Peixe Charutinho (Pyrrhulina filamentosa) | Ficha técnica

Nome Científico: Pyrrhulina filamentosa (Valenciennes, 1847)
Ordem: Characiformes — Família: Lebiasinidae
Nome popular: Charutinho, Pirá-tan-tan — Inglês: Pirrulina
Distribuição: América do Sul, rios costeiros entre a foz dos rios Amazonas e Orinoco.
Etimologia: Pyrrhulina, do grego pyrrhos, que significa “vermelho” ou “cor de fogo” + sufixo –ina que indica uma forma diminutiva. Significa, literalmente, “pequeno peixe cor de fogo”.
Filamentosa; do latim filamentum (fio, filamento), com o sufixo latino –osa (cheio de, abundante em). Faz alusão aos longos filamentos que se estendem das nadadeiras deste peixe.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante
Descrição
Membro da família Lebiasinidae que inclui os populares Peixes Lápis e Copeinas.
Destaca-se por uma faixa escura, larga e proeminente que se estende horizontalmente ao longo do corpo.
Pode ser observado pelos numerosos nomes comuns compartilhados por esta espécie e pela Copella. São comumente coletados juntos em pequenos riachos e remansos. P. filamentosa atinge um tamanho maior comparado a espécies de Copella.
- Tamanho Adulto: 11 cm
- Expectativa de Vida: 3 anos
Distribuição e Habitat
É amplamente encontrada nas bacias que drenam para o Oceano Atlântico no trecho compreendido entre a foz do Rio Amazonas (no Brasil) e a bacia do Rio Orinoco (na Venezuela).
Países: Brasil, Guiana Francesa, Guiana, Suriname e Venezuela. No Brasil ocorre no estado do Amazonas.
Habitat: Frequentemente encontrado em riachos rasos (igarapés), pântanos, remansos de rios e zonas de floresta inundada com pouca correnteza. Encontrado junto com Copella carsevennensis e vários Rivulus.
Habita preferencialmente a camada superior da coluna d’água, mantendo-se sempre muito próxima a margens cobertas por vegetação densa e folhagem caída.
- pH: 5.8 a 7.5
- Dureza: –
- Temperatura: 22°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 80 litros com dimensões mínimas de 80 cm de comprimento e 30 cm de largura desejável.
O ideal é que o aquário seja bem plantado, deixando o centro livre para proporcionar espaço para nadar. Suas cores ficam mais vistosas em substratos escuros.
É uma espécie que passa a maior parte de seu tempo na superfície do aquário, devendo ser mantido tampado uma vez que tende pular.
Comportamento e Compatibilidade: Como a maioria de seus parentes próximos, esta espécie se desenvolve livremente em cardumes, se adaptando melhor em grupos de 5 ou mais espécimes, se dando bem com a maioria dos companheiros de aquário pacíficos e de tamanho semelhante.
Machos eventualmente podem ser agressivos entre si disputando território e fêmeas. Razão pela qual quanto maior o grupo melhor. Desta forma qualquer agressão será espalhada entre todos os indivíduos e não somente sobre os mais fracos.
- Área de Natação: Meio / Superfície
- Quantidade mínima: Grupo
- Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação
Onívoro. Em seu ambiente natural sua dieta consiste basicamente de insetos que ficam próximo a superfície da água. Em aquário aceitará alimentos secos e vivos sem dificuldades.
Trata-se de um micro predador, por esta razão é importante fornecer alimentos vivos regularmente.
Reprodução
Ovíparo. Durante a época reprodutiva, os machos intensificam suas cores e exibem comportamentos de exibição para atrair as fêmeas.
A fêmea deposita uma massa compacta de ovos aderentes diretamente na superfície de folhas largas submersas, rochas lisas, ou no vidro do aquário próximo à superfície.
Ao contrário da maioria dos caracídeos que espalham os ovos, o gênero Pyrrhulina apresenta um comportamento complexo e protetor, muito semelhante ao dos ciclídeos com o macho protegendo os ovos até que eclodam.
O período de incubação dura entre 36 e 72 horas. Uma vez que os alevinos nascem e começam a nadar livremente, o instinto paternal cessa.
- Maturidade Sexual: Próximo de 6 meses
- Cuidado Parental: Ocorre
Dimorfismo Sexual: Macho possui o corpo com uma forma mais retilínea, esguia e desenvolvem cores mais chamativas. Além disso, suas nadadeiras pélvicas e anal tornam-se mais pontiagudas ou quadradas
Fêmeas ficam com a região ventral notavelmente roliça e arredondada, devido ao desenvolvimento e acúmulo de ovócitos em seus ovários. Suas nadadeiras pélvicas também têm um formato mais oval.
Referências
- Alonso, L.E. and H.J. Berrenstein, 2006. A Rapid Biological Assessment of the Aquatic Ecosystems of the Coppename River Basin, Suriname. RAP Bull. Of Biol. Assessment
- Hureau, J.-C., 1991. La base de données GICIM: Gestion informatisée des collections ichthyologiques du Muséum. p. 225-227. In Atlas Préliminaire des Poissons d’Eau Douce de France. Conseil Supérieur de la Pêche, Ministère de l’Environnement, CEMAGREF et Muséum national d’Histoire naturelle, Paris.
- Nobile, A.B., D. Freitas-Souza, F.P. Lima, L.B. Vieira, B.F. Melo and C. Oliveira, 2017. Length-weight and length-length relationships of 16 fish species from Amapá, Brazilian Amazon. J. Appl. Ichthyol.
- Ponton, D. and S. Mérigoux, 2001. Description and ecology of some early life stages of fishes in the River Sinnamary (French Guiana, South America). Folia Zool. 50(Monogr. 1)
- Weitzman, M. and S.H. Weitzman, 2003. Lebiasinidae (Pencil fishes). p. 241-251. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
Publicado em Maio/2026