Peixe Paraíso Preto (Macropodus spechti) | Ficha técnica

Espécime macho adulto cortejando em aquário — Foto de Dana ©

Nome Científico: Macropodus spechti (Schreitmüller, 1936)

Ordem: Anabantiformes — Família: Osphronemidae

Nome popular: Peixe Paraíso Preto — Inglês: Black paradise fish

Distribuição: Sudeste asiático

Etimologia: Macropodus; Derivado do grego makros (grande ou longo) + pous/podos (pé). Faz referência às nadadeiras pélvicas longas características dos peixes deste gênero.

Spechti, nomeado em homenagem a P. Specht, um aquarista alemão que morava na cidade portuária francesa de Le Havre. Ele recebeu os primeiros holotipos e doou espécimes para os pesquisadores e para o Museu Britânico de História Natural.

Status de Conservação (IUCN Red List): Dados insuficientes (2026)

Sinônimos: Macropodus concolor, Macropodus opercularis spechti


Descrição

O peixe paraíso negro possui corpo ligeiramente comprimido lateralmente e alongado, típico dos peixes da família Osphronemidae. A coloração de seu corpo possui tons cinza-escuro, marrom-oliva ou marrom-avermelhado que escurecem intensamente (quase pretos) quando o peixe está sob estresse, dominância ou em período de reprodução.

Ao contrário do peixe-paraíso comum, o spechti não possui listras verticais escuras evidentes (ou apresenta de 4 a 12 barras muito pálidas e quase imperceptíveis). Não possui a mancha escura na região opercular (brânquias) que é marcante em outras espécies do gênero.

Pode respirar oxigênio atmosférico através de seu órgão acessório conhecido como labirinto. Este órgão é formado por uma modificação no primeiro arco branquial, altamente vascularizado e ricamente irrigado por vasos sanguíneos, que faz com que o ar passe bem próximo da corrente sanguínea, proporcionando a troca de oxigênio com o sangue por meio de difusão.

A estrutura do órgão varia de complexidade entre as espécies, tendendo a ser mais desenvolvido em espécimes que habitam ambiente privado de oxigênio.

Os peixes do gênero Macropodus são frequentemente chamados de “Bettas chineses”. Na Ásia, eles são usados em competições de briga semelhantes às dos peixes Betta devido ao seu temperamento altamente territorial.

Criadores desenvolveram linhagens selecionadas a partir dele, como as variantes híbridas ornamentais conhecidas como “Royal Blue” e “Blue Tiger”, que exibem tons azuis metalizados intensos.

  • Tamanho Adulto: 6 cm
  • Expectativa de Vida: 3 a 5 anos

Distribuição e Habitat

Espécie endêmica do Vietnã, ocorrendo predominantemente na região central do país. Suas populações selvagens estão concentradas na bacia do Rio Thu Bon (província de Quảng Nam) e na bacia do Rio Perfume (Hương River, na província de Thừa Thiên-Huế).

Países: Endêmico do Vietnã

Ambiente: Água doce

Habitat: Encontrado em todos os tipos de habitats de riachos de montanha e ao longo de diversas margens estruturadas ou remansos de grandes rios, bem como em pequenos riachos e canais de irrigação em terras agrícola.

  • pH: 6.5 a 7.5
  • Dureza: –
  • Temperatura: 18°C a 30°C
Espécime macho adulto em aquário — Foto de Blair Chen (CCBY-NC-SA)

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 40 cm de largura desejável para um único exemplar. 100 litros ou mais se for manter um casal ou em aquário comunitário.

O aquário deve ser tampado. Sendo um peixe labirintídeo, ele salta com facilidade e precisa que o ar acima da água esteja na mesma temperatura da água para não adoecer o seu órgão respiratório.

Use plantas como Microsorum, Anubias e Vallisneria. Elas quebram a linha de visão do peixe, reduzindo o estresse e a agressividade. Espécies como Salvinia, Pistia ou Lentilha-d’água são fundamentais. Elas imitam o habitat natural e servem de ancoragem para o ninho de bolhas do macho.

Adicione troncos, pedras e folhas secas (como as de amendoeira) para criar refúgios e zonas de sombra.

Comportamento e Compatibilidade: Os machos são extremamente agressivos entre si. Eles disputam o território exibindo as nadadeiras abertas e, se nenhum recuar, partem para brigas violentas. Podem brigar até a morte.

Evite peixes lentos ou com caudas longas: Não misture com Guppys ou Kinguios, pois o peixe-paraíso irá morder as nadadeiras deles. Os companheiros recomendados são peixes rápidos de cardume que nadam no meio ou fundo do aquário, como Barbos, Rásboras grandes, Coridoras, Cascudinhos e Cobrinhas kuhli.

  • Área de Natação: Superfície
  • Quantidade mínima: Sozinho
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

É um peixe essencialmente onívoro com forte inclinação carnívora, atuando como um predador oportunista na natureza. Em cativeiro, ele aceita alimentos secos e vivos com facilidade.


Reprodução

Ovíparo. O macho escolhe um local calmo sob uma folha ou planta flutuante e começa a soltar bolhas de ar revestidas de muco, formando um ninho compacto. O macho exibe suas nadadeiras e emite estalos sonoros intensos para atrair a fêmea até o ninho.

Abaixo do ninho, o macho envolve o corpo da fêmea em um “abraço nupcial”, virando-a de cabeça para baixo para espremer e fertilizar os ovos. Os ovos afundam ou flutuam devagar. O macho (e às vezes a fêmea) recolhe cada ovo com a boca e os cospe cuidadosamente dentro do ninho de bolhas. O processo se repete várias vezes.

O macho se torna altamente agressivo para proteger o ninho e pode machucá-la. Ele cuida sozinho do ninho, recolocando as bolhas e os ovos que caem. Os ovos eclodem em cerca de 24 a 36 horas.

Os alevinos começam a nadar livremente geralmente após 3 a 4 dias quando cessará o cuidado paternal.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 4 a 6 meses
  • Cuidado Parental: Ocorre parcialmente

Dimorfismo Sexual: Os machos são consideravelmente maiores que as fêmeas, e possui as nadadeiras dorsal, anal e caudal muito mais longas, que terminam em filamentos finos e pontiagudos. Nas fêmeas, as nadadeiras são visivelmente mais curtas e arredondadas.

Os machos exibem cores muito mais escuras, intensas e brilhantes (tons de preto, marrom-fumo e reflexos azulados). As fêmeas têm uma coloração mais pálida, acinzentada e opaca.


Referências

Freyhof, J. and F. Herder, 2002. Review of the paradise fishes of the genus Macropodus in Vietnam, with description of two species from Vietnam and southern China (Perciformes: Osphronemidae). Ichthyol. Explor. Freshwat.

Müller, J.: et al., 2022. Air breathing among fishes: an updated and annotated checklist. To be published. Currently, data entered from a draft, with original source references.

Beolens, B., M. Grayson and M. Watkins, 2023. Eponym dictionary of Fishes. Dunbeath, Caithness (Scotland, UK): Whittles Publishing Limited

Publicado em Agosto/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site que acabou se tornando outro hobby: escrever sobre peixes ornamentais.

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