Peixe Rei (Odontesthes incisa) | Ficha técnica

Foto de Gonzalo Bravo (CCBY-NC)

Nome Científico: Odontesthes incisa (Jenyns, 1841)

Ordem: Atheriniformes — Família: Atherinopsidae

Nome popular: Peixe Rei, Cornalito — Inglês: Silverside

Distribuição: Atlântico Sudoeste

Etimologia: Odontesthes, do grego odous (que significa dente) + esthes (que significa vestimenta, traje). Faz alusão à presença de dentes no maxilar ou na estrutura bucal desses peixes.

Incisa do latim incisus, que significa cortada, incisiva ou com incisões. O termo é frequentemente utilizado na taxonomia para destacar uma característica morfológica específica, como a forma das escamas ou a separação entre as nadadeiras dorsais.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco Preocupante (2026)

Sinônimos: Menidia uruguayensis, Atherina incisa


Descrição

O Peixe Rei possui corpo alongado e escamas crenadas (com margens serrilhadas) distribuídas por todo o corpo. Uma de suas principais características taxonômicas é a presença de dentes caninos em toda a extensão do osso dentário.

É uma espécie estritamente gregária. Eles dependem do cardume para proteção e orientação, em movimento, o cardume funciona como um “único organismo”, realizando curvas abruptas e sincronizadas. Se mantido sozinho ou em grupos pequenos, o peixe entra em estresse severo, para de comer e definha rapidamente.

Habitam a coluna d’água superior e média, nadando perpetuamente. Eles não possuem o comportamento de “repousar” no fundo ou se esconder em rochas/tocas. Possuem um reflexo de fuga extremamente rápido e assustadiço. Qualquer sombra, vibração ou movimento brusco faz o cardume disparar em alta velocidade.

São peixes totalmente pacíficos entre si e com outras espécies. Não estabelecem hierarquia de dominância, territórios ou áreas de nidificação (ninhos). Devido à sua natureza indefesa e formato hidrodinâmico, são alvos fáceis para qualquer predador de médio/grande porte.

  • Tamanho Adulto: 10 cm
  • Expectativa de Vida: 3 a 4 anos
Foto CC0 – Domínio publico

Distribuição e Habitat

Possui distribuição restrita ao sudoeste do Oceano Atlântico, na América do Sul. A espécie ocorre em áreas marinhas costeiras, estuários e lagunas do sul.

Países: Argentina, Brasil e Uruguai. No Brasil ocorre no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Habitat: Como um peixe costeiro e estuarino, está naturalmente adaptado para lidar com as flutuações de pH e salinidade típicas desses ambientes.

  • pH: 7.5 a 8.5
  • Dureza: Muito Alta
  • Temperatura: 08°C a 18°C

Criação em Aquário

A criação do peixe-rei em aquário doméstico é extremamente difícil e incomum, sendo uma espécie restrita quase que exclusivamente a aquários públicos ou tanques de pesquisa científica.

Comportamento e Compatibilidade: –

  • Área de Natação: Meio
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Difícil

Alimentação

Carnívoro oportunista. Os indivíduos jovens possuem rastros branquiais longos e finos adaptados para a filtração. Alimentam-se massivamente de microcrustáceos planctônicos, principalmente copépodes (como os Calanoida), larvas de decápodes (megalopas) e ovos de outros peixes.

A medida que crescem, a boca torna-se mais protrátil e a dieta expande-se para presas maiores. Consomem anfípodes, pequenos camarões, poliquetas e larvas ou juvenis de peixes (como pequenas sardinhas e manjubas).

Devido ao estômago pouco definido e intestino curto (típico de filtradores e zooplanctófagos), eles digerem a comida rapidamente, tendo que se alimentar com maior frequência.

Foto de Hugo Hulsberg (CC0 – Domínio Publico)

Reprodução

Ovíparo. Os peixes só entram em maturação gonadal ativa quando a temperatura da água do mar cai e se mantém abaixo dos 20 °C.

A reprodução do peixe-rei ocorre de forma totalmente integrada à dinâmica das correntes marinhas e temperaturas frias do Atlântico Sul. Foca na dispersão através da coluna d’água.

Machos e fêmeas liberam simultaneamente seus gametas (óvulos e espermatozoides) diretamente na água do mar aberto. A fertilização acontece de forma puramente ambiental, sem nenhum contato físico.

Diferente dos peixes-rei de água doce que fixam seus ovos filamentados em plantas aquáticas, as espécies do gênero estritamente marinhas produzem ovos pelágicos. Eles possuem pequenas gotas de óleo internas que os mantêm flutuando à deriva nas correntes da superfície oceânica.

As fêmeas liberam seus óvulos em múltiplos lotes ao longo da mesma temporada (geralmente divididos em três momentos diferentes). Isso aumenta as chances de sobrevivência das larvas frente a predadores ou mudanças súbitas nas correntes marinhas.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 6 a 8 cm (8 a 12 meses)
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: : Assim como ocorre com outras espécies do gênero, os machos tendem a amadurecer com um tamanho ligeiramente menor do que as fêmeas.


Referências

  • Dyer, B.S., 1998. Phylogenetic systematics and historical biogeography of the neotropical silverside family Atherinopsidae (Teleostei: Atheriniformes). p. 519-536. In L.R. Malabarba, R.E. Reis, R.P. Vari, Z.M.S. Lucena and C.A.S. Lucena (eds.) Phylogeny and classification of neotropical fishes. Porto Alegre: EDIPUCRS.
  • Cervigón, F. and W. Fischer, 1979. INFOPESCA. Catálogo de especies marinas de interes economico actual o potencial para América Latina. Parte 1. Atlántico centro y suroccidental. FAO/UNDP, SIC/79/1. 372 p. FAO, Rome.
  • Figueiredo, J.L. and N.A. Menezes, 1978. Manual de peixes marinhos do sudeste do Brasil. II. Teleostei (1). Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo. Brasil.
  • Menni, R.C., R.A. Ringuelet and R.H. Aramburu, 1984. Peces marinos de la Argentina y Uruguay. Editorial Hemisferio Sur S.A. Buenos, Aires, Argentina.
  • Biologia reprodutiva do Peixe Rei (Odontesthes argentinenses), da região marinha costeira e região estuarina da Lagoa dos Patos – Alex Moresco (Universidade Federal de Rio Grande)
  • Sistemática do gênero Odontesthes Evermann & Kendall, 1906 – Juliana Mariani Wingert

Publicado em Junho/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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