Robalo Gralhudo (Centropomus ensiferus)

Espécime adulto capturado em território norte americano — Foto de James-LaFontaine (CCBY)

Nome Científico: Centropomus ensiferus (Poey, 1860)

Ordem: Carangaria/misc — Família: Centropomidae

Nome popular: Robalo Corcunda/Gralhudo, Caromim— Inglês: Swordspine snook

Distribuição: Atlântico Ocidental, desde sul da Flórida e costas continentais até o Rio de Janeiro no Brasil.

Etimologia: Centropomus deriva do grego kentron (que significa “ferrão”, “espinho”) e poma (que significa “tampa” ou “opérculo”). Refere-se aos espinhos presentes no opérculo.

Ensiferus vem do latim, formado por ensis (“espada”) e fero (“portador” ou “levar”). Portanto, significa “portador de espada” ou “que leva uma espada”, uma referência direta ao seu segundo espinho anal longo e robusto, frequentemente chamado de “swordspine” (espinho-espada).

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante


Descrição

Conhecido por inúmeros nomes populares como Robalo, Peba, Chaliço, Robalete, Camorim-sovela e Robalo Espadachim, entre outros.

Datando do Cretáceo superior, têm a forma típica dos percóides , distinguindo-se por possuírem nadadeiras dorsais bipartidas , uma linha lateral que se estende até a cauda e, frequentemente, uma forma côncava na cabeça.

Corpo alongado, com coloração amarela-acastanhada a verde-acastanhada no dorso e prateada no ventre. As nadadeiras são escuras. A linha lateral é escura e delineada em preto, característica marcante da espécie. É um dos menores Robalos dentro do gênero podendo atingir até 35 cm.

Embora menor que outros robalos, possui importância na pesca artesanal local, muitas espécies são importantes tanto para a pesca comercial quanto para a pesca esportiva.

  • Tamanho Adulto: 36 cm (comum 25 cm)
  • Expectativa de Vida: 10 a 20 anos +

Distribuição e Habitat

Encontrado em praticamente quase toda costa Atlântica ocidental, desde o sul da Flórida (EUA), Grandes e Pequenas Antilhas e costas continentais do Caribe Central e do Sul, estendendo-se para o sul até o Rio de Janeiro, Brasil.

Países: Todos da costa leste no continente americano. No Brasil ocorre nos estados de Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Habitat: Habita águas costeiras, estuários, baías e lagoas, penetrando em água doce; geralmente prefere água salobra ou água doce, embora possa frequentar ambiente marinho. Encontrado sobre fundos macios (lamacentos).

  • pH: 6,5 a 9,0
  • Dureza: –
  • Temperatura: 24°C a 28°C
Foto de Eric van den Berghe (CCBY-NC)

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 600 litros com comprimento mínimo de 200 cm e 60 cm de largura desejável.

Apesar de não atingir um grande tamanho, exige um bom espaço devido suas características e hábito predador. Embora sua criação em aquário doméstico não seja comum, a aclimatação é possível, mas requer alta qualidade de água.

Comportamento e Compatibilidade: O robalo-espada é uma espécie pacífica que geralmente não incomoda outros peixes, a menos que estejam muito próximos ou sejam muito pequenos. Esta é mais uma razão pela qual um aquário grande é necessário; à medida que crescem, tornam-se mais agressivos uns com os outros.

Predador ágil e voraz. Deve ser mantido com espécies de porte compatível para evitar predação.

  • Área de Natação: Fundo / Meio
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Difícil

Alimentação

Alimenta-se naturalmente de pequenos peixes (Engraulidae, Clupeidae, etc.) e crustáceos (principalmente camarões). Em aquário dificilmente aceitará alimentos secos.


Reprodução

Ovíparo. A maioria dos robalos é considerado hermafrodita protândrica, o que significa que nascem machos e podem se transformar em fêmeas após atingirem determinado tamanho, embora essa transição possa não ser obrigatória para todos os indivíduos.

Desovam em águas estuarinas e costeiras tropicais, com ocorrência em lagoas costeiras.

Sua reprodução é sazonal, geralmente concentrada nos meses mais quentes, frequentemente entre outubro e março, coincidindo com o período de chuvas e aumento da temperatura da água (semelhante ao período de defeso da piracema em algumas regiões).

A desova poro ocorrer de forma parcelada, o que significa que as fêmeas não liberam todos os ovos de uma vez, mas sim em múltiplos lotes ao longo da temporada reprodutiva, aumentando as chances de sobrevivência das larvas.

Estudos com o gênero Centropomus indicam que a reprodução pode ser induzida artificialmente com o uso de hormônios (como hCG – Gonadotrofina Coriônica Humana) em laboratório, visando a larvicultura.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 24 meses +
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: As fêmeas geralmente atingem comprimentos e pesos maiores do que os machos. Como resultado da mudança de sexo, os exemplares menores tendem a ser machos, enquanto os indivíduos de maior porte são, predominantemente, fêmeas.


Referências

Carvalho, V.A. and R.L. Branco, 1977. Relação de espécies marinhas e estuarinas do nordeste brasileiro. P.D.P. Documentos Técnicos

Carvalho-Filho, A., J. De Oliveira, C. Soares and J. Araripe, 2019. A new species of snook, Centropomus (Teleostei: Centropomidae), from northern South America, with notes on the geographic distribution of other species of the genus. Zootaxa

Claro, R., 1994. Características generales de la ictiofauna. p. 55-70. In R. Claro (ed.) Ecología de los peces marinos de Cuba. Instituto de Oceanología Academia de Ciencias de Cuba and Centro de Investigaciones de Quintana Roo.

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Fraser, T.H., 1978. Centropomidae. In W. Fischer (ed.) FAO species identification sheets for fishery purposes. West Atlantic (Fishing Area 31). FAO, Rome. Vol. 1-2.

Keith, P., P.-Y. Le Bail and P. Planquette, 2000. Atlas des poissons d’eau douce de Guyane. Tome 2, Fascicule I: Batrachoidiformes, Mugiliformes, Beloniformes, Cyprinodontiformes, Synbranchiformes, Perciformes, Pleuronectiformes, Tetraodontiformes. Collection Patrimoines Naturels 43(I): 286p. Paris: Publications scientifiques du Muséum national d’Histoire naturelle.

Cervigón, F., R. Cipriani, W. Fischer, L. Garibaldi, M. Hendrickx, A.J. Lemus, R. Márquez, J.M. Poutiers, G. Robaina and B. Rodriguez, 1992. Fichas FAO de identificación de especies para los fines de la pesca. Guía de campo de las especies comerciales marinas y de aquas salobres de la costa septentrional de Sur América. FAO, Rome. 513 p. Preparado con el financiamento de la Comisión de Comunidades Europeas y de NORAD.

Uyeno, T., K. Matsuura and E. Fujii (eds.), 1983. Fishes trawled off Suriname and French Guiana. Japan Marine Fishery Resource Research Center, Tokyo, Japan.

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Gines, H. and F. Cervigón, 1967. Exploracion pesquera en las costas de Guyana y Surinam año 1967. Estacíon de Investigaciones Marinas de Margarita. Fundacíon La Salle de Ciencias Naturales, no.

Publicado em Maio/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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