Linguado (Citharichthys uhleri)

Foto de Alex Molina Arias (c) — Instituto Costarricence de Electricidad (ICE) San José, Costa Rica

Nome Científico: Citharichthys uhleri (Jordan, 1889)

Ordem: Pleuronectiformes — Família: Cyclopsettidae

Nome popular: Linguado — Inglês: Voodoo whiff

Distribuição: América Central e do Sul, do México e das Antilhas ao Brasil, na bacia do Atlântico.

Etimologia: Citharichthys, Deriva do latim cithara (lira, instrumento musical) + do grego ichthys (peixe). Se refere ao formato do corpo do peixe.

Uhleri é um epônimo em homenagem a Philip Reese Uhler (1835–1913), que foi um bibliotecário e entomologista americano, especialista em Heteroptera. O nome foi dado em reconhecimento às contribuições de Uhler para a história natural.

Status de Conservação (IUCN Red List): Dados deficientes (2026)


Descrição

Este Linguado possui cor cinza com manchas brancas, corpo profundo, focinho não projetado, nuca convexa que continua o perfil do corpo. As nadadeiras dorsal e anal apresentam frequentemente uma fileira de 6 a 7 manchas pretas ao longo de sua metade interna. Escamas variam de lisas a fracamente ásperas.

Como a maioria dos linguados da família os olhos ficam ambos posicionados no lado esquerdo da cabeça.

  • Tamanho Adulto: 14 cm
  • Expectativa de Vida: Desconhecido

Distribuição e Habitat

Distribuído principalmente na América do Norte e parte da América Central, desde Costa sul do Golfo do México, estendendo-se até a Costa Rica, incluindo áreas nas Antilhas, como o Haiti.

Embora algumas fontes genéricas de FishBase mencionem a distribuição de gêneros de Citharichthys até o Brasil, a distribuição específica documentada para C. uhleri (Voodoo whiff) é mais focada na região do Caribe/América Central.

Fontes importantes como The Food and Agriculture Organization (FAO) e Instituto Smithsonian de Investigaciones Tropicales indicam a distribuição da espécie na América do Norte e Central, enquanto o FishBase menciona a presença da espécie até a costa sudeste do Brasil.

Países: Costa Rica, México e Brasil (questionável)

Habitat: Assim como em outras regiões, frequenta fundos lodosos ou arenosos em águas rasas e estuarinas. É comum em rios, podendo mover-se até 20 km rio acima em riachos costeiros, atingindo altitudes de até 60 m.

  • pH: 6.6 a 8.6
  • Dureza: –
  • Temperatura: 22°C a 28°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 200 litros com comprimento mínimo de 100 cm e 40 cm de largura desejável.

Sua criação em aquário doméstico é pouco usual, sendo mais comum em aquários públicos ou de pesquisa.

Embora suporte água doce por curtos períodos, deve ser mantido em água preferencialmente salobra com densidade entre 1.005 e 1.015. Mantê-lo permanentemente em água doce costuma causar problemas de saúde a longo prazo.

Como um peixe bentônico que se enterra para se camuflar e caçar, é obrigatório o uso de areia muito fina e macia (como a de filtro de piscina ou areia de coral fina), devendo evitar cascalho grosso ou pedras pontiagudas, que cortam a pele sensível da barriga do peixe, causando infecções bacterianas fatais.

O aquário precisa de uma base larga e livre de muitos enfeites para que o peixe possa nadar e se enterrar. Preferem luz moderada ou áreas sombreadas, já que vivem em águas muitas vezes turvas.

Comportamento e Compatibilidade: É um peixe pacífico mas predador que comerá qualquer peixe menor que couber em sua boca. O ideal é mantê-lo em aquário mono espécie, embora possa conviver com outros peixes de meia água e superfície.

Importante ressaltar que você passará a maior parte do tempo vendo apenas dois olhinhos saindo da areia. Se você busca um peixe ativo e colorido, esta não é a espécie ideal.

  • Área de Natação: Fundo
  • Quantidade mínima: Sozinho
  • Nível de dificuldade: Difícil

Alimentação

Alimenta-se naturalmente de crustáceos e pequenos peixes. Raramente aceitam alimentos secos de imediato ou podem não aceitar.


Reprodução

Ovíparo. Na natureza, eles liberam ovos e esperma diretamente na coluna d’água, geralmente em áreas costeiras ou estuarinas mais profundas que os locais onde vivem habitualmente. Os ovos são minúsculos, flutuantes e ficam à deriva nas correntes marítimas até eclodirem.

Quando nascem, as larvas parecem peixes “comuns” com um olho de cada lado. À medida que crescem, ocorre a famosa metamorfose: um dos olhos migra para o outro lado da cabeça e o peixe passa a viver deitado no fundo.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 8 cm
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: É quase impossível distinguir machos de fêmeas visualmente, a menos que a fêmea esteja muito “cheia” de ovos durante a época de reprodução.


Referências

Bussing, W.A., 1998. Peces de las aguas continentales de Costa Rica [Freshwater fishes of Costa Rica]. 2nd Ed. San José Costa Rica: Editorial de la Universidad de Costa Rica.

Munroe, T.A., 2003. Paralichthyidae. Sand flounders. p. 1898-1921. In K.E. Carpenter (ed.) FAO species identification guide for fishery purposes. The living marine resources of the Western Central Atlantic. Vol. 3: Bony fishes part 2 (Opistognathidae to Molidae), sea turtles and marine mammals.

Nelson, J.S., E.J. Crossman, H. Espinosa-Pérez, L.T. Findley, C.R. Gilbert, R.N. Lea and J.D. Williams, 2004. Common and scientific names of fishes from the United States, Canada, and Mexico. American Fisheries Society, Special Publication 29, Bethesda, Maryland.

Publicado em Maio/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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