Bagre Folha (Tetranematichthys wallacei) | Ficha técnica

Nome Científico: Tetranematichthys wallacei (Vari & Ferraris, 2006)
Ordem: Siluriformes — Família: Auchenipteridae
Nome popular: Bagre Galho, Bagre Folha — Inglês: Wallace’s root dolphin catfish
Distribuição: América do Sul, bacia Amazônica
Etimologia: Tetranematichthys, vem da junção de três palavras gregas, Tetra (τετρα): significa “quatro” + Nema (νῆμα): significa “filamento” ou “fio” + Ichthys (ἰχθύς): significa “peixe”. Em tradução livre, significa “peixe com quatro filamentos”. Uma referência aos seus quatro barbilhões (dois maxilares e dois mandibulares).
Wallacei, epônimo em homenagem a Alfred Russel Wallace (1823–1913). Wallace foi um renomado naturalista, geógrafo e biólogo britânico. Ele co-descobriu a teoria da evolução de forma independente, contemporâneo a Charles Darwin.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)
Sinônimos: Tetranematichthys quadrifilis
Descrição
O Bagre folha possui este nome devido ao seu incrível comportamento de camuflagem. Durante o dia, ele permanece imóvel no fundo do rio, muitas vezes deitado de lado entre folhas secas e galhos para se parecer com uma folha morta. Sua anatomia reflete perfeitamente a sua estratégia de camuflagem mimética para evitar predadores e também para caçar potenciais presas.
Seu corpo apresenta uma coloração padrão marrom-escura ou acinzentada, coberta por manchas pretas irregulares espalhadas pela pele. A região do ventre também é escura. Essa paleta de cores imita perfeitamente a matéria orgânica em decomposição no fundo dos rios.
Possui cabeça incomumente plana, larga e rígida, o que lhe rende o nome em inglês de shoehead (cabeça de sapato). Visto de perfil, a curva que vai do focinho até a nadadeira dorsal lembra a silhueta de um golfinho. Suas laterais são comprimidas, assemelhando-se ao formato de uma folha.
A abertura bucal é ampla e terminal, adaptada para engolir presas inteiras de uma só vez. Barbilhões localizados na parte inferior da boca, eles possuem projeções em formato de pequenos dedos (estruturas digitiformes) em suas extremidades. Cientistas acreditam que essas estruturas funcionam como uma “isca” para atrair pequenos peixes e insetos.
Uma curiosidade é a transformação dos machos na época reprodutiva. A nadadeira dorsal cresce de tamanho, tornando-se rígida e cheia de espinhos serrilhados. Ela serve para segurar a fêmea durante o acasalamento. Passado o período de reprodução, a nadadeira dorsal do macho regride e volta ao tamanho normal.
Assim como outros membros de sua subfamília, ele não possui escamas (peixe de couro).
- Tamanho Adulto: 20,6 cm
- Expectativa de Vida: 10 anos +

