Copeína de barriga Vermelha (Copella compta) | Ficha técnica

Foto de Russell Richardson – CC BY 3.0

Taxonomia

Nome Científico: Copella compta (Myers, 1927)

Ordem: Characiformes — Família: Lebiasinidae

Nome Popular: Copeína de barriga vermelha — Inglês: Redbellied copella

Etimologia: Copella, diminutivo do nome genérico Copeina em homenagem ao paleontólogo, anatomista, herpetólogo e ictiólogo americano Edward Drinker Cope (1840–1897).

Compta: Vem do latim comptus, que significa “enfeitado”, “adornado” ou “elegante”. É uma referência às cores vibrantes e às manchas vermelhas que os machos adultos apresentam na região ventral e nas nadadeiras.

Sinônimos: Copeina compta


Distribuição & Habitat

Distribuído nativamente na América do Sul, com registros concentrados principalmente na bacia do alto Rio Negro e na bacia do Rio Orinoco.

Países: Brasil, Colômbia e Venezuela. No Brasil é nativo do estado do Amazonas.

Habitat: Ocorre em riachos de águas negras ou claras simpatricamente com Neon verde, Paracheirodon simulans, onde comumente são coletados para o mercado de aquarismo.

pH: 5.0 a 7.0 — Dureza: 1 a 4

Temperatura: 22°C a 29°C


Descrição

Foi descoberto pelo biólogo e explorador Dr. Carl Ternetz, que coletou os primeiros exemplares em um riacho acima das corredeiras de São Gabriel da Cachoeira, no Rio Negro, no Brasil.

Com base nessas amostras, o ictiólogo americano George S. Myers descreveu a espécie cientificamente em 1927. Inicialmente, Myers classificou o peixe dentro de um gênero já existente, batizando-o de Copeina compta.

Ao aprofundar os estudos sobre o grupo, Myers percebeu que o Copeina compta e algumas outras espécies possuíam uma anatomia bucal e maxilar bastante distinta.

Em 1956, o cientista criou oficialmente um novo gênero chamado Copella. A espécie foi designada como a espécie-tipo do gênero — ou seja, ele passou a ser o exemplar padrão de referência biológica para determinar o que define qualquer outro peixe do grupo Copella.

Esta espécie possui um corpo extremamente alongado, esguio e cilíndrico (frequentemente chamado de “formato de lápis” ou “fusiforme”). A nadadeira dorsal é posicionada muito recuada no corpo, localizada quase diretamente acima da nadadeira anal. Essa anatomia joga a força propulsora para a traseira do peixe, facilitando os seus famosos saltos fora d’água.

Apresenta uma boca virada para cima (superior) com uma curvatura anatômica exclusiva no maxilar (em formato de “S”), ideal para capturar insetos na superfície da água.

O corpo tem uma base que varia do prateado ao oliva-esverdeado claro, com o dorso exibindo tons mais escuros de cinza ou marrom. Diferente de outros parentes do gênero, esta espécie não possui manchas escuras nas fileiras principais de escamas. Em vez disso, os machos adultos desenvolvem um padrão exuberante com salpicos e pontuações vermelhas intensas ao longo dos flancos e na região ventral (daí o nome Redbellied copella)

A família Lebiasinidae está incluída na ordem Characiformes e, por vezes, é dividida nas subfamílias nominais Lebiasininae e Pyrrhulininae, embora não tenha havido uma revisão importante do agrupamento nos últimos anos.

Os gêneros Copella e Copeina estão estreitamente relacionados com o gênero Pyrrhulina devido aspectos morfológicos.

Tamanho adulto: 5 cm

Expectativa de vida: 3 a 5 anos


Manutenção em aquário

Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.

O aquário deverá possuir preferencialmente plantas altas ou de superfície. Plantas flutuantes são particularmente benéficas, pois proporcionam abrigo e simulam o habitat natural do peixe. Um substrato escuro e iluminação fraca ajudarão a realçar as cores.

Como a maioria dos peixes do gênero, é intolerante ao acúmulo de poluentes orgânicos e requer água limpa, o que significa que trocas semanais de água devem ser consideradas e nunca deve ser introduzido em um aquário biologicamente imaturo.

É uma espécie que passa a maior parte de seu tempo na superfície, por isso o aquário deve ser mantido bem tampado, pois a espécie tem o hábito de pular para fora.

Comportamento e Compatibilidade: De comportamento pacífico e que deve ser mantido com peixes igualmente pacíficos e de mesmo porte. De hábito gregário, como tal deve ser mantido em maior número possível para que mostrem seu comportamento natural e sua coloração fique mais acentuada.

  • Área de Natação: Superfície
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

É um micropredador se alimentando naturalmente de vermes, insetos e pequenos crustáceos, especialmente pequenos insetos que caem na superfície da água. Em aquário aceitará alimentos vivos e secos sem dificuldade.


Reprodução

Ovíparo. Assim como outros membros do seu gênero, ele utiliza uma estratégia reprodutiva única chamada desova aérea, saltando completamente fora da água para proteger seus ovos de predadores aquáticos.

Quando o casal está pronto para procriar, o macho e a fêmea começam a nadar lado a lado logo abaixo da superfície da água, escolhendo uma folha de planta pendente que esteja posicionada a poucos centímetros acima da linha da água.

O casal salta junto e simultaneamente para fora da água. Eles se fixam de cabeça para baixo na folha úmida (geralmente por apenas dois ou três segundos). A fêmea libera uma pequena quantidade de ovos adesivos e o macho os fertiliza instantaneamente antes de ambos caírem de volta na água.

Esse processo de salto é repetido dezenas de vezes até que uma ninhada de 50 a 100 ovos esteja colada na folha.

Assim que a desova termina, a fêmea se afasta e o macho assume a responsabilidade total pela sobrevivência dos ovos através de um método engenhoso:

  • Espirrando Água: O macho permanece posicionado na água logo abaixo da folha. A intervalos regulares (a cada poucos minutos), ele bate a sua nadadeira caudal na superfície, espirrando gotículas de água para o alto para manter os ovos constantemente úmidos.
  • Proteção: Sem essa hidratação manual e contínua do pai, os ovos secariam sob o calor do ambiente e morreriam.

Um casal pode depositar ovos em vários lugares ou um único macho pode desovar com várias fêmeas. Assim como acontece com outras espécies de Copella, o crescimento dos alevinos é bastante lento.

Dependendo da temperatura da água (idealmente entre 24°C e 28°C), os ovos eclodem em cerca de 36 a 72 horas.

Ao nascerem, as larvas rompem a membrana do ovo e caem direto na água, onde buscam refúgio imediato na vegetação marginal ou em folhas caídas no fundo do rio (folhiço).

Dimorfismo Sexual: Machos adultos são maiores, mais coloridos e possuem nadadeiras mais longas. As fêmeas tendem a ter forma do corpo mais roliça, especialmente quando estão em época de reprodução.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 8 meses +
  • Cuidado Parental: Ocorre parcialmente

Referências

  • Géry, J., 1977. Characoids of the world. Neptune City ; Reigate : T.F.H. [etc.]; 672 p. : ill. (chiefly col.)
  • Weitzman, M. and S.H. Weitzman, 2003. Lebiasinidae (Pencil fishes). p. 241-251. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
  • Marinho, Manoela & Menezes, Naercio. (2017). Taxonomic review of Copella (Characiformes: Lebiasinidae) with an identification key for the species. PLOS ONE. 12. 10.1371/journal.pone.0183069.

Publicado em Setembro/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site que acabou se tornando outro hobby: escrever sobre peixes ornamentais.

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