Peixe Boca de moça (Leporinus amae)

Nome Científico: Leporinus amae (Godoy, 1980)
Ordem: Characiformes — Família: Anostomidae
Nome popular: Boca-de-moça, Cara de fogo — Inglês: Parrot Leporinus
Distribuição: América do Sul, Bacia do rio Uruguai
Etimologia: Leporinus, do latim lepus (ou leporis), que significa coelho, devido aos dentes proeminentes característicos do peixe.
Amae, epíteto em homenagem à AMA (Assessoria para Meio Ambiente), órgão da antiga empresa de energia Eletrosul. A espécie foi descrita na região Sul do Brasil e o nome homenageia o trabalho ambiental da instituição na época.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)
Descrição
Conhecido como Perna-de-moça e Leporinus Papagaio, entre outros nomes vernaculares, sua coloração é bastante atraente com a metade dorsal do corpo é marrom-escura e a metade ventral apresenta um tom amarelo.
Possui uma faixa preta longitudinal larga que vai da ponta do focinho, passando pelo olho e opérculo, até a base da nadadeira caudal. Acima dessa faixa, há uma listra mais estreita e amarelo-clara.
Apresenta escamas com coloração que varia de violeta a vermelho, distribuídas de forma irregular.
- Tamanho Adulto: 19 cm
- Expectativa de Vida: 5 a 10 anos
Distribuição e Habitat
A espécie foi descrita originalmente no estado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Ela é comumente encontrada em afluentes do alto rio Uruguai.
Países: Brasil e Uruguai
Habitat: Possui forte preferência por trechos de correnteza moderada a rápida. Raras vezes é encontrado em águas lênticas. O fundo desses rios é predominantemente composto por rochas, seixos e pedras de tamanhos variados, além de lajes de pedra estruturadas. Há baixa deposição de lama nos pontos onde a espécie é abundante
Costumam buscar proteção contra predadores maiores por meio de fendas formadas por pedras e troncos caídos no leito dos rios.
- pH: 6.0 a 7.6
- Dureza: –
- Temperatura: 18°C a 28°C

Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 300 litros com comprimento mínimo de 150 cm e 50 cm de largura desejável.
Apesar de não crescer tanto, exige aquário com bom comprimento e largura por ser um havido nadador bastante agitado. O fluxo de água deve simular uma correnteza com alto índice de oxigênio dissolvido.
Substrato preferencialmente de areia grossa misturada com cascalho de rio. Decoração formada por muitas rochas grandes, seixos redondos e troncos curvos. Crie fendas e passagens para que eles possam explorar e definir territórios.
Evite plantas de folhas moles, pois eles as comerão. Opte por plantas de folhas duras fixadas em troncos, como Anubias ou Microsorum (Samambaia de Java).
O aquário deve ser totalmente tampado. Eles são saltadores excepcionais quando assustados.
Comportamento e Compatibilidade: Podem ser territorialistas com a própria espécie se o espaço for pequeno. Recomenda-se manter um indivíduo sozinho ou um grupo de 5 ou mais para dispersar a agressividade.
Outros peixes robustos de riacho que toleram correnteza, como cascudos grandes (Hypostomus, Rineloricaria), tetras de grande porte (como o Mato Grosso ou do gênero Bryconamericus) e outros piaus de porte similar. Evite peixes lentos ou de nadadeiras longas.
- Área de Natação: Fundo / Meio
- Quantidade mínima: Sozinho ou Grupo
- Nível de dificuldade: Fácil
Alimentação
Onívoro, forte tendência oportunista. Na natureza, sua alimentação é altamente adaptativa e varia conforme a disponibilidade de recursos ao longo das estações do ano.
O formato de sua boca (típico dos anostomídeos) é voltado para a frente ou levemente para baixo, ideal para “beliscar” substratos e troncos.
Seus principais alimentos são algas filamentosas presas nas rochas, macrófitas aquáticas, folhas, sementes e frutos alóctones que caem das árvores ciliares, larvas de insetos aquáticos (como dípteros e efemerópteros), pequenos crustáceos e pequenos caranguejos de água doce escondidos entre as pedras, além de cupins e formigas capturados na superfície da água quando caem da vegetação.
Em cativeiro, para manter sua coloração vibrante e prevenir problemas de saúde (como a constipação intestinal) é a variedade com foco rico em fibras vegetais e spirulina.

Reprodução
Ovíparo. A reprodução em ambiente natural é sazonal e classificada como migratória, ocorrendo exclusivamente durante a época da piracema. Devido a essa dependência de estímulos ambientais complexos, sua reprodução em aquários residenciais comuns é considerada praticamente impossível.
Seu período reprodutivo se estende ao longo da primavera e do verão (geralmentre entre outubro e março), coincidindo com as estações de maior pluviosidade e calor. O desenvolvimento dos óvulos e espermatozoides se inicia logo no inverno. O ápice da maturação é ativado pela combinação de dias mais longos, aumento da temperatura e oxigenação da água pelas enxurradas.
Como um peixe reofílico, ele precisa nadar rio acima contra a correnteza. A fecundação é externa e livre: machos e fêmeas liberam seus gametas simultaneamente na coluna d’água em movimento, sem a construção de ninhos ou qualquer cuidado parental com os ovos ou larvas.
- Maturidade Sexual: Próximo de 12 a 24 meses (~12 cm)
- Cuidado Parental: Não ocorre
Dimorfismo Sexual: fêmeas são visivelmente maiores, mais compridas e mais roliças. O abdômen fica dilatado e macio devido ao grande volume de ovócitos em desenvolvimento. Enquanto os machos são menores, mais esguios e mantêm o corpo afilado, mesmo durante o período de reprodução.
Referências
- Garavello, J.C. and H.A. Britski, 2003. Anostomidae (Headstanders). p. 71-84. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
- Breder, C.M. and D.E. Rosen, 1966. Modes of reproduction in fishes. T.F.H. Publications, Neptune City, New Jersey.
- Zaniboni Filho, E., S. Meurer, O.A. Shibatta and A.P. de Oliverira Nuñer, 2004. Catálogo ilustrado de peixes do alto Rio Uruguai. Florianópolis : Editora da UFSC : Tractebel Energia. 128 p. :col. ill., col. maps
- Alimentação de quatro espécies de Leporinus (Characiformes, Anostomidae) durante a formação de um reservatório no sudeste do Brasil — Renata Durães, Paulo dos Santos Pompeu, Alexandre Lima Godinho — Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas , Departamento de Zoologia, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Publicado em Maio/2026