Perca Tigre, Tiger perch (Terapon jarbua) | Ficha técnica

Espécime adulto em seu ambiente natural em Port Ghalib (Egito) — Foto de Francois Libert (CCBY-NC)

Nome Científico: Terapon jarbua (Fabricius, 1775)

Ordem: Centrarchiformes — Família: Terapontidae

Nome popular: Jarbua terapon, Crescent perch, Tiger perch

Distribuição: Indo-Pacífico

Etimologia: Terapon deriva do grego teras (monstro ou maravilha) e pontios (marino). Jarbua mantém a denominação regional em árabe compilada nas primeiras descrições taxonômicas no Mar Vermelho.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco precocupante (2026)

Sinônimos: Stereolepis inoko, Therapon farna, Pterapon trivittatus, Coius trivittatus, Holocentrus servus, Sciaena jarbua, Terapon timorensis


Descrição

A Perca Tigre é conhecida pelo seu corpo tipicamente prateado com três a quatro listras curvas escuras e cauda listrada. As listras características são em formato de crescente (daí o nome crescent grunter). A nadadeira caudal também apresenta faixas escuras diagonais bem marcadas.

Conhecido como “grunhidor” por conseguir emitir sons rítmicos através de sua bexiga natatória quando está estressado.

É um peixe eurialino extremo, o que significa que seu corpo possui uma capacidade de se adaptar a variações bruscas de salinidade, sobrevivendo desde o mar aberto até rios de água doce. Essa resistência é tão impressionante que ele consegue passar de um ambiente para o outro de forma quase imediata, sem precisar de um longo período de aclimatação.

Para aguentar essas mudanças sem que suas células encolham ou estourem, ele ativa um mecanismo biológico altamente eficiente:

Osmorregulação reversível: Quando entra na água doce, o corpo dele para de beber água e os rins passam a produzir muita urina diluída para eliminar o excesso de líquido. Ao voltar para o mar, o processo se inverte, ele bebe muita água salgada e elimina o sal concentrado pelas brânquias.

Células de cloreto nas brânquias: Ele possui células especializadas nas brânquias que funcionam como “bombas de íons”. Na água salgada, essas células bombeiam o excesso de sal para fora do corpo; na água doce, elas mudam de função e passam a absorver ativamente o sal da água para manter o sangue equilibrado.

Migração por fases de vida: Essa flexibilidade é vital para a sua sobrevivência. Os adultos desovam no mar, mas as larvas e os juvenis migram para os estuários e rios (água doce/salobra), onde encontram mais alimento e menos predadores grandes. Quando crescem e atingem a maturidade, voltam para o ambiente totalmente marinho ou áreas de água salobra.

  • Tamanho Adulto: 36 cm (comum 25 cm)
  • Expectativa de Vida: 5 a 8 anos

Distribuição e Habitat

Possui ampla distribuição nativa na região do Indo-Pacífico, habitando águas tropicais e subtropicais.

Oceano Índico: Ocorre desde o Mar Vermelho (onde foi descrito originalmente) e o Golfo Pérsico até as costas da África Oriental, estendendo-se em direção ao sul até a África do Sul.

Oceano Pacífico Ocidental: Espalha-se da costa da Austrália (chegando até a Ilha Lord Howe) e da Indonésia em direção ao norte até o sul do Japão, e rumo ao leste até ilhas como Fiji e Samoa.

De acordo com registros monitorados pelo CIESM (Atlas de Peixes Exóticos), a espécie migrou pelo Canal de Suez e começou a aparecer no leste do Mar Mediterrâneo, sendo classificada como um migrante lessepsiano.

Países: Praticamente cosmopolita no continente Africano, Asiático e Oceania.

Ambiente: Água doce, água salobra, marinho

Habitat: Encontrado em fundos arenosos rasos, nas proximidades de desembocaduras de rios. Entra em estuários e rios. Juvenis e adultos são frequentemente encontrados em água doce. Adultos em agregações dispersas, enquanto juvenis em cardume em áreas arenosas entre marés; frequentemente em poças de maré. A profundidade mínima relatada é de 20 m.

  • pH: 7.0 a 8.6
  • Dureza: 8 a 12 dGH
  • Temperatura: 24°C a 28°C
Espécime adulto em seu ambiente natural em Tagaqe Lagoon, Tagaqe, (Fiji) — Foto de Richard Ling (CCBY-NC-ND)

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 1000 litros com comprimento mínimo de 250 cm e 60 cm de largura desejável.

O maior desafio para manter esta espécie em aquário não são os parâmetros da água, mas sim o seu comportamento extremamente agressivo. Use rochas e troncos pesados para criar territórios e quebrar a linha de visão do peixe. A iluminação deve ser de moderada a intensa, simulando as águas rasas costeiras

Deve ser mantido estável entre 7.5 e 8.5. Ele prefere águas alcalinas e é muito sensível a quedas bruscas que tornem a água ácida. Embora sobreviva em água doce, ele se desenvolve melhor a longo prazo em ambientes salobros ou marinhos, com densidade específica entre 1.005 e 1.023.

Comportamento e Compatibilidade: O comportamento é marcado pela alta atividade, territorialidade e pela agressividade, especialmente à medida que o peixe amadurece. Ele é uma espécie diurna que passa a maior parte do dia nadando ativamente em busca de alimento.

