La Luz Splitfin (Zoogoneticus purhepechus) | Ficha ténica

Nome Científico: Zoogoneticus purhepechus (Domínguez-Domínguez, Pérez-Rodríguez & Doadrio, 2008)
Ordem: Cyprinodontiformes — Família: Goodeidae
Nome popular: La Luz Splitfin, Tarascan Splitfin
Distribuição: América do Norte
Etimologia: Zoogoneticus, Zoon do grego que significa “animal” ou “animal pequeno” + Genesis do latim que significa “nascimento” ou “origem”. Faz referência ao fato de estes peixes serem vivíparos (dão à luz filhotes já formados).
Purhépecha, deriva do nome do povo indígena Purépecha (ou Tarasco). Homenageia a etnia indígena que habita tradicionalmente a região de distribuição e a localidade típica da espécie, no estado de Michoacán, no México.
Status de Conservação (IUCN Red List): Vulnerável (2026)
Sinônimos: Poecilia quitzeoensis, Platypoecilus quitzeoensis, Zoogoneticus quitzeoensis
Descrição
Apresenta um corpo esguio, porém ligeiramente robusto e lateralmente comprimido, o padrão dos peixes da família Goodeidae. O seu focinho é levemente pontiagudo com uma boca pequena dotada de dentes cônicos. Uma marca registrada da espécie (comum em jovens e fêmeas) são duas manchas escuras bem definidas na base da nadadeira caudal.
A cor base do corpo varia entre o cinza e o castanho-oliva, projetada para mimetizar o fundo lodoso de riachos e lagoas. Nas laterais (flancos), exibe nuances e brilhos metálicos dourados ou esverdeados dependendo da incidência da luz. O corpo também apresenta manchas escuras e irregulares espalhadas.
O termo splitfin (que se traduz literalmente do inglês como “nadadeira dividida”) é o nome popular global dado aos peixes da família Goodeidae. Esse nome não é apenas uma escolha estética: ele descreve uma modificação anatômica única ligada à reprodução desses peixes.
Ao contrário dos guppys e espadas (da família Poeciliidae), que possuem um órgão em forma de tubo longo (o gonopódio) para injetar o esperma, os splitfins usam o andropódio de forma diferente. O andropódio funciona como um dispositivo de fixação ou direcionamento durante o acasalamento. Ele ajuda o macho a se posicionar firmemente ao lado da fêmea e a direcionar o esperma em direção à abertura genital dela, garantindo a fertilização interna.
- Tamanho Adulto: 4 cm
- Expectativa de Vida: 2 a 4 anos

