Traíra, Taraira (Hoplias malabaricus)

Hoplias-malabaricus

Hoplias malabaricus (Bloch, 1794)

Nome Popular: Traíra, Taraíra — Inglês: Trahira, Tiger characin

Família: Erythrinidae (Erythrinídeos)

Origem: América Central e América do Sul, desde Costa Rica até Argentina

Tamanho Adulto: 55 cm (comum: 40 cm)

Expectativa de Vida: 10 anos +

Temperamento: Pacífico, predador

Aquário Mínimo: 100 cm X 40 cm X 50 cm (200 litros)

Temperatura: 22°C a 28°C

pH: 5.0 a 8.o – Dureza: indiferente

Visão Geral

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Encontrado na América Central e América do Sul, desde Costa Rica até Argentina. No Brasil é encontrado em quase todas bacias, incluindo Bacia Amazônica, Araguaia-tocantins, São Francisco, Prata, Paraná e Atlântico Sul. Habita águas paradas, lagos, lagoas, brejos, matas inundadas, e em córregos e igarapés, geralmente entre as plantas aquáticas.

Variando a região, é conhecido por inúmeros nomes populares como: Cipó de Viúva, Dorme-Dorme, Lobo, Lolaia, Peixe Preto, Robafo, Sabira, Taraira, Traíra, Trairitinga. Em inglês é conhecido como Trahira, Guabine, Tararura, Tiger characin, Tigerfish e Wolf fish.

Apresenta poderosos e afiados dentes e seu corpo é coberto com grossas escamas cicloides e abundante camada de muco que protege contra parasitas externos como sanguessugas; cabeça grande e bem ossificada; sua musculatura é adaptada a natação curta e veloz, composta pode poderosas fibras brancas que não acumulam gordura.

Sua aparência e fisiologia estão adaptadas para caça em água pouco oxigenada; pedúnculo caudal é musculoso e poderoso, combinando eficientemente com seu metabolismo anaeróbio, permitindo rápidas reações em frações de segundos. Sua coloração é marrom na região dorsal com manchas pelo flanco; sua coloração pode variar de acordo com ambiente e estado emocional do peixe, podendo possuir abundância de cromatóforos ou não.

Possui aparelho digestivo adaptado a dieta piscívora, independente de seu estágio ontogenético. Predador solitário e voraz, comumente encontrado entre raízes e plantas aquáticas, onde fica a espreita de suas presas, sendo mais ativo durante período noturno. Possui diversos atributos que lhe atribui ser um dos mais respeitados predadores aquáticos com dentes afiados, poderosas mandíbulas, musculatura adaptada a natação curta e veloz e eficiente metabolismo anaeróbico. Todos atributos se faz necessário para o tipo de ambiente no qual vive a espécie, onde a relação entre o sucesso na captação de energia é um papel vital.

Seu nome popular (Traíra) é utilizado como gíria no Brasil, para identificar um individuo traidor, que age nas sombras, sorrateiramente delatando ou prejudicando seus colegas, em alusão características carnívoras e à sua predileção pelas sombras e escuridão deste peixe. Nos meses frios se enterram no fundo para suportarem a baixa temperatura da água. Pode ser confundido com o Trairão (Hoplias lacerdae), este último pode chegar a um comprimento de 100 cm, enquanto a Traíra comum raramente passa dos 50 cm. Apesar do excessivo número de espinhos, em algumas regiões é bastante apreciado como alimento.

Aquário & Comportamento

Aquário com dimensões mínimas de 100 cm X 40 cm X 50 cm (200 litros) – O aquário deverá possuir fundo preferencialmente macio de substrato arenoso com bastante vegetação aquática para servir de refúgio. Embora esta espécie atinja um bom tamanho, possui hábitos sedentários não exigindo grande espaço.

Seu comportamento é pacífico, mas são conhecidos por ser intolerante com membros da própria espécie ou estritamente relacionado (vide outras espécies de traíras), podendo ocasionar na morte dos peixes agredidos. Apesar de sua aparência assustadora e respeitável predador, pode ser mantido com peixes de maior porte desde que igualmente pacífico. Peixes menores serão comidos.

Reprodução & Dimorfismo Sexual

Ovíparo. Estabelece ovos em buracos no substrato. Fazem diversas desovas parceladas ao longo da temporada reprodutiva. Ovos são fertilizados na nadadeira anal em forma de concha da fêmea, sendo posteriormente descartados em buraco de cerca de 20cm no substrato, onde o macho os guardará até que as larvas eclodam e evadam para vegetação aquática. Pai cuida da progênie até que larvas eclodam.

