Catopra Dourada (Pristolepis rubripinnis) | Ficha técnica

Espécime adulto em aquário com cerca de 18 cm. Foto de Paul V. Loiselle (CCBY-NC)

Nome Científico: Pristolepis rubripinnis (Britz, Kumar)

Ordem: Anabantiformes — Família: Pristolepididae

Nome popular: Catopra Dourada — Inglês: Red-finned catopra

Distribuição: Ásia: Rios Pamba e Chalakudy em Kerala, Índia.

Etimologia: Pristolepis, do grego pristis que significa “serra” + lepis que significa “escama”. Significado literal: “Escama de serra”. É uma referência direta às escamas ctenoides desse gênero de peixe, que possuem pequenas projeções espinhosas na borda posterior, conferindo-lhes uma textura serrada ou áspera.

Rubripinnis, vem da união de duas palavras do latim: ruber (rubra, rubrum) significa “vermelho” + pinn significa “asa” ou, no contexto da ictiologia, “nadadeira”. O nome foi escolhido pelos pesquisadores para destacar a coloração vermelho alaranjada de suas nadadeiras.

Status de Conservação (IUCN Red List): Quase ameaçada (2026)

Sinônimos: –


Descrição

Seu corpo tem um formato ovalado, sendo bastante curto, alto e fortemente comprimido nas laterais. A coloração apresenta tons que variam do oliva acinzentado ao marrom oliva, escurecendo na região do dorso e clareando em direção ao ventre (que exibe tons beges).

Ao contrário de outras espécies do mesmo gênero (como o Pristolepis fasciata), não possui listras ou barras verticais proeminentes marcadas no corpo. O traço mais marcante da espécie é a forte pigmentação vermelho alaranjada nas porções moles das nadadeiras dorsal, anal e caudal. Já as nadadeiras pélvicas variam de um tom amarelo a laranja.

Passa longos períodos imóvel no meio da vegetação aquática (similar ao Peixe Folha), de troncos ou de rochas. Ele utiliza sua coloração camuflada para passar despercebido e surpreender pequenas presas, como crustáceos, larvas de insetos e peixes menores.

Por habitar uma área geográfica tão limitada e sofrer com a degradação ambiental desses rios, a espécie está classificada como Quase Ameaçada (NT) na Lista Vermelha da IUCN.

  • Tamanho Adulto: 20 cm (Comum 13 cm)
  • Expectativa de Vida: 5 anos +
Espécime adulto capturado em Kerala (Índia) com 77,5g. Foto Via Instagram @high_altitude_tv

Distribuição e Habitat

Nativo dos Gates Ocidentais (Western Ghats), uma cadeia de montanhas no sul da Índia. Ele é encontrado apenas no estado de Kerala.

Países: Endêmico da Índia

Ambiente: Água doce

Habitat: Ocorre principalmente rios de fluxo lento, riachos, lagoas e poças profundas dentro de suas bacias nativas. Prefere áreas com abundante vegetação ciliar, margens arborizadas, troncos submersos e estruturas rochosas. Esses locais servem como refúgio contra predadores e zonas de caça.

  • pH: 6.0 a 7.2
  • Dureza: 4 a 12 dGH
  • Temperatura: 22°C a 28°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 200 litros com comprimento mínimo de 100 cm e 50 cm de largura desejável para um único exemplar. Para aquário comunitário considere mínimo de 400L.

O aquário deve replicar o ambiente de rios de floresta. Utilize troncos, raízes retorcidas, rochas e plantas altas resistentes (como Anubias e Microsorum). Prefira uma luz moderada a fraca. O uso de plantas flutuantes ajuda a criar zonas de sombra, aumentando a sensação de segurança do animal.

Na natureza, vive de forma solitária ou em pequenos grupos muito dispersos. Em ambientes confinados (como aquários), o comportamento intolerante exige muito espaço e muitas barreiras visuais para evitar combates. Elementos decorativos devem quebrar a linha de visão direta no aquário. Isso ajuda a reduzir a agressividade territorial do peixe.

Comportamento e Compatibilidade: Quando jovens, podem ser ligeiramente mais tolerantes, mas à medida que amadurecem e se tornam adultos (atingindo entre 15 e 20 cm), tornam-se territoriais e agressivos com membros da mesma espécie ou peixes de formato semelhante.

Evite criar com peixes muito pequenos, pois serão devorados. Também evite peixes excessivamente agitados ou agressivos. Companheiros ideais são peixes robustos de médio a grande porte que ocupam a superfície do aquário, ou cascudos e peixes de fundo que não competem pelo mesmo espaço de meia-água.

  • Área de Natação: Meio
  • Quantidade mínima: Sozinho ou Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil
Espécime sub adulto capturado em Kerala (Índia) — Foto de Shaji C.P. (CCBY)

Alimentação

Carnívoro, naturalmente se alimenta de insetos, larvas, crustáceos e pequenos peixes. Pode ser difícil adaptá-lo a rações secas no início, porém possível. Ofereça alimentos vivos ou congelados, como artêmias adultas, bloodworms, tubifex, camarões picados e pequenos grilos.


Reprodução

Ovíparo. A reprodução em cativeiro é extremamente rara, mas o comportamento reprodutivo do gênero é documentado por biólogos. Eles seguem um padrão de desova muito semelhante ao de muitos peixes da família dos ciclídeos, baseado na construção de ninhos e cuidado parental.

Ocorre um longo ritual de cortejo. O casal exibe tremores corporais intensos e breves contatos físicos para avaliar a recepção do parceiro. O macho escolhe e limpa um território no fundo do aquário. Ele costuma construir um ninho em formato de cova utilizando pedregulhos, cascalho ou limpando uma superfície rochosa plana.

A fêmea visita o ninho repetidas vezes ao longo de algumas horas. Ela nada lado a lado com o macho, liberando pequenas cargas de ovos adesivos que o macho fertiliza imediatamente.

O macho assume total responsabilidade pelos ovos. Ele guarda o ninho com extrema agressividade, oxigena os ovos abanando as nadadeiras e remove detritos ou ovos inférteis.

Após o nascimento, o macho continua protegendo as larvas até que elas consumam o saco vitelino e nadem livremente.

  • Maturidade Sexual: A maturidade sexual ainda carece de dados específicos publicados por pesquisadores ou tabelados em bases oficiais. Estima-se que a espécie alcance a maturidade quando atinge cerca de 60% a 70% do seu tamanho máximo ou 10 a 12 meses de idade.
  • Cuidado Parental: Ocorre

Dimorfismo Sexual: Não existem diferenças visíveis entre machos e fêmeas. Durante o período de reprodução, a fêmea apresenta a região ventral visivelmente mais roliça e cheia devido ao desenvolvimento dos ovos. O macho pode desenvolver uma pequena papila genital pontiaguda.


Referências

Britz, R., K. Kumar and F. Baby, 2012. Pristolepis rubripinnis, a new species of fish from southern India (Teleostei: Percomorpha; Pristolepididae).

Plamoottil, M., 2017. Pristolepis procerus (Perciformes: Pristolepididae), a new fish species from Kerala, India. European Journal of Zoological Research

Studies on the reproductive behaviour of the common catopra, Pristolepis marginata Jerdon (Nandidae-Perciformes) under captive conditions — T. V. Anna Mercy (Kerala University of Fisheries and Ocean Studies)

Pristolepis fasciata em https://animalia.bio/

Publicado em Setembro/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site que acabou se tornando outro hobby: escrever sobre peixes ornamentais.

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