouco durante o dia, quando prefere se esconder entre raízes e detritos. Quando perturbado, pode enterrar-se rapidamente na areia.

Devido ao tamanho muito reduzido, deve ser mantido em aquário específico ou com peixes pequenos e pacíficos.

  • Área de Natação: Fundo
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Médio

Alimentação

Alimenta-se naturalmente principalmente de larvas de quironomídeos e pequenos oligoquetos. Em aquário aceitará alimentos secos para peixes de fundo.


Reprodução

Intrinsecamente ligada aos ciclos sazonais de seca e cheia, ocorrendo principalmente no final da época das chuvas. A desova ocorre em ambientes de águas calmas, como margens de rios e lagoas, frequentemente entre detritos vegetais, raízes e lodo.

A maior parte da população adulta morre após a reprodução, que ocorre no final da estação chuvosa.

É uma espécie miniatura, com espécimes maduros medindo entre 1 de comprimento padrão (SL)

  • Maturidade Sexual: Próximo de 1,9 e 16,4 mm
  • Cuidado Parental: Desconhecido

Dimorfismo Sexual: Os machos tornam-se sexualmente dimórficos, apresentando uma estrutura carnuda na abertura ventral (papila genital).


Referências

Costa, W.J.E.M. and P.-Y. Le Bail, 1999. Fluviphylax palikur: a new poeciliid from the Rio Oiapoque Basin, Northern Brazil (Cyprinodontiformes: Cyprinodontoidei), with comments on miniaturization in Fluviphylax and other neotropical freshwater fishes. Copeia

de Pinna, M.C.C., 1998. Phylogenetic relationships of neotropical Siluriformes (Teleostei: Ostariophysi): historical overview and synthesis of hypotheses. p. 279-330. In L.R. Malabarba, R.E. Reis, R.P. Vari, Z.M.S. Lucena and C.A.S. Lucena (eds.) Phylogeny and classification of neotropical fishes. Porto Alegre: EDIPUCRS.

Sazima, I., F.A. Machado and J. Zuanon, 2000. Natural history of Scoloplax empousa (Scoloplacidae), a minute spiny catfish from the Pantanal wetlands in western Brazil. Ichthyol. Explor. Freshwat.

Schaefer, S.A., 2003. Scoloplacidae (Spiny dwarf catfishes). p. 310-311. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.

Publicado em Maio/2026

Confira também

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *