Moreia de Fogo, Fire eel (Mastacembelus erythrotaenia) | Ficha técnica

Nome Científico: Mastacembelus erythrotaenia (Bleeker, 1850)
Ordem: Synbranchiformes — Família: Mastacembelidae
Nome popular: Moreia de Fogo — Inglês: Fire eel, Spotted fire eel
Distribuição: Sudeste asiático
Etimologia: Mastacembelus do grego mastax (ou mastakos) que significa “mordida” + emballo que significa “atirar-se” ou “lançar-se”. O termo faz referência direta ao hábito deste peixe dar mordidas ou investidas rápidas, uma característica comportamental marcante da espécie.
Erythrotaenia, descreve a sua coloração padrão e combina duas palavras gregas; Erythros que significa “vermelho” + Tainia que significa “faixa” ou “listra”. Significado literal: “Faixa vermelha” ou “listra vermelha”, descrevendo as linhas longitudinais avermelhadas que cortam o corpo escuro do animal.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)
Sinônimos: Mastacembelus argus, Macrognathus erythrotaenia
Descrição
Popularmente conhecido como Moreia de Fogo ou Enguia de Fogo (do inglês Fire Eel), possui corpo alongado e cilíndrico de coloração escura (cinza a preto) com linhas, listras e manchas de um tom vermelho vivo ou alaranjado ao longo das laterais.
Possui um apêndice nasal longo, móvel e pontiagudo que serve para tatear o fundo do rio e localizar presas. As nadadeiras dorsal, anal e caudal são fundidas em uma estrutura contínua ao redor da cauda.
É capturada por bombeamento de água parada em áreas secas. Comercializada fresca para consumo humano e frequentemente encontrada no comércio de aquários. Aparentemente, tornou-se rara nos últimos anos. É uma das maiores espécies da sua família.
- Tamanho Adulto: 100 cm
- Expectativa de Vida: 10 a 15 anos +

Distribuição e Habitat
Entre as principais bacias hidrográficas, ocorre extensamente nas bacias dos rios Mekong e Chao Phraya, que cortam grande parte do continente sudeste asiático.
Países: Encontrado na Tailândia, Camboja, Vietnã, Laos, Malásia, Myanmar (Birmânia) e Indonésia (principalmente nas ilhas de Sumatra e Bornéu).
Ambiente: Água doce.
Habitat: Vive em rios lentos, riachos de planície e zonas alagadas. Prefere locais com substrato lodoso ou arenoso, repletos de detritos vegetais e troncos caídos, condições que facilitam seu comportamento de se enterrar.
- pH: 6 a 7
- Dureza: 5 a 15 dGH
- Temperatura: 24°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 400 litros com comprimento mínimo de 200 cm e 60 cm de largura desejável.
O substrato deve ser estritamente de areia de granulometria fina. Enterra o corpo na areia deixando apenas os olhos e o focinho para fora para monitorar o ambiente. Substratos pontiagudos ou cascalhos grossos machucam sua pele sensível.
Aquário bem estruturado com muitas tocas, troncos e rochas grandes para fornecer esconderijos seguros. Possui grande habilidade para saltar ou escapar por frestas mínimas do aquário, exigindo tampas pesadas e bem vedadas.
É altamente sensível a presença de amônia e nitrito, além de inúmeros medicamentos, não possui escamas verdadeiras e absorve substâncias tóxicas facilmente pela pele.
Comportamento e Compatibilidade: É uma espécie pacífica com peixes que não caibam em sua boca. No entanto, pode ser territorial com indivíduos da mesma espécie ou com outros peixes de fundo semelhantes. É famosa por sua inteligência, associa a presença humana à alimentação e interage na hora da comida. É mais ativa durante a noite.
- Área de Natação: Fundo
- Quantidade mínima: Sozinho ou Grupo
- Nível de dificuldade: Médio

Alimentação
Essencialmente carnívoro. Se alimenta naturalmente de insetos bentônicos, vermes e secundariamente material vegetal.
Dificilmente aceita ração seca logo de início, exigindo alimentos vivos ou congelados como artêmias, bloodworms, krill, minhocas e pedaços de peixes.
Reprodução
Ovíparo. A reprodução em aquários domésticos é extremamente difícil e considerado um evento raro. A grande maioria dos registros de desova em cativeiro ocorre de forma acidental ou em criatórios profissionais na Ásia com o uso de indução hormonal.
São peixes que realizam fertilização externa. A fêmea libera entre 800 e 1.200 ovos translúcidos (com cerca de 1,2 mm de diâmetro) no ambiente, onde serão fertilizados pelo macho.
Os ovos eclodem em cerca de 48 a 72 horas (2 a 3 dias), dependendo diretamente da temperatura da água. Elas se alimentam exclusivamente do próprio saco vitelino por um período de 3 a 4 dias, quando estarão nadando livremente.
- Maturidade Sexual: Próximo de 40 a 50 cm
- Cuidado Parental: Não ocorre
Dimorfismo Sexual: Machos e fêmeas possuem coloração idêntica. O único indicativo é que as fêmeas adultas tendem a ser um pouco maiores e mais encorpadas/arredondadas na região abdominal, especialmente quando estão desenvolvendo ovos.
Referências
- Rainboth, W.J., 1996. Fishes of the Cambodian Mekong. FAO species identification field guide for fishery purposes. FAO, Rome
- Roberts, T.R., 1986. Systematic review of the Mastacembelidae or spiny eels of Burma and Thailand, with description of two new species of Macrognathus. Jap. J. Ichthyol.
- Riehl, R. and H.A. Baensch, 1991. Aquarien Atlas. Band. 1. Melle: Mergus, Verlag für Natur-und Heimtierkunde, Germany.
- Vidthayanon, C. & Daniels, A. 2020. Mastacembelus erythrotaenia. The IUCN Red List of Threatened Species 2020: e.T180888A89815119. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2020-3.RLTS.T180888A89815119.en. Accessed on 08 July 2026.
Publicado em Julho/2026