Blênio de água doce (Salariopsis fluviatilis) | Ficha técnica

Nome Científico: Salariopsis fluviatilis (Asso, 1801 )
Ordem: Blenniiformes — Família: Blenniidae
Nome popular: Blênio de água doce, Caboz de água doce — Inglês: Freshwater blenny
Distribuição: Continente Africano e Europeu
Etimologia: Salariopsis do latim Salarius (referente ao gênero de peixes Salarias) com o sufixo grego –opsis (que significa “aparência” ou “visão”). Refere-se à sua semelhança visual com os peixes do gênero Salarias.
Fluviatilis do latim (que significa “de rio” ou “pertencente ao rio”), indicando que é uma espécie de ambiente dulcícola.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco Preocupante (2026) — Questionável, ver texto descrição.
Descrição
É conhecido popularmente como Blênio de água doce e destaca-se por ser uma das poucas espécies da sua família a viver exclusivamente em rios e lagos. Potamódromo, realiza migrações ao longo da sua vida inteira exclusivamente dentro de ambientes de água continental.
Possui corpo alongado, sem escamas visíveis, coloração camuflada em tons de marrom e verde, e frequentemente apresenta pequenos tentáculos na cabeça. Respiração aérea facultativa no gênero.
A nível global, seu Status está classificado como Pouco Preocupante (LC – Least Concern) na Lista Vermelha da IUCN. No entanto, este estatuto global mascara uma realidade de forte declínio e fragmentação extrema em várias regiões locais da bacia do Mediterrâneo ao analisar a classificação regional em alguns países como:
Portugal: Classificado como Em Perigo (EN). As suas populações estão muito fragmentadas, restritas a poucas bacias hidrográficas (como as do Guadiana e do Douro).
Espanha: Também avaliado como Em Perigo (EN). É uma espécie protegida e considerada prioritária para conservação em várias comunidades autónomas.
Chipre: Considerado provavelmente extinto localmente devido à construção de barragens e a campanhas agressivas de controlo da malária ao longo do século XX.
Itália: Classificado regionalmente como Dados Insuficientes (DD) ou ameaçado em bacias específicas do sul, onde o declínio populacional é evidente
As populações estão ameaçadas pela poluição e pela captação de água; a maioria das populações ribeirinhas é afetada pela alteração do habitat (especialmente assoreamento e alteração da morfologia dos cursos d’água) e pela predação de espécies exóticas. A presença de habitat adequado para o estágio ‘larval’ pelágico a jusante dos locais de desova é um fator limitante; as populações lacustres são aparentemente mais seguras (FishBase).
- Tamanho Adulto: 15,4 cm (comum 8 cm)
- Expectativa de Vida: 5 anos

Distribuição e Habitat
De distribuição nativa circum-mediterrânica. Ele é encontrado principalmente em rios, riachos, lagos no Sul da Europa, Norte da África e oeste da Ásia.
Países: Europa; presente em Portugal, Espanha, França, Itália, Croácia, Montenegro, Albânia, Grécia e Turquia. Habita também grandes ilhas como Córsega, Sardenha, Sicília, Creta e Rodes. Ásia; Israel e Turquia. África; Rios e ribeiras em Marrocos e Argélia
Habitat: Adultos ocorrem em rios e córregos em águas relativamente rasas, bem como em lagos de baixa altitude em fundo pedregoso; em riachos, preferem os microhabitats mais profundos e de correnteza mais rápida e, às vezes, lagoas costeiras com baixa salinidade.
- pH: 6.5 a 7.5
- Dureza: 8 a 12 dH
- Temperatura: 18°C a 26°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 100 litros com comprimento mínimo de 80 cm e 40 cm de largura desejável.
Desejável a água ter forte correnteza e saturação máxima de oxigênio. O substrato poderá ser de rio misturado com pedras arredondadas de tamanhos variados. É obrigatório criar tocas, fendas e abrigos planos sob as rochas para que os machos estabeleçam seus territórios e futuros ninhos.
Comportamento e Compatibilidade: Machos são extremamente territorialistas entre si. Evite inserir com outros peixes territoriais de fundo (como cascudos grandes ou cobrinhas kuhli). Podem conviver perfeitamente com peixes de meia-água que preferem águas frias e movimentadas, como os pequenos barbos.
- Área de Natação: Fundo
- Quantidade mínima: Casal
- Nível de dificuldade: Médio

