Yellow Belly Cichlid (Haplochromis aeneocolor)


Nome Científico: Haplochromis aeneocolor (Greenwood, 1973)

Ordem: Cichliformes — Família: Cichlidae

Nome popular: Yellow Belly Cichlid

Distribuição: África: Lago George e Canal Kazinga

Etimologia: Haplochromis vem do grego haploos (que significa “simples” ou “único”) e chromis (nome dado a um tipo de peixe, similar a uma perca).

Aeneocolor, vem da junção de duas palavras em latim aeneus (bronzeado ou cor de latão) e color (cor). Juntas, referem-se à coloração corporal geralmente acobreada desta espécie.

Status de Conservação (IUCN Red List): Vulnerável (2026)

Sinônimos: Haplochromis nubilus, Astatotilapia aeneocolor


Descrição

É um ciclídeo compacto e morfologicamente adaptado para o pastoreio e caça em águas rasas. Possui corpo robusto, alongado e ligeiramente comprimido nas laterais, formato típico dos ciclídeos do tipo haplochromine.

Apresenta uma cabeça grande com olhos bem desenvolvidos. A boca é terminal, dotada de mandíbulas fortes e dentes finos adaptados para raspar algas e capturar pequenos invertebrados no substrato.

  • Tamanho Adulto: 7,5 cm
  • Expectativa de Vida: 5 anos +

Distribuição e Habitat

É encontrado de forma abundante no Lago George, no Lago Edward e no Canal de Kazinga, que interliga esses dois grandes lagos. Também possui registros de ocorrência em bacias e pequenos lagos conectados ao sistema do Lago Albert.

Fora de sua área nativa em Uganda, a espécie foi registrada como introduzida na República Democrática do Congo, especificamente nos rios Ituri e Aruwimi (que fazem parte da bacia média do Rio Congo)

Países: Republica Democrática do Congo e Uganda.

Ambiente: Água doce

Habitat: Habita principalmente as águas rasas próximas às margens cobertas por plantas de papiro. É uma espécie estritamente costeira que evita águas abertas (offshore), preferindo áreas com substrato lodoso ou arenoso rico em detritos orgânicos e pequenos insetos para se alimentar.

  • pH: 7.5 a 8.5
  • Dureza: Alta
  • Temperatura: 22°C a 28°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 100 litros com comprimento mínimo de 80 cm e 40 cm de largura desejável para um harém mono espécie. 300 litros ou mais se quiser aquário comunitário com comprimento mínimo de 150 cm.

Substrato de areia fina e decoração formada por paredões rochosos e fendas nas laterais e no fundo. Isso cria esconderijos vitais para as fêmeas fugirem da perseguição do macho.

Se optar por replicar o habitat natural (papiro), use Valisnérias altas no fundo. Deixe o centro livre para o nado e para as exibições do macho.

Mantenha a superfície da água com boa movimentação para garantir altos níveis de oxigênio dissolvido.

Comportamento e Compatibilidade: É uma espécie moderadamente agressiva e territorial. A hostilidade é direcionada principalmente a outros machos da mesma espécie ou peixes com cores parecidas. O ideal é manter em formato de harém (um macho para três ou mais fêmeas) para diluir a agressividade e as perseguições do macho dominador.

Outros Haplochromis de cores diferentes, ciclídeos do Lago Vitória de agressividade baixa/média, cascudos e peixes de fundo robustos podem serem criados juntos.

  • Área de Natação: Fundo / Meio
  • Quantidade mínima: Sozinho ou Harém
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

Supostamente detritívoro, já que fragmentos de plantas e larvas de insetos são elementos predominantes em seu intestino.

Em aquário aceita bem rações específicas para ciclídeos de alta qualidade, além de pequenos invertebrados e alimentos vivos.


Reprodução

Ovíparo. O macho dominante escolhe um território, geralmente limpando uma área de areia lisa próximo de alguma rocha. Ele exibe suas cores máximas e vibra o corpo intensamente na frente da fêmea, tentando atraí-la para o seu “ninho”.

Quando a fêmea aceita, eles começam a nadar em círculos. A fêmea libera alguns ovos na areia e, imediatamente, vira-se e os colhe com a boca.

O macho estende sua nadadeira anal na areia, exibindo os ocelos (as manchas redondas que parecem ovos). A fêmea, tentando colher esses “ovos falsos”, aproxima a boca da nadadeira anal do macho. Nesse momento, o macho libera o esperma, fertilizando os ovos diretamente dentro da boca da fêmea.

A fêmea carrega os ovos (e depois os filhotes) na boca (incubação bucal) por cerca de 14 a 21 dias, dependendo da temperatura da água. Durante todo esse período, a fêmea não se alimenta. A região abaixo da sua mandíbula fica visivelmente inflada e escura (padrão conhecido como “papo”).

Passadas as três semanas, a fêmea libera os filhotes já formados e capazes de nadar. No início, se ela sentir qualquer perigo, abrirá a boca para que os filhotes entrem novamente e fiquem protegidos. Nas próximas semanas ela irá perdendo naturalmente o interesse pelos alevinos.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 6 a 10 meses
  • Cuidado Parental: Ocorre

Dimorfismo Sexual: Machos são mais coloridos, com o ventre intensamente amarelo (daí o nome Yellow Belly), tons bronzeados e nadadeiras com detalhes avermelhados ou azulados. Os machos também desenvolvem “ovos falsos” (ocelos) na nadadeira anal.

Fêmeas são menores e possuem coloração cinza ou prateada fosca, servindo como camuflagem natural.


Referências

  • van Oijen, M.J.P., J. Snoeks, P.H. Skelton, C. Maréchal and G.G. Teugels, 1991. Haplochromis. p. 100-184. In J. Daget, J.-P. Gosse, G.G. Teugels and D.F.E. Thys van den Audenaerde (eds.) Check-list of the freshwater fishes of Africa (CLOFFA). ISNB, Brussels; MRAC, Tervuren; and ORSTOM, Paris. Vol. 4.
  • Decru, E., 2015. The ichthyofauna in the Central Congo basin: diversity and distribution in the north-eastern tributaries. KULeuven, Faculty of Science, Leuven (Belgium)
  • Twongo, T.K. 2006. Haplochromis aeneocolor. The IUCN Red List of Threatened Species 2006: e.T60498A12365381. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2006.RLTS.T60498A12365381.en. Accessed on 24 June 2026.
  • Estratégias de reprodução: Outros peixes vivíparos —  João Luis Ferreira

Publicado em Junho/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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