Quando filhotes e juvenis, eles são altamente gregários e formam grandes cardumes nas poças de maré para se proteger. Ao atingirem a fase adulta, tornam-se solitários e intolerantes com outros da mesma espécie.

Além do hábito de arrancar escamas de outros peixes (lepidofagia), ele é um predador voraz que ataca e engole qualquer criatura que caiba em sua boca.

Companheiros de aquário devem ser peixes maiores, robustos, rápidos e de comportamento agressivo/predador. Nunca o coloque com peixes lentos, pacíficos ou de nadadeiras longas, pois eles terão as escamas arrancadas.

Em aquários, interage bastante com o ambiente externo, reconhecendo o criador e aproximando-se do vidro na hora da alimentação, mostrando pouquíssimo medo.

  • Área de Natação: Fundo / Meio
  • Quantidade mínima: Sozinho ou Grupo
  • Nível de dificuldade: Difícil

Alimentação

Onívoro. Se alimenta naturalmente de peixes, insetos, algas e invertebrados que habitam a areia. Em aquário aceita facilmente alimentos congelados e frescos, como pedaços de camarão, lula, peixes pequenos e mexilhões. Oferecer rações carnívoras de alta qualidade ajuda a suprir os nutrientes que ele buscaria nas escamas de outros peixes.

Uma das maiores curiosidades é o seu hábito alimentar único e agressivo conhecido como lepidofagia: ele se alimenta das escamas de outros peixes. Eles atacam peixes muito maiores para arrancar suas escamas. As escamas fornecem cálcio, proteínas e muco altamente nutritivos.

Possui dentes e mandíbulas adaptados para raspar e puxar superfícies duras. Ele nada silenciosamente atrás da vítima para evitar o campo de visão do peixe alvo. O peixe dispara em uma aceleração rápida e curta na direção do flanco ou da cauda da presa.

Ele atinge o alvo em um ângulo inclinado, usando o focinho para levantar a borda da escama. Os dentes curvos raspam a pele, e a boca forte puxa a escama junto com o muco nutritivo. O ataque dura frações de segundo, e o peixe recua antes que a presa consiga reagir ou contra-atacar.

Espécime sub adulto capturado na Austrália — Foto de Vince Golder (CCBY-NC)

Reprodução

Ovíparo. A reprodução ocorre de forma sazonal diretamente no ambiente marinho, mesmo que o peixe passe grande parte de sua vida em estuários ou rios de água doce. Na natureza, o ciclo reprodutivo acontece anualmente, concentrando-se principalmente entre os meses de março e maio.

Nessa fase, eles voltam a formar grandes grupos para migrar em direção ao mar aberto.

As fêmeas possuem uma alta capacidade reprodutiva. Uma única desova pode liberar de 239.000 a 420.000 ovos, o que equivale a uma média de quase 1.000 ovos por grama do peso da fêmea. Após a fertilização, a responsabilidade pelos ovos é inteiramente do peixe macho. Ele protege o ninho contra predadores e ventila os ovos constantemente com as nadadeiras para garantir a oxigenação.

Assim que os ovos eclodem, as larvas e os pequenos juvenis migram de volta para águas rasas, poças de maré e rios de água doce. Nesses locais, eles encontram abrigo e alimento abundante para crescerem protegido.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 12 meses (~ 10 a 13 cm)
  • Cuidado Parental: Ocorre

Dimorfismo Sexual: não apresenta dimorfismo sexual morfológico evidente.


Referências

  • Paxton, J.R., D.F. Hoese, G.R. Allen and J.E. Hanley, 1989. Pisces. Petromyzontidae to Carangidae. Zoological Catalogue of Australia, Vol. 7. Australian Government Publishing Service, Canberra
  • Breder, C.M. and D.E. Rosen, 1966. Modes of reproduction in fishes. T.F.H. Publications, Neptune City, New Jersey.
  • Vari, R.P., 2001. Terapontidae (=Therapontidae, Theraponidae, Teraponidae). Terapon-perches (terapon-grunters). p. 3305-3316. In K.E. Carpenter and V.H. Niem (eds.) FAO species identification guide for fishery purposes. The living marine resources of the Western Central Pacific. Volume 5. Bony fishes part 3 (Menidae to Pomacentridae). Rome, FAO.
  • Allen, G.R., 1991. Field guide to the freshwater fishes of New Guinea. Publication, no. 9. 268 p. Christensen Research Institute, Madang, Papua New Guinea.
  • Masuda, H. and G.R. Allen, 1993. Meeresfische der Welt – Groß-Indopazifische Region. Tetra Verlag, Herrenteich, Melle.
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  • Lieske, E. and R. Myers, 1994. Collins Pocket Guide. Coral reef fishes. Indo-Pacific & Caribbean including the Red Sea. Haper Collins Publishers
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  • Allen, G.R. and M.V. Erdmann, 2012. Reef fishes of the East Indies. Perth, Australia: Universitiy of Hawai’i Press, Volumes I-III. Tropical Reef Research.
  • Study on Reproductive Performance of Terapon jarbua (Forsskal, 1775) in Tam Giang-Cau Hai Lagoon Systems, Thua Thien Hue Province — Le Thi Nhu Phuong and Nguyen Quang Linh

 

Publicado em Julho/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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