Peixe Lápis Anão (Nannostomus marginatus) | Ficha técnica

Nome Científico: Nannostomus marginatus (Eigenmann , 1909)
Ordem: Characiformes — Família: Lebiasinidae
Nome popular: Peixe Lápis Anão, Torpedinho — Inglês: Dwarf pencilfish
Distribuição: América do Sul, baixo e médio rio Amazonas
Etimologia: Nannostomus, vem da junção de duas palavras do grego antigo: Nannos (Significa “pequeno” ou “anão”) + Stoma que Significa “boca”. O termo faz referência à boca reduzida e estreita que das espécies do gênero.
Marginatus, do latim que significa “com bordas” ou “com margens”. Refere-se às listras pretas longitudinais com bordas bem definidas que correm ao longo de todo o corpo do peixe, contrastando com as cores claras.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)
Sinônimos: Nannostomus marginatus picturatus
Descrição
O peixe lápis possui corpo dourado e alongado, cruzado por três faixas pretas horizontais proeminentes. Apresentam marcas e tons avermelhados nas nadadeiras.
Uma das características mais marcantes é a sua camuflagem durante a noite. A listra horizontal escura do corpo desaparece e o peixe assume uma cor muito mais pálida com duas barras verticais.
- Tamanho Adulto: 3,5 cm
- Expectativa de Vida: 3 a 5 anos

Distribuição e Habitat
Possui uma distribuição geográfica muito ampla no norte da América do Sul, abrangendo grande parte da Bacia Amazônica e da Bacia do Rio Orinoco.
Devido a essa imensa extensão territorial, as populações isoladas geograficamente desenvolveram pequenas variações cromáticas ao longo da evolução:
- População do Peru: Costuma exibir uma pigmentação amarelada mais intensa nas áreas claras do corpo.
- População do Suriname: Apresenta uma faixa vermelha centralizada no corpo muito mais viva e destacada.
No Brasil é encontrado em grande parte do médio e baixo do Rio Amazonas, além de importantes afluentes da margem esquerda como o Rio Negro, o Rio Branco, o Rio Japurá e o Rio Trombetas. Na margem direita, há registros marcantes no Rio Juruá.
Países: Brasil, Colômbia, Guiana, Peru e Suriname.
Ambiente: Água doce
Habitat: habita águas negras e igarapés de florestas densas. Suas listras pretas e vermelhas ajudam a camuflá-lo perfeitamente entre os galhos, raízes e folhas mortas submersas..
- pH: 5.8 a 7.4
- Dureza: 1 a 4 dGH
- Temperatura: 24°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.
Substrato preferencialmente arenoso e macio. A decoração poderá conter bastante galhos e raízes, além de folhas secas (como as de amendoeira, goiabeira ou carvalho). À medida que se decompõem, elas liberam taninos, criam um visual selvagem e geram micro-organismos que servem de alimento.
É ideal mantê-los em aquários densamente plantados com iluminação branda e filtragem de baixa movimentação
Costuma nadar na superfície ou meia-água, muitas vezes com o corpo em um ângulo diagonal característico.
Comportamento e Compatibilidade: É uma espécie pacífica, mas bastante tímida. Deve ser mantido em cardumes de pelo menos 6 a 10 indivíduos para reduzir o estresse e exibir seus comportamentos naturais.
Pode ser criado em aquário comunitário com peixes de porte similar e igualmente pacíficos.
- Área de Natação: Meio / Superfície
- Quantidade mínima: Grupo
- Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação
Onívoro com forte tendência micro predadora. Na natureza, ele passa o dia caçando minúsculos organismos na superfície da água e entre a vegetação como micro invertebrados que vivem fixados em superfícies. Ex. Zooplâncton, pequenos crustáceos aquáticos, larvas de insetos e Matéria orgânica vegetal microscópica e algas.
Em cativeiro, eles aceitam alimentos secos com facilidade, mas precisam de uma boa variedade.
Reprodução
Ovíparo. A desova geralmente ocorre pela manhã. O macho corteja a fêmea conduzindo-a para o meio das plantas, onde ela libera cerca de 30 a 50 ovos adesivos.
Os ovos eclodem em cerca de 24 a 36 horas. Após 3 ou 4 dias, os alevinos consumirão o saco vitelino e começarão a nadar livremente.
- Maturidade Sexual: Próximo de 4 a 6 meses
- Cuidado Parental: Não ocorre
Dimorfismo Sexual: machos são mais esguios, têm cores vermelhas muito mais intensas nas nadadeiras (dorsal, anal e ventral) e a listra escura do corpo é mais nítida. Enquanto as fêmeas são visivelmente mais roliças na região ventral (especialmente quando cheias de ovos), com cores ligeiramente mais opacas.

Referências
- Barriga, R., 1991. Peces de agua dulce del Ecuador. Revista de Informacion tecnico-cientifica, Quito, Ecuador, Politecnica
- Eschmeyer, W.N. (ed.), 1998. Catalog of fishes. Special Publication, California Academy of Sciences, San Francisco. 3 vol
- Nomura, H., 1984. Nomes científicos dos peixes e seus correspondentes nomes vulgares. In H. Nomura (ed.). Dicionário dos peixes do Brasil. Editerra, Brasília, Brasil
- Porto, J.I.R., E. Feldberg, C.M. Nakayama and J.N. Falcao, 1992. A checklist of chromosome numbers and karyotypes of Amazonian freshwater fishes. Rev. Hydrobiol. Trop.
- Robins, C.R., R.M. Bailey, C.E. Bond, J.R. Brooker, E.A. Lachner, R.N. Lea and W.B. Scott, 1991. World fishes important to North Americans. Exclusive of species from the continental waters of the United States and Canada. Am. Fish. Soc. Spec. Publ.
- Weitzman, M. and S.H. Weitzman, 2003. Lebiasinidae (Pencil fishes). p. 241-251. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
- Peixe Lápis Anão (Nannostomus marginatus) em O pulo do Góbio
Publicado em Junho/2026