Copeína de Faixa Preta (Copella nigrofasciata) | Ficha técnica

Foto cedida gentilmente por Peter and Martin Hoffman (c)

Nome CientíficoCopella nigrofasciata (Meinken, 1952)

Ordem: Characiformes — Família: Lebiasinidae

Nome popular: Copeína/Copella de Faixa Preta — Inglês: Blackband copella

Distribuição: América do Sul; bacia superior do Rio Amazonas, de Manaus até o Rio Ucayali

Etimologia: Copella, diminutivo do nome genérico Copeina em homenagem ao paleontólogo, anatomista, herpetólogo e ictiólogo americano Edward Drinker Cope (1840–1897). Nigrofasciata latim niger que significa “negro” ou “preto” e fasciatus também do latim que significa “com faixas” ou “listrado”.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)

Sinônimos: Pyrrhulina nigrofasciata


Descrição

Possui um corpo consideravelmente alongado, cilíndrico e aerodinâmico, típico dos peixes da família Lebiasinidae (como as copeínas e peixes-lápis). Sua principal marca característica morfológica é uma linha preta contínua bem visível que se estende desde a ponta do focinho (mandíbula), passa pelo olho e percorre toda a lateral do corpo até o pedúnculo caudal (base da cauda).

Apresenta uma série de pequenos pontos claros/brilhantes bem evidentes nas escamas ao longo de sua quarta fileira longitudinal. Esses pontos nas laterais costumam exibir reflexos avermelhados atraentes.

Descrito a partir de espécimes coletados para fins ornamentais, supostamente provenientes da Amazônia peruana.

O gêneros Copella e Copeina estão estritamente relacionados com o gênero Pyrrhulina devido aspectos morfológicos parecidos, mas possuem diferenças anatômicas cruciais e comportamentos reprodutivos únicos.

Algumas espécies do gênero Copella, como a Copella arnoldi (conhecida como Splash Tetra), saltam fora da água com a fêmea para colocar os ovos na parte inferior de folhas suspensas. Já o gênero Pyrrhulina possui uma reprodução mais convencional para a família. Eles desovam estritamente dentro da água, fixando os ovos em folhas de plantas submersas, raízes ou diretamente no substrato.

Anatomicamente são diferentes. Copella possui um corpo consideravelmente mais esguio, cilíndrico e alongado. A distância entre as suas narinas anteriores e posteriores é maior do que na maioria dos outros gêneros da família. Apresentam quase sempre uma mancha negra bem definida na nadadeira dorsal. Seu tamanho adulto varia entre 3 a 5 cm em média.

Enquanto o gênero Pyrrhulina apresenta o corpo visivelmente mais robusto, alto e levemente comprimido nas laterais. Suas nadadeiras tendem a ser um pouco mais curtas e arredondadas em comparação com o perfil aerodinâmico e alongado das nadadeiras dos machos de Copella. Seu tamanho adulto varia entre 5 a 8 cm.

  • Tamanho Adulto: 4 a 5 cm
  • Expectativa de Vida: 3 a 5  anos +

Distribuição e Habitat

Está concentrada inteiramente na América do Sul, cobrindo uma vasta área da Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas.

Países: Brasil e Peru.  No Brasil é nativo dos estados do Amazonas, Pará e Rondônia.

Ambiente: Água doce

Habitat: Ocorre principalmente em riachos florestais e pequenos afluentes com vegetação rasteira. Como passam quase todo o tempo na superfície da água, ficam abrigadas entre macrófitas e plantas flutuantes para se proteger de predadores e capturar pequenos insetos que caem na água.

  • pH: 6.0 a 7.4
  • Dureza: –
  • Temperatura: 22°C a 29°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.

O aquário deverá possuir preferencialmente plantas altas ou de superfície. Plantas flutuantes são particularmente benéficas, pois proporcionam abrigo e simulam o habitat natural do peixe. Um substrato escuro e iluminação fraca ajudarão a realçar as cores.

Como a maioria dos peixes do gênero, é intolerante ao acúmulo de poluentes orgânicos e requer água limpa, o que significa que trocas semanais de água devem ser consideradas e nunca deve ser introduzido em um aquário biologicamente imaturo.

É uma espécie que passa a maior parte de seu tempo na superfície, devendo manter o aquário bem tampado, pois possui hábito de pular para fora.

Comportamento e Compatibilidade: É uma espécie de comportamento pacífico que deve ser mantido com peixes igualmente pacíficos e de mesmo porte. De hábito gregário, como tal deve ser mantido em maior número possível para que mostrem seu comportamento natural e sua coloração fique mais acentuada.

  • Área de Natação: Superfície
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

É um micro predador se alimentando naturalmente de vermes, insetos e pequenos crustáceos, especialmente pequenos insetos que caem na superfície da água. Em aquário aceitará alimentos vivos e secos sem dificuldade.


Reprodução

Ovíparo. O macho escolhe um território e usa suas nadadeiras para cavar uma pequena depressão (cova) no substrato de areia. Ele limpa a área e começa a se exibir de forma vigorosa para atrair a fêmea.

Quando a fêmea aceita, o macho se posiciona ao lado e ligeiramente abaixo dela. Ele usa sua nadadeira anal para criar uma espécie de “bolsa” ou encaixe temporário logo abaixo da abertura genital da fêmea.

A fêmea libera os ovos dentro dessa bolsa, onde o macho os fertiliza imediatamente. Em seguida, eles deixam os ovos caírem cuidadosamente dentro da cova de areia previamente cavada. Uma única desova pode render até 300 ovos.

Logo após a desova, o macho assume total responsabilidade pelo ninho. Ele se torna territorial e afasta a fêmea e qualquer outro peixe que se aproxime. Os ovos eclodem muito rápido, geralmente entre 24 e 48 horas (dependendo da temperatura da água, idealmente mantida por volta de 26°C).

O macho continua guardando os filhotes até que o saco vitelino seja totalmente absorvido e eles comecem a nadar livremente pela coluna d’água (o que leva mais alguns dias). A partir desse momento, os alevinos tornam-se independentes.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 8 meses +
  • Cuidado Parental: Ocorre parcialmente

Dimorfismo Sexual: Evidente com machos sendo maiores e nadadeiras mais longas, além de apresentarem cores mais intensas. Fêmeas são menores e visivelmente mais encorpadas (salientes/roliças).


Referências

  • Eschmeyer, W.N., 1996. PISCES. The information in FishBase was derived by comparing FishBase with a preliminary version 2.0 of Eschmeyer’s PISCES database, published on the Internet in November 1996
  • Ortega, H. and R.P. Vari, 1986. Annotated checklist of the freshwater fishes of Peru. Smithson. Contrib. Zool.
  • Rosa, D.C.O., B.E. Soares, M.P. Albrecht and E.P. Caramaschi, 2016. Length-weight relationship of 10 freshwater fish species in Amazonian streams, Trombetas River basin (Brazil). J. Appl. Ichthyol.
  • Weitzman, M. and S.H. Weitzman, 2003. Lebiasinidae (Pencil fishes). p. 241-251. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.

Publicado em Setembro/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site que acabou se tornando outro hobby: escrever sobre peixes ornamentais.

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