Tetra Takasei (Hyphessobrycon takasei) | Ficha técnica

Foto GNU (domínio publico)

Nome Científico: Hyphessobrycon takasei (Géry , 1964)

Ordem: Characiformes — Família: Acestrorhamphidae

Nome popular: Tetra Takasei — Inglês: Coffee-bean tetra

Distribuição: América do Sul, Bacias dos rios Araguari e Oiapoque

Etimologia: Hyphessobrycon; Hyphesso-: Deriva de hyphesson (ὑψήσσων), que significa “um pouco menor” ou “de menor estatura” + brycon deriva de brykon (βρύκων), que significa “morder” ou “roer” (também usado para designar um grupo de peixes caracídeos maiores). Significado literal: “Pequeno Brycon” ou “pequeno mordedor”, fazendo referência ao tamanho reduzido desses peixes em comparação com outros membros maiores da família.

Takasei; o termo é um epíteto que homenageia Futoshi Takase, um influente exportador de peixes ornamentais radicado em Belém, no Pará, durante meados do século XX. Takase foi o responsável por coletar e fornecer os primeiros exemplares da espécie para os cientistas (Jacques Géry e colaboradores) que o descreveram formalmente em 1964.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)

Sinônimos: –


Descrição

O Tetra Takasei destaca-se por sua anatomia compacta e por uma padronagem de cores específica que originou o seu nome popular. O corpo possui uma cor translúcida com tons que variam do âmbar, prateado ao dourado-suave, refletindo a luz de forma brilhante sob iluminação adequada.

A mancha umeral é a sua principal característica. Localizada logo atrás da cobertura das brânquias, esta grande mancha preta ou castanho-escura em formato oval vertical, que se assemelha exatamente a um grão de café, daí seu nome comum “Grão de Café”. Esta mancha costuma ser contornada por um anel claro ou amarelado bem sutil.

Possui um corpo comprimido lateralmente, relativamente alto e robusto se comparado a outros tetras mais esguios. Apresenta nadadeira adiposa presente (característica típica da família Characidae). A nadadeira anal é moderadamente longa.

A nadadeira dorsal possui uma marcação preta bem evidente e contrastante, frequentemente com as pontas brancas ou de tom creme. A nadadeira caudal e a anal podem apresentar um tom avermelhado ou alaranjado suave quando o peixe está saudável e bem adaptado.

  • Tamanho Adulto: 3 cm
  • Expectativa de Vida: 3 a 5 anos +

Distribuição e Habitat

Nativo da América do Sul, habitando principalmente as bacias dos rios Oiapoque e Araguari, no estado do Amapá (Brasil) e na Guiana Francesa.

Países: Brasil e Guiana Francesa

Ambiente: Água doce

Habitat: Esse ecossistema é caracterizado por águas escuras (águas de igapó), ricas em compostos orgânicos, sombreamento denso e fundo decorado por elementos caídos da floresta como folhas.

  • pH: 6 a 7
  • Dureza: < 4 dGH
  • Temperatura: 24°C a 28°C
Espécime macho adulto — Foto gentilmente cedida por Peter and Martin Hoffmann (c)

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.

Opte por substratos escuros e adicione folhas secas (como amendoeira) e troncos. Isso ajuda a liberar taninos, deixando a água cor de chá, simulando o habitat natural deles. Raízes e galhos serão apreciados pelos peixes na decoração do aquário.

Comportamento e Compatibilidade: É um peixe de comportamento gregário. O ideal é manter no mínimo 6 a 10 indivíduos ou mais para que demonstre seu comportamento natural e realce de sua cores.

De temperamento pacífico, ideal para aquários comunitários com outras espécies pequenas e pacíficas. Contudo, como a maioria das espécies do gênero, pode apresentar a tendência de morder as nadadeiras (fin-nipping) de peixes muito lentos ou que possuam caudas longas e exuberantes.

  • Área de Natação: Meio
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

Onívoro. Alimenta-se naturalmente de vermes, crustáceos, insetos e secundariamente plantas. Em cativeiro aceitará prontamente alimentos secos e vivos.


Reprodução

Ovíparo. Dispersam ovos livremente (egg-scatterers) e não exibem nenhum cuidado parental.

O ritual costuma acontecer pela manhã, sob os primeiros raios de luz natural do ambiente. O macho cortejará a fêmea e a conduzirá para o meio das plantas/fundo, onde ela espalhará centenas de ovos transparentes que serão fertilizados imediatamente no meio da água.

Os ovos eclodem rapidamente, entre 24 e 36 horas. As larvas minúsculas e transparentes ficarão grudadas nas plantas ou vidros consumindo o saco vitelino por mais 2 ou 3 dias. Em 3 a 4 dias estarão nadando livremente.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 6 a 9 meses
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: Machos são ligeiramente menores, mais esguios e retilíneos na região ventral. Podem exibir cores um pouco mais intensas nas nadadeiras em época de reprodução.

Fêmeas são visivelmente mais corpulentas e roliças, apresentando a região do ventre bem arredondada, principalmente quando estão carregadas de ovos.


Referências

  • Planquette, P., P. Keith and P.-Y. Le Bail, 1996. Atlas des poissons d’eau douce de Guyane. Tome 1. Collection du Patrimoine Naturel Volume 22, MNHN, Paris & INRA, Paris.
  • Weitzman, S.H. and L. Palmer, 1997. A new species of Hyphessobrycon (Teleostei: Characidae) from Neblina region of Venezuela and Brazil, with comments on the putative ‘rosy tetra clade’. Ichthyol. Explor. Freshwat.
  • Beolens, B., M. Grayson and M. Watkins, 2023. Eponym dictionary of Fishes. Dunbeath, Caithness (Scotland, UK): Whittles Publishing Limited
  • Parasitic fauna of Hyphessobrycon takasei and Hyphessobrycon amapaensis (Osteichthyes: Characidae), ornamental fish of two basins from Amapá state, Brazil — Josefa Claudineide Sousa Pereira (Universidade do Estado do Amapá, Brasil), Rafael Júnior Passador (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Brasil), Raimundo Nonato Gomes Mendes-Júnior (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Brasil)
  • Lima, F. 2023. Hyphessobrycon takasei. The IUCN Red List of Threatened Species 2023:  Accessed on 25 June 2026.

Publicado em Junho/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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