Dianema, Flagtail catfish (Dianema urostriatum) | Ficha técnica

Espécime adulto em aquário — Foto de Nuno Veríssimo (CCBY-NC-SA)

Nome Científico: Dianema urostriatum (Miranda Ribeiro, 1912)

Ordem: Siluriformes — Família: Callichthyidae

Nome popular: Dianema, Rondon — Inglês: Flagtail catfish

Distribuição: América do Sul, Bacia do Rio Amazonas

Etimologia: Dianema vem do grego di (que significa “dois”) e nema (que significa “filamento”). É uma referência aos dois longos barbilhões que o peixe possui perto da boca.

Urostriatum do grego oura (que significa “cauda”) e do latim striatus (que significa “listrado”). Refere-se diretamente ao padrão de listras pretas e brancas presentes na nadadeira caudal do animal.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)

Sinônimos: Decapogon urostriatum


Descrição

O peixe Dianema possui corpo alongado e cilíndrico, diferindo do formato das corydoras comuns. Ele não possui escamas, mas sim duas fileiras de placas ósseas laterais que protegem o corpo como uma armadura.

Sua boca é voltada para baixo (posição inferior), ideal para se alimentar no fundo. Possui dois pares de barbilhões longos e bem visíveis que funcionam como órgãos sensoriais táteis para localizar comida na fresta das rochas ou na areia.

O dorso e as laterais apresentam uma coloração que varia do bronze claro ao marrom-esverdeado ou acinzentado, salpicada por pequenas manchas escuras quase imperceptíveis. A região do ventre é consideravelmente é mais esbranquiçada.

A característica física mais marcante da espécie é sua cauda apresentando um padrão bem definido de listras horizontais pretas e brancas alternadas (geralmente de 3 a 5 listras escuras), o que rendeu ao peixe o nome popular em inglês de flagtail (cauda de bandeira). As nadadeiras peitorais e dorsais possuem raios rígidos e pontiagudos (espinhos) que servem como mecanismo de defesa contra predadores.

Ao contrário de outros peixes de fundo que passam o tempo todo estáticos, esta espécie é bem ativo e frequentemente nada a meia-água em pequenos grupos (cardumes).

Assim como outros da mesma família, possui a capacidade de engolir ar atmosférico na superfície da água, utilizando o intestino modificado para absorver oxigênio.

  • Tamanho Adulto: 8.4 cm
  • Expectativa de Vida: 5 a 8 anos
Foto de domínio público

Distribuição e Habitat

Distribuído de forma ampla por toda a bacia do Rio Amazonas.

Países: Endêmico do Brasil

Habitat: Ocorre em igarapés, riachos de movimentação lenta, lagos de várzea e áreas florestais inundadas. Vive associado ao fundo desses ecossistemas, que costumam ser ricos em vegetação marginal, troncos caídos, raízes e uma grossa camada de folhas em decomposição (serapilheira), onde encontra abrigo e alimento.

  • pH: 6 a 8
  • Dureza: 5 a 19
  • Temperatura: 24°C a 28°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 100 litros com comprimento mínimo de 80 cm e 30 cm de largura desejável.

Substrato preferencialmente macio e fino, cascalhos grossos ou pontiagudos cortam os barbilhões do peixe, gerando infecções bacterianas fatais.

A decoração poderá consistir em muitos troncos, raízes e folhas secas (como as de amendoeira) para criar esconderijos. Plantas altas e flutuantes ajudam a diminuir a intensidade da luz, deixando o peixe menos tímido.

Comportamento e Compatibilidade: São extremamente pacíficos e ideal para aquário comunitário. Combinam perfeitamente com Tetras, Discos, Bandeiras, Apistogramas e outros peixes de fundo calmos (como Coridoras e Cascudos de porte pequeno). Evite peixes agressivos ou excessivamente grandes.

Mantenha no mínimo 4 a 6 indivíduos para que demonstre seu comportamento natural.

  • Área de Natação: Fundo / Meio
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

Onívoro com preferência carnívora. Eles buscam o alimento no fundo, mas também sobem até a meia-água para comer. Em cativeiro comem rações de fundo (bottom fish) de alta qualidade em pastilhas ou rações em grânulos.

Foto cedida por Aqua Import em https://www.aqua-imports.com/

Reprodução

Ovíparo. O macho constrói um ninho feito de bolhas de ar e muco logo abaixo da superfície da água. Na natureza, ele ancora esse ninho sob folhas flutuantes. No aquário, pode-se usar uma planta flutuante larga ou um pedaço de isopor.

O casal se posiciona de cabeça para baixo sob o ninho para realizar a fertilização. Os ovos são depositados diretamente no ninho de bolhas. O macho assume a guarda do ninho e protege os ovos contra invasores até que eclodam.

Os ovos eclodem em aproximadamente 24 a 48 horas, dependendo da temperatura e após os alevinos consumirem o saco vitelino nadam livremente em cerca de 3 dias.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 12 meses
  • Cuidado Parental: Ocorre

Dimorfismo Sexual: Machos apresentam os primeiros raios das nadadeiras peitorais ligeiramente mais grossos e rígidos, enquanto as fêmeas quando maduras, possuem o corpo visivelmente mais roliço, largo e volumoso na região ventral devido ao desenvolvimento dos ovos.


Referências

  • Reis, R.E., 2003. Callichthyidae (Armored catfishes). p. 291-309. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
  • Müller, J.: et al., 2022. Air breathing among fishes: an updated and annotated checklist. To be published. Currently, data entered from a draft, with original source references.
  • Schliewen, U.K., 1992. Aquarium fish. Barron’s Education Series, Incorporated.

Publicado em Junho/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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