Peixe Canivete (Apareiodon hasemani)

Espécime macho em aquário. Foto de Mike Noren (CCBY-SA)

Nome Científico: Apareiodon hasemani (Eigenmann, 1916)

Ordem: Characiformes — Família: Parodontidae

Nome popular: Canivete — Inglês: Haseman’s characin

Distribuição: América do Sul, bacia do São Francisco

EtimologiaApareiodon, a– (grego): prefixo que significa “sem” ou “ausência de”. + pareia (grego): “bochecha”. Odon (do grego odous): “dentes”, significando literalmente “sem dentes na bochecha”, uma referência à morfologia bucal do peixe.

O termo hasemani é uma homenagem ao zoólogo e ictiólogo John Diederich Haseman (1882-1969).

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco Preocupante


Descrição

O peixe canivete é uma espécie reofílica, ou seja, tem preferência por águas correntes e bem oxigenadas.

Faz parte de um grupo com características morfológicas sutis, muitas vezes confundido com outras espécies do gênero, necessitando de análises citogenéticas para identificação precisa.

No comércio de aquarismo muitas vezes é vendido como Apareiodon affinis, mas são espécies completamente diferentes. Affinis é mais comprido (cerca de 15 cm vs 7 cm), além de ser mais robusto. Esta espécie também pode apresentar um focinho ligeiramente mais pontiagudo, bem como faixas transversais tênues acima da linha lateral escura.

  • Tamanho Adulto: 12 cm (comum 8 cm)
  • Expectativa de Vida: desconhecido

Distribuição e Habitat

Oriundo da bacia de São Francisco. Endêmico do Brasil.

Países: Brasil, ocorre nos estados de Minas Gerais e Pernambuco.

Habitat: caracterizado por ambientes lóticos (águas correntes) da bacia do rio São Francisco, especificamente em trechos de correnteza rápida com leitos rasos.

Durante a estação seca, o pH no São Francisco tende a ser mais alcalino, podendo chegar a 7.9 ou mais, enquanto na estação chuvosa torna-se ligeiramente mais ácido devido à matéria orgânica carreada para o rio.

  • pH: 6,5 a 7,5
  • Dureza: Baixa a Média
  • Temperatura: 22°C a 28°C
Espécime fêmea em aquário. Foto de Mike Noren (CCBY-SA)

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 100 litros com comprimento mínimo de 80 cm e 40 cm de largura desejável.

Deve ser mantido em aquário com boa circulação de água e altamente oxigenada. Iluminação forte e muitas rochas no aquário também são vantajosas, pois favorecem o crescimento de algas que ele aprecia.

Substrato preferencialmente de areia fina ou cascalho de rio com muitas pedras e seixos de tamanhos variados. Evite troncos que soltem muitos taninos, pois a água deve permanecer clara e com pH estável.

Comportamento e Compatibilidade: De temperamento pacífico, passa a maior parte de seu tempo raspando algas ou entocado. Pode ser mantido em aquário comunitário com peixes de mesmo porte e pacífico.

  • Área de Natação: Fundo
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

Herbívoro. Se alimenta naturalmente de algas e micro vida presente em superfícies de rochas, raízes e afins. Em aquário aceitará prontamente alimentos secos, devendo ser fornecido alimentos de origem vegetal de forma regular.


Reprodução

Ovíparo. Sua reprodução em cativeiro é desconhecida, sendo mais comum encontrar referências na literatura científica.

Como muitas espécies da família Parodontidae e de rios brasileiros, a reprodução tende a ser sazonal, frequentemente associada ao período de chuvas e inundação das áreas marginais, que servem como berçário.

Geralmente, peixes dessa região e família realizam migrações reprodutivas de curta distância (piracema) para desovar, preferindo águas correntes.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 8 cm
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: O dimorfismo sexual é sutil e difícil de observar a olho nu, sendo mais evidente em estudos genéticos e morfológicos detalhados. Embora o comprimento máximo registrado seja de aproximadamente 12 cm, alguns registros sugerem que os machos podem ser ligeiramente menores que as fêmeas maduras, atingindo cerca de 7 cm em certas populações.

Machos maduros podem desenvolver tubérculos nupciais (pequenas protuberâncias na cabeça e escamas) durante a época de reprodução, um caráter que auxilia na identificação do sexo em indivíduos reprodutivamente ativos. O volume abdominal das fêmeas durante o período de desova costuma ser mais roliço devido aos ovócitos.


Referências

Ferreira, A.B.H., 1986. Novo dicionario da lingua Portuguesa. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro.

Pavanelli, C.S., 2003. Parodontidae (Parodontids). p. 46-50. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.

Pessali, T.C., G.N. Salvador, C.B.M. Alves, D.H.C. Drager, C.H. Zawadzki, E.G. Prata, F. Vieira, G.B. Santos, G.R. Rosa, I. Penido, J.P.C. Gomes, M.F.G. Brito, P.S. Pompei, R.P. Leitao, S.A. dos Santos, T.A. Barroso and T.C. … Ribeiro, 2022. Length-weight relationships of 78 fish species from São Francisco River basin, Brazil. J. Appl. Ichthyol.

Starnes, W.C. and I. Schindler, 1993. Comments on the genus Apareiodon Eigenmann (Characiformes: Parodontidae) with the description of a new species from the Gran Sabana Region of eastern Venezuela. Copeia

Publicado em Maio/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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