Tetra Arco-íris, Rainbow tetra (Hyphessobrycon melanostichos) | Ficha técnica

Nome Científico: Hyphessobrycon melanostichos (Carvalho & Bertaco, 2006)
Ordem: Characiformes — Família: Acestrorhamphidae
Nome popular: Tetra Arco-íris — Inglês: Rainbow tetra, Black Stripe Tetra
Distribuição: América do Sul, Rio Doze de Outubro da bacia do alto rio Tapajós
Etimologia: Hyphesso significa “um pouco menor” ou “de menor estatura” + Brycon que Significa “mordedor” ou “devorador” (termo muito usado para caracterizar peixes da família Characidae). Significado literal: Pequeno mordedor.
Melano significa “preto” ou “escuro” + Stichos significa “linha” ou “fileira”. Significado literal: Linha preta (uma referência direta à faixa escura horizontal que o peixe possui nas laterais do corpo).
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)
Sinônimos: –
Descrição
Embora a descrição oficial tenha sido publicada em 2006, os primeiros espécimes foram coletados em Julho de 2004. Cientistas realizaram uma grande expedição para mapear e coletar peixes em vários afluentes da margem direita do Rio Amazonas, cobrindo os rios Madeira, Purus e Tapajós.
A espécie foi oficialmente descrita pelos ictiólogos brasileiros Tiago P. Carvalho e Luiz R. Bertaco em 2006. O artigo científico identificou o peixe como uma espécie única pertencente à família dos caracídeos.
A descoberta confirmou que o alto Rio Tapajós, especificamente o Rio Doze de Outubro e o Rio Juruena, no Mato Grosso) funciona como uma área de endemismo, abrigando espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo.
O Tetra Arco-íris possui uma larga e conspícua faixa preta que começa na borda posterior do olho e percorre todo o corpo até a ponta dos raios medianos da nadadeira caudal. Presença de uma mancha umeral preta na região da nadadeira peitoral verticalmente alongada.
Apresenta uma coloração azul-celeste brilhante e iridescente na metade superior do corpo. Tons avermelhados intensos adornam as nadadeiras dorsal, anal e caudal.
- Tamanho Adulto: 3,7 cm
- Expectativa de Vida: 3 a 5 anos +

Distribuição e Habitat
Encontrado apenas no rio Doze de Outubro, afluente do rio Juruena, na bacia do alto rio Tapajós, Chapada dos Parecis, Comodoro, Mato Grosso (Ref. 57598 ). Registrado na Lagoa Azul, bacia do rio Paraguai em Mato Grosso.
Países: Endêmico do Brasil
Ambiente: Água doce
Habitat: Encontrado perto da margem ao longo de trechos semilenticos de um rio raso com água clara, areia e pequenas pedras espalhadas no fundo, com vegetação moderadamente submersa e ripária.
- pH: 5.5 a 7.0
- Dureza: > 4 dGh
- Temperatura: 24°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.
Prefere aquários bem plantados, com presença de troncos, raízes e folhas secas (como as de amendoeira) que liberam taninos e ajudam a acidificar a água naturalmente.
Comportamento e Compatibilidade: Pacífico, convive perfeitamente com outros peixes pacíficos de tamanho semelhante (como outros tetras, coridoras, cascudos e ciclídeos anões).
É uma espécie gregária que necessita viver em grupos de no mínimo 6 a 8 indivíduos. Sozinho ou em número insuficiente, o peixe entra em estresse profundo, perde sua coloração vistosa.
- Área de Natação: Meio / Superfície
- Quantidade mínima: Grupo
- Nível de dificuldade: Fácil
Alimentação
É um peixe onívoro com forte tendência insetívora em seu habitat natural. No aquário, ele é um comedor ativo, aceitando muito bem quase todo tipo de alimento que caiba em sua boca.

Reprodução
Ovíparo. Durante a época de reprodução, os machos intensificam a cor azul do dorso e realizam nados rápidos ao redor das fêmeas, tentando atraí-las para áreas densamente plantadas onde ocorre a desova.
Como a maioria dos pequenos caracídeos, eles são disseminadores livres de ovos e não apresentam nenhum cuidado parental, além de exigirem condições de água extremamente específicas para que os ovos se desenvolvam sem fungar.
Os ovos eclodem entre 24 e 36 horas após a fertilização. Permanecem no saco vitelínico nos primeiros 2 a 3 dias, quando estarão nadando livremente.
- Maturidade Sexual: Próximo de 8 meses
- Cuidado Parental: Não ocorre
Dimorfismo Sexual: Macho são mais coloridos com o dorso azul-celeste metálico altamente iridescente e brilhante. As nadadeiras dorsal, anal e caudal exibem tons de vermelho vivo muito fortes. Possui o formato do corpo mais esguio, magro e hidrodinâmico.
Fêmeas possuem coloração mais discreta embora mantenha o padrão da espécie, as cores azul e vermelha são visivelmente mais pálidas, foscas e menos chamativas. Tem a região ventral muito mais roliça, arredondada e volumosa, formato que se intensifica drasticamente quando ela está carregada de ovos. Costuma ser ligeiramente maior e mais robusta em altura do que o macho.
Referências
Carvalho, T.P. and V.A. Bertaco, 2006. Two new species of Hyphessobrycon (Teleostei: Characidae) from upper rio Tapajós basin on Chapada dos Parecis, central Brazil. Neotrop. Ichthyol.
Ictiofauna do alto rio Juruena na Chapada dos Parecis, Mato Grosso, Brasil — Willian Massaharu Ohara – Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brazil; Marina Vianna Loeb – Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brazil
Publicado em Agosto/2026