Peixe Rei, Silverside (Odontesthes mirinensis)

Foto de Matías Zarucki (CCBY-NC)

Nome Científico: Odontesthes mirinensis (Bemvenuti, 1996)

Ordem: Atheriniformes — Família: Atherinopsidae

Nome popular: Peixe Rei — Inglês: Silverside

Distribuição: América do Sul: Lagoas Mirim e Dos Patos, Rio Grande do Sul.

Etimologia: Odontesthes, deriva do grego odous (dentes) + esthes (vestido/traje), significando “vestido com dentes”, em referência à dentição da espécie.

Mirinensis, É uma referência geográfica à Lagoa Mirim, no extremo sul do Brasil/Uruguai, local onde a espécie foi originalmente descrita e encontrada.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco Preocupante (2026)


Descrição

Descrito em 1996, é caracterizado por um focinho curto, 24-29 rastros branquiais e escamas na linha lateral. Possui boca posicionada acima da linha horizontal que cruza o centro da pupila e focinho curto.

Tolera uma grande amplitude térmica sendo a faixa ideal entre 15°C e 24°C. Em seu ambiente ocorre variações sazonais como no inverno onde a temperatura varia entre 10°C a 16°C, e no verão pode tolerar picos de até 28°C-29°C.

  • Tamanho Adulto: 15 cm
  • Expectativa de Vida: desconhecido

Distribuição e Habitat

Nativo das lagoas costeiras do Rio Grande do Sul, Brasil, incluindo as lagoas Mirim e dos Patos.

Países: Brasil e Uruguai

Habitat: Habita águas continentais (doces) de zonas temperadas. Águas de transição e doce, típicas da região costeira sul-rio-grandense.

  • pH: 6,4 a 7,6
  • Dureza: Água moderadamente dura
  • Temperatura: 15°C a 24°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 200 litros com comprimento mínimo de 100 cm e 40 cm de largura desejável.

Não é uma espécie comum no aquarismo, sendo mais comum em tanques de pesquisa ou biótopos regionais de aquário publico. Por serem peixes extremamente ativos a agitados, prefira tanques longos e largos em vez de altos, para permitir o nado horizontal contínuo.

São intolerantes a temperatura tropical constante, sendo ideal manter a temperatura entre 18°C e 22°C e pH próximo de neutro.

Use areia fina e muitas plantas (como Vallisneria ou Elodea) nas laterais e fundo. Isso simula o habitat natural e oferece suporte para eventuais desovas.

Comportamento e Compatibilidade: Como frisado, são peixes bastante ativos a agitados, podendo mordiscar peixes mais lentos ou de longas nadadeiras. O ideal é um grupo de no mínimo 6 a 10 exemplares. São bastante assustadiços se houver um barulho súbito ou movimento brusco perto do vidro, eles tendem a saltar para fora da água ou nadar em alta velocidade contra as paredes do aquário, o que pode causar ferimentos.

  • Área de Natação: Meio / Superfície
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Médio

Alimentação

Se alimenta naturalmente de proteína animal, atuando principalmente como um predador de pequenos organismos na coluna d’água (zooplanctófago), além de Microcrustáceos, Copépodes, cladóceros (dáfnias), Caracóis juvenis e secundariamente algas.

Em aquário poderá aceitar alimentos secos com um pouco de insistência e treinamento.


Reprodução

Ovíparo. Ocorre de forma cíclica e está intimamente ligada às condições ambientais do seu habitat no sul do Brasil. Como a maioria das espécies do gênero Odontesthes, ele apresenta uma estratégia de desova parcelada, o que significa que a fêmea libera os ovócitos em vários lotes ao longo da temporada.

A desova geralmente ocorre entre o final do inverno e começo da primavera (Agosto a Dezembro), quando as temperaturas da água começam a subir levemente.

Acontece em águas rasas e calmas e a fecundação é externa com machos e fêmeas liberando seus gametas simultaneamente na água para que ocorra a fertilização. Os ovos possuem filamentos adesivos que permitem que se fixem em vegetação aquática (macrófitas) ou outros substratos submersos, evitando que sejam levados pelas correntes.

Embora varie com o tamanho da fêmea, a fecundidade total pode chegar a aproximadamente 10.000 ovócitos, liberados em lotes médios de 3.600 por vez.

Os ovos eclodem em cerca de duas semanas, dependendo da temperatura. Um detalhe curioso em peixes-rei é a determinação sexual térmica: em temperaturas muito baixas, a tendência é o nascimento de fêmeas, enquanto águas mais aquecidas favorecem o nascimento de machos.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 10 meses +
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: Aparentemente não existe dimorfismo sexual claro.


Referências

Wingert, J.M., J. Ferrer and L.R. Malabarba, 2017. Review of the Odontesthes perugiae species group from Río de La Plata drainage, with the description of a new species (Atherinomorpha: Atherinopsidae). Zootaxa

Malabarba, L.R. and B.S. Dyer, 2002. Description of three new species of the genus Odontesthes from the rio Tramandai drainage, Brazil (Atheriniformes: Atherinopsidae). Ichthyol. Explor. Freshwat.

Odontesthes mirinensis, sp.n. a new silverside (Pisces, Atherinidae, Atherinopsinae) from southern Brazil – Marlise de Azevedo Bemvenuti

 

Publicado em Maio/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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