Blênio Transparente (Lupinoblennius paivai) – Ficha técnica

Macho adulto com 2,8 cm em fase de cor clara fotografado no Rio Escuro, Ubatuba – São Paulo — Foto de Ivan Sazima (c)

Nome Científico: Lupinoblennius paivai (Pinto, 1958)

Ordem: Blenniformes — Família: Blenniidae

Nome popular: Blênio Transparente — Inglês: Paiva’s blenny

Distribuição: América do Sul; endêmico do Brasil

EtimologiaLupino; Do latim lupinus, que significa “relativo a lobo” + blennius do grego blennos, que significa “muco” ou “gude”. É o termo padrão para peixes blênios devido à sua pele lisa e viscosa.

Paivai, homenagem ao engenheiro brasileiro e pioneiro da piscicultura Melquíades Pinto Paiva, que coletou os primeiros espécimes na década de 1950.

Status de Conservação (IUCN Red List): Em perigo


Descrição

Este blênio possui formato fusiforme e alongado, típico dos blenídeos, com a cabeça proporcionalmente grande e olhos posicionados no topo. Suas cores variam entre tons de marrom e verde-oliva.

Apresenta manchas escuras irregulares e um padrão ligeiramente listrado (em forma de sela). Esse visual permite que ele desapareça visualmente ao se apoiar em galhos submersos, lodo ou raízes de mangue.

Como todo blênio, não possui escamas. O corpo é revestido por uma camada de muco que protege o peixe contra o atrito e ajuda na retenção de umidade.

Uma característica marcante na descrição biológica da espécie é a sua capacidade de sobreviver. Durante a maré baixa, ele frequentemente busca refúgio em buracos vazios deixados por moluscos buraqueiros em troncos e galhos, conseguindo resistir por horas fora da água graças à sua pele úmida.

Está em risco de extinção devido a degradação de seu habitat e o declínio constante de córregos e manguezais ao longo da costa brasileira. As principais ameaças são o desmatamento, desenvolvimento urbano e disposição de esgoto.

  • Tamanho Adulto: 5 cm
  • Expectativa de Vida: desconhecido

Distribuição e Habitat

Distribuído na costa do Brasil, desde Mucuri na Bahia até Florianópolis em Santa Catarina. Nativo dos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Santa Catarina. (Sazima e Carvalho-Filho, 2003).

Países: Endêmico do Brasil

Habitat: Ocorre em riachos costeiros e em áreas de mangues, sob influência das marés com a salinidade da água variando entre 0 e 35 ppt. É o único blênio americano que frequenta água doce. Em grandes fluxos como Rio Claro e Rio Picinguaba, seu alcance se estende por cerca de 500-600 m acima (Sazima e Carvalho-Filho 2003).

  • pH: 7.2 a 8.0
  • Dureza: –
  • Temperatura: 20°C a 28°C
Espécime macho de 2,4 cm abrigado durante a maré baixa em um buraco vazio de molusco Turu. Foto tirada no Rio Claro, Ubatuba – São Paulo — Foto de Ivan Sazima (c)

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.

A criação do em cativeiro exige cuidados específicos por se tratar de um peixe estuarino, adaptado a variações de salinidade. Embora consiga tolerar água doce por algum tempo, ele se desenvolve muito melhor e vive mais quando mantido em um aquário de água salobra.

Desejável incluir muitos troncos, galhos, pedras e, se possível, tubos de PVC finos ou cascas de bivalves. Na natureza, eles habitam furos microscópicos deixados por moluscos em madeiras submersas.

O substrato deverá ser de areia fina ou cascalho estuarino escuro para realçar sua camuflagem natural.

Tampe bem o aquário, por ser uma espécie anfíbia capaz de saltar e rastejar para fora d’água, ele escapará facilmente se houver frestas.

Comportamento e Compatibilidade: Pacífico com outras espécies de peixes. Machos são intolerantes com a presença de outros machos no mesmo espaço, sendo indicado a criação de um espécime somente ou casal.

