Tarumã Mirim (Tarumania walkerae)

Foto: Márcio Silva (divulgação)

Nome Científico: Tarumania walkerae (de Pinna, Zuanon, Rapp Py-Daniel & Petry, 2017)

Ordem: Characiformes — Família: Tarumaniidae

Nome popular: Tarumã

Distribuição: América do Sul, bacia Amazônica

Etimologia: Tarumania o nome do gênero refere-se ao Igarapé Tarumã-Mirim, situado na bacia do Rio Negro, próximo a Manaus, Amazonas, local onde a espécie foi encontrada.

O epíteto walkerae específico é uma homenagem à Dra. Ilse Walker, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, que coletou o primeiro espécime.

Status de Conservação (IUCN Red List): Status


Descrição

A Dra. Ilse Walker coletou o primeiro espécime conhecido em 1997, mas o peixe só foi descrito cientificamente como um novo gênero e família (Tarumaniidae) em 2017.

O Tarumã é um peixe de hábitos fossoriais, vivendo enterrado na lama e folhas acumuladas durante a vazante. É encontrado em poças temporárias, durante o período de seca, e seu paradeiro durante a estação das cheias ainda é desconhecido (em grande parte devido às dificuldades de coleta nesse período).

Observou-se respiração aérea acessória, na forma de ar inalado pela boca e retido temporariamente na cavidade branquial, que, juntamente com a região gular, se infla visivelmente. No aquário, a respiração aérea é induzida por condições de baixo nível da água; os peixes observados engoliam ar na superfície e o mantinham na cavidade oral por cerca de 35 segundos antes de expelir uma bolha de ar para inspirar novamente quase imediatamente, e o mesmo peixe repetiu esse comportamento até dez vezes seguidas.

Este peixe demonstra notável estabilidade e manobrabilidade na coluna d’água e pode permanecer estacionário em posições contorcidas em espaços estreitos em meio a substrato irregular (sem contato com qualquer superfície). Podem se mover com a mesma facilidade para frente e para trás, suas nadadeiras pélvicas podem se mover independentemente uma da outra e se defletir 180 graus anteriormente.

Juvenis de até 5 cm apresentam características pedomórficas, como presença de notocorda e nadadeiras lobulares.

  • Tamanho Adulto: 15 cm
  • Expectativa de Vida: Desconhecido

Distribuição e Habitat

Poça marginal do Igarapé Tarumã-Mirim (afluente do Rio Negro). Endêmico da bacia do Rio Negro, do Rio Tarumã-Mirim, afluente do Rio Negro próximo à cidade de Manaus, e do arquipélago de Anavilhanas.

Países: Endêmico do Brasil

Habitat: Os espécimes coletados estavam profundamente enterrados em depósitos maciços de serapilheira em poças isoladas na mata ciliar (alguns locais não tinham água parada, enquanto outros chegavam a 70 cm de profundidade).

Todas essas poças se juntam ao leito principal do rio durante a estação das cheias, o que possivelmente permite que os espécimes se desloquem e colonizem habitats adequados.

  • pH: 3,5 a 5,0
  • Dureza: –
  • Temperatura: 24°C a 28°C
Foto de Pinna e colaboradores / Zoological Journal of the Linnean Society, 2017 — DOI: 10.1093/zoolinnean/zlx028

Criação em Aquário

Por ser uma espécie descoberta recentemente e com hábitos tão específicos, a sua manutenção em aquário é, até o momento, um desafio restrito a pesquisadores e aquaristas especializados em peixes nativos.

O aquário biótopo para a espécie deverá conter substrato arenoso e macio, além de folhas espalhadas. Ambiente amazônico típico (águas escuras, ácidas e macias). Devido ao seu hábito de vida em poças e respiração aérea, um aquário de baixa profundidade pode ser mais adequado.

Comportamento e Compatibilidade: –

  • Área de Natação: Fundo
  • Quantidade mínima: –
  • Nível de dificuldade: –

Alimentação

Onívoro. Se alimenta naturalmente de invertebrados; alguns espécimes capturados comiam camarões de água doce pequenos inteiros (Euryrhynchus).


Reprodução

Desconhecido.

  • Maturidade Sexual: –
  • Cuidado Parental: –

Dimorfismo Sexual: –


Referências

de Pinna, M, J. Zuanon, L.H. Rapp Py-Daniel and P. Petry, 2018. A new family of neotropical freshwater fishes from deep fossorial Amazonian habitat, with a reappraisal of morphological characiform phylogeny (Teleostei: Ostariophysi). Zool. J. Linn.

Beolens, B., M. Grayson and M. Watkins, 2023. Eponym dictionary of Fishes. Dunbeath, Caithness (Scotland, UK): Whittles Publishing Limited

Publicado em Maio/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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