Hábitos de sono de humanos e peixes são parecidos

Os peixes-zebra (Danio rerio) sabem cochilar tão bem quanto nós humanos.
Uma pesquisa publicada em 5 de maio na revista Nature Communications descobriu que esses animais têm quatro tipos de sono diferentes: três com um padrão distinto de movimento dos olhos, além de um quarto tipo sem nenhum movimento ocular.
Os seres humanos também tem algo similar, chamado sono REM, caracterizado pelo movimento rápido dos olhos por trás das pálpebras fechadas. É nesse estado que temos nossos sonhos mais vívidos e intensos.
“O sono é importante para muitos processos, desde a reativação de memórias até a eliminação de resíduos, mas ainda não entendemos completamente por que e como isso se organiza no tempo”, afirma em comunicado uma das autoras do estudo, Jennifer Li, pesquisadora do Instituto Max Planck de Cibernética Biológica, na Alemanha. “O peixe-zebra, com seu cérebro transparente, nos oferece uma ferramenta poderosa para descobrir.”
A ciência já sabe que os mamíferos apresentam ciclos distintos de sono, mas ainda investiga se outros animais também apresentam essa característica. Pesquisas anteriores só haviam registrado movimentos oculares ocasionais em peixes durante breves períodos de imobilidade.
De modo surpreendente, os autores do novo estudo identificaram uma arquitetura de sono complexa nos peixes-zebra. “Fiquei surpreso quando vi pela primeira vez os olhos dos peixes se movendo de maneira tão característica”, diz Vikash Choudhary, primeiro autor da pesquisa. “O que diferencia nossa abordagem é que fomos os primeiros a registrar simultaneamente o movimento dos olhos e do corpo durante um período completo de 24 horas em peixes nadando livremente”.
Os pesquisadores acompanharam larvas de peixe-zebra enquanto elas nadavam utilizando um microscópio de rastreamento especializado. Como essas larvas têm cérebros transparentes, foi possível acompanhar a atividade neural delas em tempo real.
Após combinarem os resultados com observações comportamentais, os especialistas observaram que cada estado de sono dos peixes segue seu próprio ritmo circadiano. À noite, um dos três estados de movimento dos olhos atinge o seu pico, mas o que ainda predomina é o descanso sem atividade ocular visível.

Soneca Diurna
O estado de sono mais frequente, o QEM-1, deixa os peixes com dificuldade de acordar — ficando vulneráveis a predadores — e acontece quase exclusivamente durante o dia. Durante essa fase de sono, há uma diminuição da atividade do cérebro em geral. Juntamente com outras características neurais e comportamentais marcantes, isso confirma que os peixes passam por algo semelhante a um “cochilo diurno”.
Os registros cerebrais também revelaram padrões de atividade previsíveis ao longo do tempo, possibilitando determinar a duração do cochilo do peixe e o momento em que ele está prestes a acordar. Ao realizarem experimentos adicionais, os cientistas demonstraram que o sono desses animais depende da interação entre o relógio biológico interno e a exposição à luz.
Notavelmente, todos os quatro estados de sono e suas respectivas arquiteturas também foram observados em duas espécies relacionadas do gênero Danio, sugerindo que essa arquitetura do sono seja uma característica ancestral.
Os pesquisadores agora estão analisando mais de perto a atividade neural durante o sono noturno dos peixes-zebra para entender melhor os diferentes estágios do sono. As descobertas levantam muitas questões, como se os movimentos oculares têm uma função ou são um mero subproduto da atividade do cérebro. “Estamos muito curiosos para saber quais os papéis que os diferentes estágios do sono desempenham”, disse Li.
Fonte: Galileu Ciência
Publicado em Junho/2026