Peixe Paraíso Ocelado (Macropodus ocellatus) | Ficha técnica

Nome Científico: Macropodus ocellatus (Cantor, 1842)
Ordem: Anabantiformes — Família: Osphronemidae
Nome popular: Peixe Paraíso Ocelado — Inglês: Round tail paradisefish
Distribuição: Leste asiático
Etimologia: Macropodus; Derivado do grego makros (grande ou longo) + pous/podos (pé). Faz referência às nadadeiras pélvicas longas características dos peixes deste gênero.
Ocellatus: significa “com pequenos olhos” ou “que tem ocelos”. A palavra deriva de ocellus, em alusão manchas em formato de olho em seu corpo.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)
Sinônimos: Polyacanthus chinensis, Macropodus chinensis, Chaetodon chinensis, Polyacanthus opercularis, Polyacanthus paludosus
Descrição
Seu corpo é lateralmente comprimido e relativamente alto, com um perfil robusto típico dos peixes da família dos labirintídeos. Sua marca registrada é uma mancha escura arredondada no opérculo (a tampa das brânquias), que se assemelha a um olho (daí o nome ocellatus).
A cor base varia entre o acinzentado, marrom e tons de amarelo-acinzentado. Possui listras verticais claras ou esbranquiçadas na cabeça e ao longo das laterais.
Pode respirar oxigênio atmosférico através de seu órgão acessório conhecido como labirinto. Este órgão é formado por uma modificação no primeiro arco branquial, altamente vascularizado e ricamente irrigado por vasos sanguíneos, que faz com que o ar passe bem próximo da corrente sanguínea, proporcionando a troca de oxigênio com o sangue por meio de difusão.
A estrutura do órgão varia de complexidade entre as espécies, tendendo a ser mais desenvolvido em espécimes que habitam ambiente privado de oxigênio.
Apesar do status geral confortável, cientistas apontam declínio local de populações em certas regiões. As populações nativas vêm encolhendo ou desaparecendo por conta da urbanização rápida e da consolidação de áreas agrícolas, que destroem ou poluem pequenos corpos de água parada.
Fora de sua área nativa, como em certas regiões do Japão onde foi introduzido no início do século XX, ele se adaptou tão bem ao clima frio que é monitorado como uma espécie exótica introduzida.
- Tamanho Adulto: 9 cm
- Expectativa de Vida: 3 a 5 anos +
Distribuição e Habitat
A distribuição geográfica está concentrada no Leste da Ásia, estendendo-se por regiões que variam de climas subtropicais a temperados frios. Em sua área nativa é amplamente distribuído desde o sul da China, na bacia do rio Zhujiang (Rio das Pérolas), até o extremo nordeste, na bacia do rio Heilongjiang (Rio Amur). Ocorre fortemente também ao longo do rio Yangtze. Na península da Coreia é nativo tanto na Coreia do Norte quanto na Coreia do Sul, principalmente em planícies a oeste da península.
Introduzido no Japão em províncias como Niigata, Ibaraki, Nagano, Aichi e Okayama. Acredita-se que tenha sido importado de forma privada a partir de Seul por volta da década de 1910, escapando para a natureza anos mais tarde.
Há registros confirmados no lado russo da bacia do rio Amur, porém a comunidade científica considera que essas populações também derivam de introduções antrópicas (ações humanas).
O grande diferencial da distribuição frente a outros labirintídeos é a sua tolerância térmica. Por viver em latitudes elevadas (como no norte da China e Coreia), ele suporta invernos rigorosos onde os corpos d’água congelam. O peixe entra em um estado de semicongelamento/letargia sob as camadas de gelo e volta à atividade normal assim que a primavera chega.
Países: China, Coreia do Sul, Coreia do Norte. Japão e Rússia.
Ambiente: Água doce
Habitat: Prefere águas rasas, paradas ou de fluxo muito lento, tais como: Campos de arroz (riziculturas) e canais de irrigação agrícola, pântanos, brejos e lagoas de planície. Também é encontrado em riachos lentos com fundo lodoso e vegetação aquática densa.
- pH: 6.0 a 7.5
- Dureza: –
- Temperatura: 04°C a 28°C

Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 40 cm de largura desejável para um único exemplar. 100 litros ou mais se for manter um casal ou em aquário comunitário.