  • Área de Natação: Fundo / Meio
  • Quantidade mínima: Casal ou Sozinho
  • Nível de dificuldade: Difícil

Alimentação

Em seu ambiente natural se alimentam de crustáceos como isópodes e anfípios, além de algas e poder consumir pequenas quantidades de matéria vegetal e detritos encontrados em seu habitat.

Em aquário dificilmente aceitará ração, embora poderá ser treinado com muita persistência.


Reprodução

Ovíparo. Durante a época reprodutiva, o macho dominante adota uma coloração marrom-escura muito intensa e exibe a sua mancha azul-turquesa brilhante na nadadeira dorsal para atrair fêmeas e afastar rivais.

O macho escolhe e limpa uma cavidade segura. Em seu habitat natural, os locais favoritos são os túneis estreitos cavados por moluscos buraqueiros (como o lagamar ou o turu) em troncos e galhos de árvores caídas e submersas no mangue.

A fêmea é atraída para o interior desse túnel, onde deposita os ovos adesivos diretamente nas paredes da cavidade. Os ovos são demersais (afundam) e possuem uma substância altamente adesiva que os mantém grudados e protegidos contra a força das marés.

Após a fertilização, a fêmea deixa o local e o macho assume a responsabilidade total pelos ovos. Ele permanece dentro ou na entrada do túnel o tempo todo, oxigenando os ovos com movimentos de suas nadadeiras peitorais e defendendo a ninhada bravamente contra qualquer predador.

Se a maré baixar e o tronco com o ninho ficar exposto fora da água, o macho não abandona os ovos. Ele permanece confinado no túnel úmido, tolerando horas fora d’água até o retorno da maré.

Ovos levam cerca de 5 a 9 dias para eclosão e larvas nascem com cerca de 3,5 mm e se estabelecem com cerca de 8 mm SL.

A maturidade sexual do ocorre de forma rápida devido ao seu ciclo de vida curto e tamanho reduzido. Embora os dados específicos do comprimento exato de primeira maturação sejam escassos na literatura científica, o padrão biológico estabelecido para pequenos blenídeos de estuário indica que sua maturação pode ser atingida com menos de um ano de vida ou cerca 3 cm de tamanho para estarem aptos para reprodução.

  • Maturidade Sexual: Estimativa próximo de 10 a 12 meses
  • Cuidado Parental: Ocorre

Dimorfismo Sexual: Os machos adultos possuem a nadadeira dorsal visivelmente mais alta do que as fêmeas e uma aba proeminente em sua borda anterior, além de ostentarem uma mancha azul-turquesa brilhante na parte anterior da nadadeira dorsal.

Espécime macho adulto em fase de cor escura, foto tirada no Rio Claro em Ubatuba – SP — Foto de Ivan Sazima (c)

Referências

  • Sazima, I. and A. Carvalho-Filho, 2003. Natural history of the elusive blenny Lupinoblennius paivai(Perciformes: Blenniidae) in coastal streams of southeast Brazil. Ichthyol. Explor. Freshwat.
  • Menezes, N.A., P.A. Buckup, J.L. Figueiredo and R.L. Moura, 2003. Catálogo das espécies de peixes marinhos do Brasil. São Paulo. Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
  • Breder, C.M. and D.E. Rosen, 1966. Modes of reproduction in fishes. T.F.H. Publications, Neptune City, New Jersey.
    Watson, W., 2009. Larval development in blennies. pp. 309-350. In Patzner, R.A., E.J. Gonçalves, P.A. Hastings and B.G. Kapoor (eds.) The biology of blennies. Science Publishers, Enfield, NH, USA.
  • Williams, J.T. & Craig, M.T. 2014. Lupinoblennius paivai. The IUCN Red List of Threatened Species 2014: e.T185152A1772865. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2014-3.RLTS.T185152A1772865.en. Downloaded on 01 November 2017.

Publicado em Novembro/2017 

Atualizado Maio/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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