Bacalhau de Água Doce Oriental (Maccullochella ikei) | Ficha técnica

Espécime adulto em seu ambiente natural — Foto de Brett Vercoe (CCBY-NC)

Nome Científico: Maccullochella ikei (Rowland, 1986)

Ordem: Centrarchiformes — Família: Percichthyidae

Nome popular: Bacalhau de Água Doce Oriental — Inglês: Eastern freshwater cod

Distribuição: Oceania; Austrália

Etimologia: Maccullochella, o gênero foi nomeado em homenagem a Allan Riverstone McCulloch (1885–1925). Renomado ictiologista australiano e curador de peixes no Australian Museum.

A espécie e foi descrita oficialmente apenas em 1986 pelo cientista Stuart J. Rowland, que escolheu o nome ikei para homenagear seu próprio avô, Isaac “Ike” Rowland, um perito de peixes local.

Status de Conservação (IUCN Red List): Em perigo (2026)


Descrição

O Bacalhau de Água Doce Oriental é um peixe predador de grande porte, robusto e perfeitamente adaptado para camuflagem em ambientes fluviais rochosos.

Apresenta uma cor de base que varia do verde-oliva ao verde-amarelado ou dourado e recoberto por uma intensa padronagem reticulada de manchas escuras, pretas ou verde-escuras, cobrindo o dorso e as laterais. Seu ventre é liso e possui uma coloração esbranquiçada ou creme.

Seu ciclo de vida e biologia geral são semelhantes aos do bacalhau Murray (Maccullochella peelii); no entanto, apresenta uma taxa de crescimento ligeiramente mais lenta.

Embora muito parecidos, Maccullochella ikei diferencia-se do famoso bacalhau-de-murray por possuir filamentos pélvicos mais longos, uma cabeça proporcionalmente menor em relação ao corpo, órbitas oculares ligeiramente maiores e uma menor quantidade de escamas abaixo da linha lateral.

Sua maturidade tardia e a longa expectativa de vida tornam a espécie altamente vulnerável, pois a perda de adultos reprodutores por pesca ilegal ou desastres ambientais causa um impacto severo e de lenta recuperação na população selvagem.

  • Tamanho Adulto: 66 cm
  • Expectativa de Vida: 20 anos
Espécime adulto em seu ambiente natural — Foto de Nick Lambert (CCBY-NC-SA)

Distribuição e Habitat

Sua distribuição é extremamente restrita e endêmica do nordeste do estado de Nova Gales do Sul (NSW), na Austrália. Esta espécie está classificada em perigo de extinção e desapareceu de grande parte de sua área original.

Países: Endêmico da Austrália

Habitat: Habita trechos intocados de riachos límpidos, caudalosos e repletos de troncos e outros detritos lenhosos.

  • pH: 6.6 a 8.0
  • Dureza: 3 a 8 dGH
  • Temperatura: 15°C a 25°C

Criação em Aquário

Sua criação em aquário doméstico não é documentada.

É estritamente proibida por lei na Austrália, seu país de origem. Por ser uma espécie classificada em perigo de extinção, a posse privada, captura ou manutenção desse peixe em cativeiro sem licenças científicas rigorosas resulta em severas penalidades legais e multas elevadas.

Comportamento e Compatibilidade: –

  • Área de Natação: –
  • Quantidade mínima: –
  • Nível de dificuldade: –

Alimentação

É um carnívoro de topo. Se alimenta naturalmente de crustáceos, peixes e ocasionalmente vertebrados terrestres como pequenos mamíferos, lagartos, cobras, sapos e aves aquáticas que caem ou nadam na superfície da água.

Espécime adulto — Foto de Nick Lambert (CCBY-NC-SA)

Reprodução

Ovíparo. Reprodução ocorre uma vez por ano, normalmente durante na primavera (geralmente entre agosto e outubro na Austrália).

Os machos atingem a maturidade sexual somente por volta dos 3 anos, enquanto as fêmeas demoram cerca de 4 a 5 anos (com aproximadamente 40 a 50 cm de comprimento) para estarem prontas para a primeira reprodução.

O macho localiza uma estrutura sólida e protegida no fundo do rio — como o interior de um grande tronco oco, fendas de rochas verticais ou cavernas submersas — e limpa a superfície usando as nadadeiras e a boca, atraindo uma fêmea madura para o interior do ninho através de exibições visuais e corporais.

A fêmea deposita uma única camada de ovos grandes (cerca de 2,5 a 3,5 mm de diâmetro) que são fortemente adesivos. Eles grudam diretamente na superfície interna do tronco ou da rocha. Dependendo do tamanho da fêmea, a desova pode conter de 2.000 a mais de 10.000 ovos.

Imediatamente após a fertilização, a fêmea é expulsa do ninho pelo macho e não tem mais nenhuma participação no processo. O macho permanece sozinho no ninho cuidando dos ovos por um período de 5 a 10 dias (dependendo da temperatura da água) até e eclosão das larvas.

  • Maturidade Sexual: Vide acima
  • Cuidado Parental: Ocorre

Dimorfismo Sexual: apresenta um dimorfismo sexual ausente ou quase imperceptível visualmente. A única diferença visível é durante a época de reprodução onde as fêmeas maduras desenvolvem uma região ventral visivelmente mais arredondada, estufada e macia devido ao grande volume de ovos em desenvolvimento.


Referências

  • Allen, G.R., S.H. Midgley and M. Allen, 2002. Field guide to the freshwater fishes of Australia. Western Australian Museum, Perth, Western Australia.
  • Baillie, J. and B. Groombridge (eds.), 1996. 1996 IUCN red list of threatened animals. IUCN, Gland, Switzerland.
  • Butler, G., S. Rowland, P. Baverstock and L. Brooks, 2014. Movement patterns and habitat selection of the Endangered eastern freshwater cod Maccullochella ikei in the Mann River, Australia. Endangered Species Research

Publicado em Maio/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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