Peixe Pulmonado Australiano (Neoceratodus forsteri) | Ficha técnica

Nome Científico: Neoceratodus forsteri (Krefft, 1870)
Ordem: Ceratodontiformes — Família: Neoceratodontidae
Nome popular: Peixe Pulmonado Australiano — Inglês: Australian lungfish
Distribuição: Oceania; sul de Queensland, Austrália
Etimologia: Neoceratodus; Neo do grego neos, que significa “novo” ou “recente” + Cerato do grego keras, que significa “chifre” + -dus (ou –odous): do grego odous, que significa “dente”. Juntos, formam o significado de “dente em forma de chifre”, uma alusão às características placas dentárias pontiagudas encontradas neste gênero de peixes pulmonados.
Forsteri; epíteto em homenagem a William Forster, um político e fazendeiro australiano que doou o primeiro espécime para o Museu Australiano em 1870.
Status de Conservação (IUCN Red List): Em perigo (2026)
Sinônimos: Ceratodus miolepis, Ceratodus forsteri
Descrição
O peixe-pulmonado-australiano, é um “fóssil vivo” da classe Sarcopterygii. Possui nadadeiras lobadas e um único pulmão funcional, permitindo-lhe respirar ar em águas com baixo oxigênio. É o parente vivo mais próximo de todos os tetrápodes (animais de quatro patas, o que inclui os humanos).
É um representante autentico que revela como os seres vivos deixaram a água para conquistar a terra firme há mais de 400 milhões de anos. Pertence a uma linhagem que permaneceu praticamente inalterada por mais de 100 milhões de anos. O registro fóssil mostra que os animais que viviam na época dos dinossauros eram anatomicamente idênticos aos indivíduos que nadam hoje nos rios de Queensland.
Cientistas que sequenciaram seu código genético descobriram que ele possui os mesmos genes que orientam o desenvolvimento dos nossos braços e pernas expressos em suas nadadeiras lobadas.
Seu corpo é robusto e alongado, cabeça achatada e escamas ósseas grandes. Possui nadadeiras em formato de remo. É um respirador de ar facultativo, o que significa que utiliza brânquias na maior parte do tempo, mas sobe à superfície para respirar ar atmosférico.
Quando o nível de oxigênio na água cai (devido à seca ou ao calor), ele ativa seu único pulmão. O animal sobe até a superfície e coloca o topo da cabeça para fora da água. Ele abre a boca e engole o ar, empurrando-o para o pulmão por meio de bombeamento bucal. Ao expirar e inspirar na superfície, ele emite um som característico de “sopro” ou “fole”, que pode ser ouvido de longe nas margens dos rios.

Diferente dos peixes-pulmonados da África e da América do Sul, que possuem um par de pulmões, o peixe-pulmonado-australiano possui um único pulmão funcional. Uma pesquisa liderada por cientistas brasileiros da Uerj revelou que o pulmão ancestral de todos os vertebrados era, na verdade, um órgão único. A divisão em dois pulmões foi uma inovação posterior que facilitou a transição definitiva para a terra.
O pulmão dele é uma modificação da bexiga natatória. Ele é altamente vascularizado e possui cristas internas que aumentam a área de absorção de oxigênio. Seu sistema circulatório é uma “ponte evolutiva”: o sangue que sai do pulmão vai direto para o coração por uma veia pulmonar dedicada, de forma muito parecida com o sistema circulatório dos anfíbios e mamíferos.
Apesar de ter pulmão, ele não consegue sobreviver fora d’água por muito tempo. Suas brânquias e pele precisam ficar constantemente úmidas. Se o rio secar completamente, ele morre, pois não consegue se enterrar na lama para hibernar como fazem os peixes-pulmonados africanos.
Apresenta os genes responsáveis pela criação de surfactantes pulmonares (necessários para respirar ar fora d’água) e uma grande expansão de receptores para detectar odores transportados pelo ar.
Suas nadadeiras possuem uma base carnuda, sustentada por uma estrutura óssea central que se articula de forma muito semelhante aos membros de uma salamandra. Ele utiliza essas nadadeiras para se apoiar e “andar” pelo fundo dos rios, um comportamento que antecedeu a evolução das patas.
Enfrenta riscos devido à perda de habitat, à fragmentação de populações causada por represas, e à degradação de seus locais de reprodução.
- Tamanho Adulto: 170 cm (comum 100 cm)
- Expectativa de Vida: 50 a 100 anos
Distribuição e Habitat
Distribuição restrita e exclusiva, sendo endêmico da região sudeste de Queensland, na Austrália. Habita apenas alguns sistemas fluviais específicos dessa área costeira.
Países: Endêmico da Austrália
Ambiente: Água doce
Habitat: Predominantemente poços profundos (com 3 a 10 metros de profundidade) formados naturalmente nos leitos dos rios, onde a água é parada ou corre de forma muito vagarosa. O leito do rio nesses poços é composto principalmente por uma mistura de areia fina, cascalho e pouca lama.
O fundo é repleto de troncos caídos, galhos submersos e cavernas subaquáticas cavadas pela água sob as raízes das árvores das margens. Os peixes-pulmonados passam o dia descansando em pequenos grupos sob essas estruturas.
- pH: 6.5 e 7.5 (Em aquário ideal levemente alcalino)
- Dureza: 10 e 12 dGH
- Temperatura: 16 °C a 28 °C

Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 1000 litros com comprimento mínimo de 200 cm e 70 cm de largura desejável.
Embora atinja tamanho grande, é uma espécie de hábito sedentário não se movendo muito pelo aquário. Comprimento e largura do aquário são mais importantes do que a altura.
A decoração do aquário não é crítica, mas se faz melhor com substrato arenoso e macio, além do fluxo de água lento. Iluminação deverá ser fraca a moderada. Esconderijos formado por raízes e pedras é desejável, uma vez que a espécie passará a maior parte de seu tempo entocada. Utilizar tampas no aquário, uma vez que fogem facilmente.
Ele não tolera águas excessivamente ácidas (abaixo de 6.0) por longos períodos, pois isso afeta a integridade de suas brânquias e de sua pele mucosa
Comportamento e Compatibilidade: É uma espécie solitária e territorial. Não deve ser mantida em aquários comunitários, pois atacará outros peixes. Caso queira arriscar em aquário comunitário, de preferência por peixes de tamanho médio a grande que nadem no meio e superfície.
- Área de Natação: Fundo
- Quantidade mínima: Sozinho
- Nível de dificuldade: Médio
Alimentação
Carnívoro. Naturalmente se alimenta de rãs, girinos, peixes, camarões, minhocas, caracóis, plantas aquáticas e frutos nativos caídos de árvores que se projetam sobre os riachos. Ele se alimenta entre os detritos, usando seus eletro receptores para detectar moluscos, vermes ou crustáceos escondidos.
Em aquário pode demorar a aceitar alimentos secos, mas aceitará com facilidade alimentos como camarões, krill, mexilhões e filés de peixe de água doce sem espinhos. Excelentes para estimular o apetite e fornecer proteínas limpas. Minhocas tratadas, baratas de cultivo e pequenos crustáceos também podem ser fornecidos.

Reprodução
Ovíparo. Diferente dos peixes-pulmonados africanos e sul-americanos, o pulmonado-australiano não constrói ninhos e não protege a prole.
A desova parece ocorrer em uma série de três fases: na primeira, um casal de peixes se move junto, percorrendo uma área, presumivelmente em busca de um local adequado para a desova; na segunda, presume-se que o macho siga a fêmea, cutucando seus flancos; finalmente, os peixes mergulham através da vegetação aquática circundante, com o macho seguindo a fêmea e fertilizando os ovos à medida que são liberados.
Na natureza, eles desovam apenas uma vez a cada 5 anos, geralmente entre os meses de agosto e dezembro (primavera australiana).
Os ovos se assemelham a pequenas uvas transparentes e são frequentemente encontrados presos a tufos flutuantes de aguapé. Eclodem em aproximadamente 3 a 4 semanas. Os filhotes nascem com um saco vitelino pesado e se desenvolvem de forma extremamente lenta. Levam cerca de 8 meses para atingir meros 6 centímetros
- Maturidade Sexual: Machos próximo de 17 anos e fêmeas 22 anos
- Cuidado Parental: Não ocorre
Dimorfismo Sexual: Não há diferenças físicas externas aparentes entre machos e fêmeas.

Referências
- Allen, G.R., 1989. Freshwater fishes of Australia. T.F.H. Publications, Inc., Neptune City, New Jersey.
- The Associated Press, 2022. Meet Methuselah, the oldest living aquarium fish. https://www.cbc.ca/news/science/oldest-aquarium-fish-1.6327976, Published online on January 26, 2022.
- Allen, G.R., S.H. Midgley and M. Allen, 2002. Field guide to the freshwater fishes of Australia. Western Australian Museum, Perth, Western Australia.
- Berra, T., 2001. Freshwater fish distribution. Academic Press, San Diego, California, USA.
- Kemp, A., 1995. Threatened fishes of the world: Neoceratodus forsteri (Krefft, 1870) (Neoceratodontidae). Environ. Biol. Fishes
- Genus Neoceratodus – Fishes of Australia (2026)
- Neoceratodus forsteri, Queensland Lungfish — Arthington, Angela; H. Kennard, Mark J. (Griffith University)
- Methuselah (Our Australian Lungfish) — The California Academy of Sciences
Publicado em Junho/2026