Blênio de Água Doce (Meiacanthus anema) – Ficha técnica

Nome Científico: Meiacanthus anema (Bleeker, 1852)
Ordem: Blenniiformes — Família: Blenniidae
Nome popular: Freshwater fangblenny, Threadless blenny
Distribuição: Ásia e Oceania
Etimologia: Meiacanthus vem do grego meion (menor ou diminuir) e akantha (espinho ou espinha), uma referência ao menor tamanho dos espinhos da nadadeira dorsal em comparação a outros gêneros de peixes relacionados.
Anema deriva do grego an (sem) e nema (fio ou filamento), uma referência à ausência de filamentos na nadadeira caudal, o que difere de espécies próximas.
Status de Conservação (IUCN Red List): Dados insuficientes (2026)
Descrição
O Blênio de água doce possui grandes caninos na mandíbula inferior associados a glândulas produtoras de toxina. Ao ser engolido por um predador, ele morde a garganta do agressor, liberando a toxina e forçando-o a cuspi-lo imediatamente.
Apesar de produzir uma toxina, a mordida em humanos é extremamente rara e a peçonha é leve (similar à picada de uma abelha), não representando perigo mortal.
- Tamanho Adulto: 7,2 cm
- Expectativa de Vida: desconhecido
Distribuição e Habitat
Distribuído amplamente na região Indo Pacífico.
Países: Indonésia, Filipinas, Nova Guiné, Ilhas Salomão e Novas Hébridas, Vanuatu. Relatado da Nova Caledônia
Habitat: Os adultos ocorrem em estuários e habitats de água doce, frequentemente onde os manguezais são abundantes. Larvas e Juvenis em áreas costeiras rasas.
- pH: 7,5 a 8,2
- Dureza: 5 a 12 dH
- Temperatura: 24°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 150 litros com comprimento mínimo de 100 cm e 40 cm de largura desejável.
Requer preferencialmente aquário com muitas rochas vivas para simular o ambiente natural de esconderijos. Tampe bem o aquário, é um ótimo saltador.
Bastante tolerante à variação física da água podendo viver em salinidade 1.000 a 1.020.
Comportamento e Compatibilidade: Geralmente pacífico com outros peixes, mas pode ser territorialista com indivíduos da mesma espécie.
- Área de Natação: Fundo
- Quantidade mínima: Casal ou Grupo
- Nível de dificuldade: Médio
Alimentação
Onívoro. Se alimenta naturalmente de invertebrados e plâncton. Espécimes criados em cativeiro aceitam rações e alimentos congelados para carnívoros com facilidade.
Reprodução
Ovíparo. Durante o período reprodutivo, os machos tornam-se extremamente intolerantes com outros concorrentes. Eles defendem agressivamente a sua área e mudam ligeiramente de cor, exibindo uma tonalidade mais escura para atrair as fêmeas e afastar rivais.
O macho escolhe uma cavidade protegida (como buracos em rochas, troncos ou conchas vazias de bivalves) onde a fêmea deposita os ovos (geralmente pequenos, com cerca de 1 mm) individualmente no teto ou nas paredes internas do ninho escolhido.
Os ovos são demersais e contam com uma estrutura filamentosa adesiva na base, funcionando como uma espécie de “ventosa” que os mantém firmemente grudados.
Assim que os ovos são fertilizados, o macho assume total responsabilidade pelo ninho. Ele guarda os ovos continuamente, oxigenando-os com as nadadeiras até o momento da eclosão. Ovos eclodem de sete a oito dias.
- Maturidade Sexual: Próximo de 6 a 8 meses
- Cuidado Parental: Ocorre
Dimorfismo Sexual: fêmeas adultas possuem a região abdominal visivelmente mais roliça, enquanto os machos mantêm um perfil corporal mais esguio e aerodinâmico. Os machos adultos tendem a ser ligeiramente maiores e mais compridos do que as fêmeas da mesma idade.
Em machos dominantes, as pontas externas da nadadeira caudal (os raios superiores e inferiores) podem se desenvolver de forma levemente mais alongada ou filamentosa se comparadas às das fêmeas e machos submissos.
Referências
- Allen, G.R., 1991. Field guide to the freshwater fishes of New Guinea. Publication, no. 9. 268 p. Christensen Research Institute, Madang, Papua New Guinea.
- Breder, C.M. and D.E. Rosen, 1966. Modes of reproduction in fishes. T.F.H. Publications, Neptune City, New Jersey.
- Smith, W.L. and W.C. Wheeler, 2006. Venom evolution widespread in fishes: a phylogenetic rode map for the bioprospecting of piscine venoms. J. Hered.
- Watson, W., 2009. Larval development in blennies. pp. 309-350. In Patzner, R.A., E.J. Gonçalves, P.A. Hastings and B.G. Kapoor (eds.) The biology of blennies. Science Publishers, Enfield, NH, USA.
- Donaldson, T.J. and R.F. Myers, 2002. Insular freshwater fish faunas of Micronesia: patterns of species richness and similarity. Environ. Biol. Fishes
Publicado em Maio/2026