Snakehead gudgeon (Giuris margaritaceus) | Ficha técnica

Espécime adulto em aquário. Foto de Jiří Bukovský (c)

Nome CientíficoGiuris margaritaceus (Valenciennes, 1837)

Ordem: Gobiiformes — Família: Eleotridae

Nome popular: Snakehead gudgeon, Aporos sleeper

Distribuição: África até a Oceania

Etimologia: A origem do gênero é incerto, frequentemente está associado à nomenclatura taxonômica antiga criada para descrever pequenos peixes do tipo gobioide (goby). O termo é uma latinização de “ghiyuri“, que é um dos nomes vulgares dados pelos povos locais no sudeste asiático e Índia a peixes similares aos góbios (como o Glossogobius giuris).

Margaritaceus: Esta palavra vem do latim margarita (“pérola”) e do sufixo –aceus (“semelhante a” ou “feito de”). Significa, portanto, “semelhante a uma pérola” ou “perolado”, referindo-se à coloração ou manchas brilhantes no corpo do peixe.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)


Descrição

Possui um corpo alongado, cilíndrico e robusto, com a cabeça achatada na parte superior. Sua coloração é geralmente marrom-esverdeada com 8 a 10 barras escuras nas laterais e uma grande mancha preta na base das nadadeiras peitorais.

Demersal e anfídromo, ocorre em todo tipo de ambiente (marinho, água doce e salobra) em profundidade de até cinco metros.

Em locais como o Lago Lanao, nas Filipinas, a introdução acidental desta espécie causou sérios danos ambientais, sendo associada à extinção de 17 espécies endêmicas de ciprinídeos devido à sua forte predação.

  • Tamanho Adulto: 29 cm
  • Expectativa de Vida: Desconhecido

Distribuição e Habitat

Da África à Oceania, de Madagascar à Nova Guiné, Austrália e demais ilhas da Melanésia.

Países: No continente africano em Comores, Madagascar e Ilhas Andaman. Continente asiático na Índia, Indonésia, Filipinas, Taiwan/Taipei, Tailândia e Timor-Leste. No Oceania pode ser encontrado na Austrália, Fiji, Marshall,  Micronésia, Nova Caledônia, Palau, Papua Nova Guiné e Vanuatu.

Habitat: Habita rios, pântanos, riachos costeiros e planícies de inundação, preferindo fundos de lama e áreas com vegetação aquática densa ou margens erodidas. Embora os adultos vivam em água doce, suas larvas passam por um estágio pelágico em ambiente marinho.

  • pH: 7 a 8
  • Dureza: –
  • Temperatura: 20°C a 30°C
Espécime adulto com 17 cm em seu ambiente natural em Adang Island na Tailândia. Foto de Nonn Panitvong (CCBY-NC)

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 200 litros com comprimento mínimo de 100 cm e 40 cm de largura desejável.

Areia ou cascalho fino e escuro ajuda o peixe a se sentir seguro e realça suas cores. Use muitas plantas robustas, troncos e pedras para criar esconderijos. Ele gosta de ficar entocado aguardando suas presas.

É um excelente saltador! Certifique-se de que o aquário tenha uma tampa bem vedada.

Comportamento e Compatibilidade: É territorial com outros da mesma espécie e predador de peixes menores. Deve ser mantido com ciclídeos ou peixes de tamanho similar ou maior.

  • Área de Natação: Fundo
  • Quantidade mínima: Sozinho
  • Nível de dificuldade: Médio

Alimentação

Onívoro. Se alimenta naturalmente de insetos e ninfas aquáticas, mas também consomem, em menor quantidade, pequenos peixes, algas, plantas aquáticas e pequenos crustáceos. O estágio larval pelágico é encontrado em água marinha, mas os adultos são sempre encontrados em água doce.


Reprodução

Ovíparo. Desova ocorre em água doce. São desovadores bentônicos; a fêmea deposita ovos adesivos em superfícies como pedras, troncos ou vegetação. Uma única fêmea pode produzir uma grande quantidade de ovos, variando de 30.000 a mais de 90.000, dependendo do seu tamanho e localização geográfica.

Logo após a eclosão, as larvas são levadas pela correnteza dos rios até o estuário e o oceano.

Fase Pelágica: Elas passam por um estágio larval marinho (pelágico), onde se alimentam de plâncton e se desenvolvem em um ambiente com salinidade específica. Após o desenvolvimento no mar, os juvenis retornam aos rios de água doce para crescer e atingir a maturidade sexual.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 11cm
  • Cuidado Parental: Ocorre

Dimorfismo Sexual: Machos são mais coloridos exibindo padrões de tons avermelhados, azulados ou esverdeados, especialmente na linha média e nas bochechas, onde possuem listras vermelho-escuras. As fêmeas tendem a ser mais escuras (cinza a marrom) com manchas amareladas, apresentando um padrão de cores menos vibrante.

Machos tendem a ter cabeças mais longas e nadadeiras maiores (dorsal, peitoral, pélvica e anal) em comparação com as fêmeas, além das papilas urogenitais cônicas e pontiagudas, enquanto as fêmeas têm papilas mais arredondadas e bulbosas.

Espécime adulto em seu ambiente natural. Foto de Aaron Bean (CCBY-NC)

Referências

  • Allen, G.R., S.H. Midgley and M. Allen, 2002. Field guide to the freshwater fishes of Australia. Western Australian Museum, Perth, Western Australia.
  • Hoese, D.F., 2006. Eleotridae. Gudgeons, sleepers. p. 1596-1611. In O.L. Beasley and A. Wells (eds.). Zoological Catalogue of Australia. Volume 35 Part 3(3). ABRS & CSIRO Publishing, Australia.
  • Coates, D., 1992. Biology of Oxyeleotris heterodon and its major prey, Ophieleotris aporos, two floodplain sleepers (Pisces: Eleotrididae) of the Sepik River fishery, northern Papua New Guinea. Environ. Biol. Fishes
  • McDowall, R.M., 1997. The evolution of diadromy in fishes (revisited) and its place in phylogenetic analysis. Rev. Fish Biol. Fish.

Publicado em Junho/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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