Distribuição e Habitat
Endêmico do estado mexicano de Jalisco. Historicamente era conhecido apenas no Rio Teuchitlán, nas cabeceiras do Rio Ameca, foi considerado extinto na natureza quando descrito. Apenas uma única vez, um único indivíduo do sexo masculino foi visto na nascente de El Rincón, em 1999.
Programas recentes de reintrodução financiados por jardins zoológicos europeus e liderados pela Universidade de Morelia ajudaram a reforçar a população selvagem desta espécie ameaçada.
Skiffia francesae e Allotoca maculata foram encontradas simpatricamente com esta espécie, mas infelizmente invasores introduzidos como Oreochromis spp, Xiphophorus hellerii, Cyrpinus carpio e Pseudoxiphophorus bimaculatus os substituíram em grande parte.
Países: México
Ambiente: Água doce
Habitat: Encontrado em nascentes permanentes, lagos, riachos, lagoas, canais e valas. Prefere ambientes lênticos (águas paradas) ou de correnteza baixa a moderada. É uma espécie bentopelágica que prefere águas rasas, vivendo geralmente a profundidades inferiores a 1 metro (frequentemente abaixo de 0,6 metros).
Adapta-se tanto a águas claras quanto turvas. O substrato do fundo varia bastante, incluindo áreas de lama, argila, silte, areia, cascalho, rochas e matéria orgânica em decomposição.
- pH: 6.8 a 8.0
- Dureza: 9 a 19 dGH
- Temperatura: 18°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 50 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.
Apesar de seu tamanho diminuto, deve haver bastante espaço para as fêmeas e os machos subdominantes escaparem das perseguições libidinosas dos machos reprodutores.
Estes peixes não são exigentes no que diz respeito à decoração de um aquário, embora plantas de folhas finas possam ser danificadas. Plantas de plástico e plantas maiores e com caules grossos são seguras e oferecem uma grande cobertura para peixes e alevinos subdominantes. A adição de musgo oferecerá esconderijos ainda para os alevinos.
Como a água em que habita é muitas vezes rasa, a espécie desenvolveu uma excelente tolerância às mudanças de temperatura. Muitos criadores relataram que os peixes apresentam melhor saúde quando são submetidos a baixa temperatura temporariamente durante o inverno. Isto retarda o metabolismo dos peixes e alivia as pressões da reprodução. O pH deve ser mantido preferencialmente um pouco acima do neutro com dureza moderada, embora água levemente ácida seja tolerada.
Comportamento e Compatibilidade: São pacíficos e devem ser mantidos em quantidade maior de fêmeas do que machos em vista a perseguição constante dos machos para se reproduzirem. Uma proporção de duas a três fêmeas para cada macho é ideal. Evite peixes significativamente menores ou com nadadeiras longas, que se tornarão o alvo de investidas.
- Área de Natação: Fundo / Meio / Superfície
- Quantidade mínima: Grupo
- Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação
Dentes de formato cônico e intestino curto apontariam para uma natureza principalmente carnívora, ao contrário de muitos outros vivíparos. Na natureza, larvas de insetos e pequenos invertebrados aquáticos constituem a maior parte da dieta, embora este peixe não se oponha a comer alevinos de outras espécies ou mesmo dos seus próprios.
Em aquário, todos os alimentos preparados, vivos e congelados serão consumidos, mas recomenda-se um floco ou pellet de boa qualidade para manutenção geral.
Reprodução
Vivíparo. Em aquário, a maturidade sexual pode ser alcançada dentro de seis a dez semanas e sabe-se que as ninhadas chegam a 20-29 descendentes, mas as fêmeas no seu primeiro ano de reprodução raramente reproduzem mais do que dez alevinos.
Sua reprodução é similar aos Poecilídeos, após o período de gestação, que pode durar até cinquenta dias, fêmeas dão a luz a filhotes já formados.
Como consequência dessa reprodução interna, os splitfins são vivíparos verdadeiros. Dentro do útero da mãe, os embriões desenvolvem estruturas semelhantes a cordões umbilicais chamadas trofotênias. Essas estruturas absorvem nutrientes diretamente do corpo da fêmea, fazendo com que os filhotes nasçam completamente formados, grandes e prontos para nadar.
- Maturidade Sexual: Próximo de 3 a 4 meses
- Cuidado Parental: Não ocorre
Dimorfismo Sexual: Bem evidente. Os machos possuem um gonopódio como outros homônimos. Esta é uma nadadeira anal especialmente modificada, usada como auxiliar na fertilização interna. Os machos maduros também apresentam um halo dourado ao redor da nadadeira caudal, tamanho menor e cor geral mais escura. As fêmeas apresentam uma cor olivácea consistente no corpo e muitas vezes são maiores que os machos, principalmente quando carregam alevinos.
Nos machos da família Goodeidae, a nadadeira anal é dividida em duas partes bem distintas devido a uma especialização evolutiva: Os primeiros 6 a 7 raios anteriores da nadadeira são mais curtos, rígidos e ficam ligeiramente separados do restante da nadadeira por uma pequena fenda ou incisura. Essa parte frontal modificada forma uma estrutura anatômica chamada andropódio.

Referências
- Domínguez-Domínguez, O., R. Pérez-Rodríguez and I. Doadrio, 2008. Morphological and genetic comparative analyses of populations of Zoogoneticus quitzeoensis (Cyprinodontiformes: Goodeidae) from central Mexico, with description of a new species. Revista Mexicana de Biodiversidad
- Ramírez-García, A., K.R. Piller, J.P. Ramírez-Herejón, M. Medina-Nava, R. Hernández-Morales and O. Domínguez-Domínguez, 2020. Reproductive biology of three native livebearer fish species (Actinopterygii: Cyprinodontiformes: Goodeidae) in the Teuchitlán River, Mexico. Acta Ichthyol. Piscat.
- Zoogoneticus tequila em Goodeid Working Group
Publicado em Setembro/2026