O aquário deve ser tampado. Sendo um peixe labirintídeo, ele salta com facilidade e precisa que o ar acima da água esteja na mesma temperatura da água para não adoecer o seu órgão respiratório.
Use plantas como Microsorum, Anubias e Vallisneria. Elas quebram a linha de visão do peixe, reduzindo o estresse e a agressividade. Espécies como Salvinia, Pistia ou Lentilha-d’água são fundamentais. Elas imitam o habitat natural e servem de ancoragem para o ninho de bolhas do macho.
Adicione troncos, pedras e folhas secas (como as de amendoeira) para criar refúgios e zonas de sombra.
Comportamento e Compatibilidade: Os machos são extremamente agressivos entre si. Eles disputam o território exibindo as nadadeiras abertas e, se nenhum recuar, partem para brigas violentas. Podem brigar até a morte.
Evite peixes lentos ou com caudas longas: Não misture com Guppys ou Kinguios, pois o peixe-paraíso irá morder as nadadeiras deles. Os companheiros recomendados são peixes rápidos de cardume que nadam no meio ou fundo do aquário, como Barbos, Rásboras grandes, Coridoras, Cascudinhos e Cobrinhas kuhli.
- Área de Natação: Superfície
- Quantidade mínima: Sozinho
- Nível de dificuldade: Fácil
Alimentação
É um peixe essencialmente onívoro com forte inclinação carnívora, atuando como um predador oportunista na natureza. Em cativeiro, ele aceita alimentos secos e vivos com facilidade.
Reprodução
Ovíparo. O macho escolhe um local calmo sob uma folha ou planta flutuante e começa a soltar bolhas de ar revestidas de muco, formando um ninho compacto. O macho exibe suas nadadeiras e emite estalos sonoros intensos para atrair a fêmea até o ninho.
Abaixo do ninho, o macho envolve o corpo da fêmea em um “abraço nupcial”, virando-a de cabeça para baixo para espremer e fertilizar os ovos. Os ovos afundam ou flutuam devagar. O macho (e às vezes a fêmea) recolhe cada ovo com a boca e os cospe cuidadosamente dentro do ninho de bolhas. O processo se repete várias vezes.
O macho se torna altamente agressivo para proteger o ninho e pode machucá-la. Ele cuida sozinho do ninho, recolocando as bolhas e os ovos que caem. Os ovos eclodem em cerca de 24 a 36 horas.
Os alevinos começam a nadar livremente geralmente após 3 a 4 dias quando cessará o cuidado paternal.
- Maturidade Sexual: Próximo de 4 a 6 meses
- Cuidado Parental: Ocorre parcialmente
Dimorfismo Sexual: Os machos são consideravelmente maiores que as fêmeas, e possuem as nadadeiras dorsal, anal e caudal muito mais longas, que terminam em filamentos finos e pontiagudos, além de mais coloridos. Nas fêmeas, as nadadeiras são visivelmente mais curtas e arredondadas, além de cores mais discretas.
Referências
Freyhof, J. and F. Herder, 2002. Review of the paradise fishes of the genus Macropodus in Vietnam, with description of two species from Vietnam and southern China (Perciformes: Osphronemidae). Ichthyol. Explor. Freshwat.
Müller, J.: et al., 2022. Air breathing among fishes: an updated and annotated checklist. To be published. Currently, data entered from a draft, with original source references.
Masuda, H., K. Amaoka, C. Araga, T. Uyeno and T. Yoshino, 1984. The fishes of the Japanese Archipelago. Vol. 1. Tokai University Press, Tokyo, Japan.
Tang, J.F., S.W. Ye, J.S. Liu, T.L. Zhang, F.Y. Zhu, Z.Q. Guo and Z.J. Li, 2013. Composition and length-weight relationships of fish species in Lake Erhai, southwestern China. J. Appl. Ichthyol.
Papke, H.-J., 1990. Zur Synonymie von Macropodus chinensis (Bloch, 1790) und M. opercularis (Linne, 1758) und zur Rehabilitation von M. ocellatus Cantor, 1842 (Pisces, Belontiidae). Mitt. Zool. Mus. Berlin
Publicado em Agosto/2026