Distribuição e Habitat
América do Sul: Rio Tocantins, diversas localidades na bacia Amazônica e as porções sul e sudoeste da bacia do Rio Orinoco.
Localidade tipo, Foz do Igarapé do Ibará, São Pedro, alto Rio Negro, Amazonas.
Países: Brasil, Colômbia, Peru e Venezuela. No Brasil ocorre nos estados do Amazonas e Roraima.
Habitat: Margens dos rios onde há um grande acúmulo de matéria orgânica no fundo. Ele passa o dia camuflado sob camadas de folhas em decomposição, galhos e troncos caídos, preferindo igapós (florestas inundadas), igarapés sombreados, baías calmas e praias marginais com refluxo suave de água.
- pH: 5 a 7
- Dureza: 1 a 5
- Temperatura: 23°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 200 litros com comprimento mínimo de 100 cm e 40 cm de largura desejável.
Substrato de areia fina e macia. Grânulos grossos ou cascalho cortante podem ferir o ventre e os barbilhões do peixe.
Essencial incluir muitos troncos, raízes e pedras lisas formando fendas. Ele precisa se sentir seguro e escondido durante o dia. Adicionar folhas de amendoeira, carvalho ou goiabeira tratadas no fundo do aquário ajuda a simular seu ambiente natural.
Iluminação fraca ou difusa. Use plantas flutuantes (como Salvinia ou Pistia) para bloquear a luz direta.
Como qualquer peixe de couro é intolerante a presença de Verde de Malaquita, Formaldeído, Sulfato de Cobre e Cloreto de Sódio.
Comportamento e Compatibilidade: É um peixe pacífico mas comerá qualquer peixe menor que couber em sua boca. Companheiros ideais são peixes pacíficos que habitam o meio ou o topo do aquário.
- Área de Natação: Fundo
- Quantidade mínima: Sozinho ou Grupo
- Nível de dificuldade: Fácil
Alimentação
Carnívoro (essencialmente piscívoro e insetívoro). Ele não caça ativamente nadando pelo rio; em vez disso, confia na sua camuflagem de “folha morta” para que as presas se aproximem sem notar o perigo.
Em aquário pode recusar alimentos secos inicialmente. Ofereça alimentos vivos ou congelados à noite, como camarões, pedaços de filé de peixe, larvas de besouro do amendoim, artêmias adultas e bloodworms.
Com o tempo e paciência, ele pode aceitar rações do tipo bottom (botons carnívoros) que afundam, desde que alimentado após as luzes se apagarem.

Reprodução
Ocorre estritamente à noite e envolve um comportamento de cortejo e contato físico direto com o macho usando seus barbilhões maxilares modificados e a nadadeira dorsal serrilhada para se fixar firmemente à fêmea, prendendo-a junto ao seu corpo.
Com a fêmea imobilizada, o macho introduz o sêmen diretamente no trato reprodutivo dela através do órgão copulador. Os ovos são fertilizados dentro do corpo da fêmea.
Após a fertilização, o casal se separa. A fêmea carrega os ovos fertilizados por um curto período antes de realizar a postura em igapós ou áreas densamente vegetadas com pouca correnteza, fixando os ovos em folhas, raízes ou plantas flutuantes.
Após expelir os ovos, a fêmea abandona o local. Não há cuidado parental por parte do macho ou da fêmea. Os ovos eclodem em poucos dias e os alevinos precisam se escondem entre as folhas para não serem predados.
- Maturidade Sexual: Próximo de 12 meses +
- Cuidado Parental: Não ocorre
Dimorfismo Sexual: Possível principalmente em época reprodutiva. O macho desenvolve uma nadadeira dorsal grande, rígida e altamente serrilhada, que lembra uma crista pontiaguda. Além disso, os seus barbilhões maxilares tornam-se rígidos e curvados para trás. A sua nadadeira anal se modifica, transformando-se em uma estrutura copulatória semelhante a um pênis (chamada de andropódio).
A fêmea mantém a aparência padrão, com nadadeiras normais e flexíveis, mas o seu ventre fica visivelmente mais roliço e volumoso devido ao desenvolvimento dos ovos.
Referências
- Vari, R.P. and C. Ferraris Jr., 2006. The catfish genus Tetranematichthys (Aucheniptridae). Copeia 2006
- Beolens, B., M. Grayson and M. Watkins, 2023. Eponym dictionary of Fishes. Dunbeath, Caithness (Scotland, UK): Whittles Publishing Limited
- Ferraris, C.J. jr., 2007 “Checklist of catfishes, recent and fossil (Osteichthyes: Siluriformes), and catalogue of siluriform primary types (II)
- Peixoto, L.A.W. & Wosiacki, W.B., 2010 “Description of a new species of Tetranematichthys (Siluriformes: Auchenipteridae) from the lower Amazon basin, Brazil” (Neotropical Ichthyology)
- DoNascimiento, C.; Herrera-Callazos, E.E.; Herrera-R., G.A.; Ortega-Lara, A.; Villa-Navarro, F.A.; Oviedo, J.S.U. & Maldonado-Ocampo, J.A., 2017 “Checklist of the freshwater fishes of Colombia: a Darwin Core alternative to the updating problem” (ZooKeys)
Publicado em Junho/2026