Uma curiosidade acerca a espécie, seus ovos podem ser transportados involuntariamente pelas aves aquáticas, e eventualmente podem ficar aderidos as suas penas, patas e bicos, o que explica seu comum surgimento em açudes isolados.

Dimorfismo sexual bastante difícil, não apresenta dimorfismo evidente, embora as fêmeas tendem a ficar com ventre mas desenvolvido em época de reprodução, devido o aumento dos ovários.

Alimentação

Onívoro (essencialmente piscívoro), em seu ambiente natural alimenta-se de peixes, insetos, frutos, sementes, detritos, camarões e outros pequenos invertebrados. Em cativeiro poderá não aceitar alimentos secos, sendo necessário o fornecimento de carnes e alimentos vivos, preferencialmente durante período noturno.

Etimologia: Hoplias palavra grega oplon-opla + sulfixo ias = significa armadura, em alusão a couraça defensiva do crânio ou seus dentes agressivos.

EtimologiaHoplias palavra grega oplon-opla + sulfixo ias = significa armadura, em alusão a couraça defensiva do crânio ou seus dentes agressivos.

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Referências

  1. Baensch, H.A. and R. Riehl, 1985. Aquarien atlas. Band 2. Mergus, Verlag für Natur-und Heimtierkunde GmbH, Melle, Germany. 1216 p.
  2. Riede, K., 2004. Global register of migratory species – from global to regional scales. Final Report of the R&D-Projekt 808 05 081. Federal Agency for Nature Conservation, Bonn, Germany. 329 p.
  3. Zaniboni Filho, E., S. Meurer, O.A. Shibatta and A.P. de Oliverira Nuñer, 2004. Catálogo ilustrado de peixes do alto Rio Uruguai. Floriano?polis : Editora da UFSC : Tractebel Energia. 128 p. :col. ill., col. maps ; 25 cm.
  4. Kenny, JS, 1995. Vista da ponte: um livro de memórias sobre os peixes de água doce de Trinidad. Julian S. Kenny, Maracas, São José, de Trinidad e Tobago. 98 p.
  5. Bussing, WA, 1987. Peces de las aguas Continentales de Costa Rica. Editorial de la Universidad de Costa Rica Ciudad Universitaria Rodrigo Facio. San Jose.
  6. Galvis, G., JI Mojica e M. Camargo, 1997. Peces del Catatumbo. Associação Cravo Norte, Santafé de Bogotá, DC, 188 p.
  7. Breder, CM e DE Rosen, 1966. Modos de reprodução em peixes. TFH Publications, Neptune City, Nova Jersey. 941 p.
  8. Soares, M.G.M., R.G. Almeida and W.T. Tunk, 1986. The trophic status of the fish fauna in Lago Camaleao, a macrophyte dominated floodplain lake in the middle Amazon. Amazoniana, IX(4):511-526.
  9. Teixeira de Mello, F., C. Iglesias, A.I. Borthagaray, N. Mazzeo, J. Vilches, D. Larrea and R. Ballabio, 2006. Ontogenetic allometric coefficient changes: implications of diet shift and morphometric traits in Hoplias malabaricus (Bloch) (Characiforme, Erythrinidae). J. Fish Biol. 69:1770-1778.
  10. Dinâmica da reprodução e crescimento de Hoplias malabaricus (Bloch, 1794) (Osteichthyes, Erythrinidae) da Represa do Monjolinho, São Carlos/SP – Geraldo Barbieri
  11. OCORRÊNCIA DA TRAÍRA HOPLIAS MALABARICUS (BLOCH, 1794) NO PERIODO VERÃO- OUTONO, NA BARRAGEM DO CHASQUEIRO, ARROIO GRANDE- RS. – EINHARDT, Marcos Dinael Schellin; CAVALHEIRO, Anna Carolina Miranda; BRITTO, Aline Conceição Pfaff de; VIANA, Aline Ebeling; PIEDRAS, Sérgio Renato Noguez; POUEY, Juvêncio Luis Fernandes Osório.

Ficha por (Entered by): Edson Rechi — Julho/2014 – Atualização Julho/2016
Colaboradores (collaboration): –

Sobre Edson Rechi 615 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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