Alimentação
Os adultos se alimentam de pequenos organismos bentônicos, insetos aquáticos e pupas.
Espécie essencialmente carnívora e predadora de fundo. Deve ser alimentada com alimentos congelados ou vivos, como artêmia, tubifex, larvas de mosquito e dáfnias. Rações comerciais em pastilhas de fundo podem ser aceitas após período de adaptação.
Reprodução
Ovíparo. Macho escolhe uma cavidade estreita, preferencialmente o teto interno de uma toca escura formada por pedras planas. Ele limpa obsessivamente a superfície com a boca e as nadadeiras.
Durante a corte, o macho exibe cores exuberantes e realiza movimentos rápidos de natação para atrair a fêmea até a sua toca. A fêmea entra na toca, vira de cabeça para baixo e deposita uma camada única de 200 a 300 ovos adesivos diretamente no teto da cavidade. O macho os fertiliza imediatamente a seguir.
Após a desova, a fêmea é expulsa da toca e o macho assume a proteção exclusiva dos ovos permanecendo sob os ovos agitando constantemente as nadadeiras peitorais para garantir fluxo de água limpa e oxigenada, removendo detritos ou ovos infetados por fungos.
Os ovos eclodem em cerca de 7 a 10 dias (dependendo da temperatura). Assim que os filhotes nascem, o macho perde o instinto protetor.
Várias fêmeas desovam com um macho, que pode guardar os ovos em diferentes estágios de desenvolvimento.
- Maturidade Sexual: Próximo de 12 meses
- Cuidado Parental: Ocorre
Dimorfismo Sexual: Os machos desenvolvem uma crista carnuda proeminente no topo da cabeça. Durante o período reprodutivo, esta crista aumenta de tamanho e serve como um forte sinal visual de dominância e saúde para atrair as fêmeas. Além de serem maiores, mais robustos e têm uma cabeça mais larga e massiva em comparação com o resto do corpo e ficam e ficam com o corpo mais colorido durante época reprodutiva.
Enquanto as fêmeas não possuem crista ou apresentam apenas uma elevação mínima e quase imperceptível na cabeça. São menores e têm o corpo mais roliço, formato que fica muito evidente (abdómen bem inchado e arredondado) quando estão cheias de ovos e cores menos atraentes.

Referências
- Bath, H., 1986. Blenniidae. p. 355-357. In J. Daget, J.-P. Gosse and D.F.E. Thys van den Audenaerde (eds.) Check-list of the freshwater fishes of Africa (CLOFFA). ISNB, Brussels, MRAC, Tervuren; and ORSTOM, Paris. Vol. 2.
- Kottelat, M. and J. Freyhof, 2007. Handbook of European freshwater fishes. Publications Kottelat, Cornol and Freyhof, Berlin.
- Crivelli, A.J., 1996. The freshwater fish endemic to the Mediterranean region. An action plan for their conservation. Tour du Valat Publication
- Breder, C.M. and D.E. Rosen, 1966. Modes of reproduction in fishes. T.F.H. Publications, Neptune City, New Jersey.
- Fricke, R., M. Bilecenoglu and H.M. Sari, 2007. Annotated checklist of fish and lamprey species (Gnathostoma and Petromyzontomorphi) of Turkey, including a Red List of threatened and declining species. Stuttgarter Beitr. Naturk. Sea A
- Müller, J.: et al., 2022. Air breathing among fishes: an updated and annotated checklist. To be published. Currently, data entered from a draft, with original source references.
- Oliveira, R.F., V.C. Almada, A.J. Almeida, R.S. Santos and E.J. Gonçalves, 1992. A checklist of the blennioid fishes (Teleostei, Blennioidei) occurring in Portuguese waters. Arquipélago. Ciencias da Natureza
Publicado em Maio/2026