Gudgeon dourado (Hypseleotris leuciscus) | Ficha técnica

Foto obtida em www.aquaportail.com (c)

Nome Científico: Hypseleotris leuciscus (Bleeker, 1853)

Ordem: Gobiiformes — Família: Eleotridae

Nome popular: Gudgeon dourado, Guavina dourada — Inglês: Golden Gudgeon

Distribuição: Indo Pacífico Ocidental

Etimologia: Hypseleotris, palavra composta por dois elementos gregos. Hypselos, que significa “alto” ou “elevado” + Eleotris, nome de outro género de peixes (da mesma ordem), cujo termo original grego refere-se historicamente a um “peixe do rio Nilo”. Significado literal: “Eleotris alto”, fazendo alusão ao formato do corpo ou à altura das suas barbatanas em comparação com o gênero Eleotris.

Leuciscus vem do grego leukos, que significa “branco”, “brilhante” ou “prateado”. Na Grécia Antiga, o termo era usado para descrever pequenos peixes de águas doces com escamas claras ou prateadas (como as carpas do género Leuciscus).

Status de Conservação (IUCN Red List): Dados insuficientes (2026)

Sinônimos: Asterropteryx modestus, Eleotris leuciscus


Descrição

Possui um corpo relativamente esguio, alongado e lateralmente comprimido. Apresenta tons que variam entre o dourado, o amarelado e reflexos prateados brilhantes ao longo das escamas (o que faz jus ao seu nome leuciscus).

Como é característico do género Hypseleotris, possui duas nadadeiras dorsais bem distintas.

  • Tamanho Adulto: 6 cm
  • Expectativa de Vida: 5 anos +

Distribuição e Habitat

Concentra-se na região do Indo-Pacífico Ocidental.

Países: Endêmico da Indonésia

Ambiente: Água doce, tolera condições de água salobra de baixa salinidade se for aclimatado de forma muito gradual (visto que, na natureza, os juvenis se desenvolvem próximo a estuários).

Habitat: preferencialmente rios de curso inferior, áreas de águas calmas ou lentas, e estuários salobras conectados à região tropical.

  • pH: 7.0 a 8.5
  • Dureza: 140 a 350 ppm
  • Temperatura: 24°C a 28°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 80 litros com comprimento mínimo de 80 cm e 40 cm de largura desejável.

Eles preferem de uma movimentação sutil na água que ajude a manter a oxigenação alta (idealmente acima de 4 mg/L), imitando o curso inferior de rios limpos. São nadadores rápidos e podem saltar para fora do aquário se forem assustados.

Use areia fina de rio (como areia de filtro de piscina ou de tons escuros). Evite cascalhos pontiagudos, pois eles gostam de nadar rente ao fundo. Troncos ramificados e pedras lisas como adorno servem para quebrar a linha de visão dos peixes e oferecem superfícies planas para uma eventual desova.

Crie áreas de vegetação densa nas laterais e no fundo. Use plantas robustas que toleram pH neutro/alcalino.

Comportamento e Compatibilidade: É um peixe gregário. Para se sentir seguro em ambiente de aquário, deve ser mantido em pequenos grupos. Embora seja pacífico com outras espécies, os machos costumam estabelecer pequenos territórios e podem exibir dominância entre si, especialmente na época de reprodução.

O ideal é manter um grupo de 6 a 8 indivíduos, mantendo a proporção de 1 macho para cada 2 ou 3 fêmeas. Isso dilui a agressividade do macho alfa e garante que as fêmeas não sejam excessivamente perseguidas.

  • Área de Natação: Fundo / Meio
  • Quantidade mínima: Sozinho ou Grupo
  • Nível de dificuldade: Médio

Alimentação

É um peixe onívoro não muito exigente. Na natureza, alimenta-se de micro crustáceos, larvas de insetos e algas. Em aquário aceitará alimentos vivos e secos.


Reprodução

Ovíparo. Desovam no substrato. O macho limpa minuciosamente uma superfície plana (como uma pedra ou folha) para a fêmea depositar os ovos adesivos.

Após a fertilização, o macho assume a responsabilidade exclusiva de guardar e ventilar os ovos com as nadadeiras até e eclosão.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 12 meses
  • Cuidado Parental: Ocorre

Dimorfismo Sexual: Machos e fêmeas são visualmente muito parecidos, apresentando uma coloração predominantemente parda, cinzenta ou semitransparente. Em época de reprodução os machos desenvolvem cores muito mais intensas e vibrantes, com tons que variam entre o dourado, bronze e avermelhado ao longo do corpo. As fêmeas permanecem com uma cor neutra e discreta (geralmente tons de marrom-claro ou prateado). Essa falta de cor serve como camuflagem para protegê-las contra predadores enquanto estão carregadas de ovos.

As fêmeas maduras ficam com a região abdominal visivelmente roliça, inflada e abaulada, devido ao desenvolvimento dos ovócitos (ovos). Já os machos mantêm uma silhueta mais esguia e reta na barriga, embora possam parecer ligeiramente maiores ou mais robustos no comprimento total do que as fêmeas da mesma idade.

Os machos costumam apresentar as nadadeiras dorsal e anal um ligeiramente mais longas e pontiagudas em comparação com as das fêmeas, que são mais curtas e arredondadas.


Referências

Kottelat, M., A.J. Whitten, S.N. Kartikasari and S. Wirjoatmodjo, 1993. Freshwater fishes of Western Indonesia and Sulawesi. Periplus Editions, Hong Kong.

Eschmeyer, W.N. (ed.), 1998. Catalog of fishes. Special Publication, California Academy of Sciences, San Francisco. 3 vol.

Larson, H. 2019. Hypseleotris cyprinoides. The IUCN Red List of Threatened Species 2019: e.T63355A138117006. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2019-2.RLTS.T63355A138117006.en. Accessed on 05 September 2026.

Publicado em Setembro/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site que acabou se tornando outro hobby: escrever sobre peixes ornamentais.

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