Gourami Coaxante (Trichopsis vittata) | Ficha técnica

Espécime coletado na província de Narathiwat (Tailândia) — Foto de Piya Pong (CCBY-NC)

Nome Científico: Trichopsis vittata (Cuvier, 1831)

Ordem: Anabantiformes — Família: Osphronemidae

Nome popular: Gourami Coaxante — Inglês: Croaking gourami, Talking gourami

Distribuição: Sudeste asiático

Etimologia: Trichopsis derivado do grego antigo thrix (cabelo) + opsis (aparência ou aspecto), em referência aos prolongamentos filamentosos das nadadeiras, mais visíveis nos machos. Vittata derivado do latim vittatus, que significa “bandado” ou “com faixas”, fazendo alusão às listras longitudinais escuras presentes no corpo do peixe.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)

Sinônimos: Trichopus striatus, Ctenops vittatus, Osphromenus vittatus


Descrição

O Gourami falante possui corpo alongado e lateralmente comprimido, típico dos pequenos peixes labirintídeos. A nadadeira anal é longa e se estende por grande parte do corpo. Os primeiros raios das nadadeiras pélvicas são modificados em filamentos táteis finos e alongados.

Apresenta de 2 a 4 linhas horizontais escuras (castanhas ou pretas) ao longo dos flancos. A linha central cruza o olho, partindo da boca até a nadadeira caudal. Sua coloração varia do marrom claro ao verde-oliva e roxo, exibindo reflexos iridescentes sob boa iluminação. Há uma mancha preta bem visível logo acima da base das nadadeiras peitorais.

Pode respirar oxigênio atmosférico através de seu órgão acessório conhecido como labirinto. Este órgão é formado por uma modificação no primeiro arco branquial, altamente vascularizado e ricamente irrigado por vasos sanguíneos, que faz com que o ar passe bem próximo da corrente sanguínea, proporcionando a troca de oxigênio com o sangue por meio de difusão.

A estrutura do órgão varia de complexidade entre as espécies, tendendo a ser mais desenvolvido em espécimes que habitam ambiente privado de oxigênio.

As espécies de Trichopsis são capazes de produzir sons por meio de um mecanismo peitoral especializado que é único dentro da família Osphronemidae. A estrutura compreende tendões e músculos modificados da nadadeira peitoral que são esticados de forma semelhante às cordas de violão. As nadadeiras peitorais batem alternadamente, cada uma capaz de gerar rajadas curtas ou longas de som.

Esses sons são produzidos por ambos os sexos, predominantemente durante interações agnósticas e nupciais, e diferem em parâmetros temporais, frequência e pressão entre as espécies.

  • Tamanho Adulto: Entre 5 a 7 cm
  • Expectativa de Vida: 3 a 5 anos +

Distribuição e Habitat

Abrange majoritariamente o Sudeste Asiático e a região da Sonda (Sundaland), mas com populações introduzidas em outras partes do mundo devido ao mercado de aquarismo.

Países: Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Tailândia, Vietnã. Introduzido nos EUA.

Ambiente: Água doce

Habitat: Ocorre em habitats de águas rasas, lentas ou paradas, com muita vegetação. Comum em todo o médio e baixo Mekong. Encontrado em campos alagados no médio Mekong.

  • pH: 6 a 7
  • Dureza: –
  • Temperatura: 22°C a 28°C
Espécime adulto em seu ambiente natural na província de Nakhon Nayok (Tailândia) — Foto de Woraphot Bunkhwamdi (CCBY-NC)

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 40 litros com comprimento mínimo de 40 cm e 30 cm de largura desejável.

Aquário com muitas plantas e iluminação moderada é indicado para a espécie. Importante evitar fluxo forte na água e o aquário deve ter bastante esconderijos.

Comportamento e Compatibilidade: São peixes pacíficos e tímidos. Não os coloque com peixes rápidos, agressivos ou muito grandes. Pequenas Rasboras, Tetras, Corydoras e outros peixes de tamanho diminuto e comportamento calmo são ideais para coabitar no mesmo aquário.

  • Área de Natação: Meio / Superfície
  • Quantidade mínima: Casal ou Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

Onívoro. Se alimenta naturalmente de zooplâncton, crustáceos e larvas de insetos. Em aquário aceitará prontamente alimentos secos e vivos.


Reprodução

Ovíparo. O macho escolhe um local calmo sob uma folha ou planta flutuante e começa a soltar bolhas de ar revestidas de muco, formando um ninho compacto. O macho exibe suas nadadeiras e emite estalos sonoros intensos para atrair a fêmea até o ninho.

Abaixo do ninho, o macho envolve o corpo da fêmea em um “abraço nupcial”, virando-a de cabeça para baixo para espremer e fertilizar os ovos. Os ovos afundam ou flutuam devagar. O macho (e às vezes a fêmea) recolhe cada ovo com a boca e os cospe cuidadosamente dentro do ninho de bolhas. O processo se repete várias vezes.

O macho se torna altamente agressivo para proteger o ninho e pode machucá-la. Ele cuida sozinho do ninho, recolocando as bolhas e os ovos que caem. Os ovos eclodem em cerca de 24 a 36 horas.

Os alevinos começam a nadar livremente geralmente após 3 a 4 dias quando cessará o cuidado paternal.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 4 a 6 meses
  • Cuidado Parental: Ocorre parcialmente

Dimorfismo Sexual: Machos apresentam as nadadeiras dorsal, anal e caudal visivelmente mais longas, pontiagudas e ramificadas. Os filamentos táteis das pélvicas são mais extensos. Enquanto nas fêmeas são mais curtas e arredondadas, sem prolongamentos filamentosos evidentes.

A região abdominal é linear e compacta no macho é linear e fêmea possui o ventre bem mais roliço e volumoso quando maduras.

Em relação ao comportamento, os machos são os principais emissores dos estalos sonoros altos para defender território e atrair parceiras. Exibem as nadadeiras abertas com frequência. Fêmeas são mais silenciosas e discretas, evitam disputas territoriais diretas.


Referências

Rainboth, W.J., 1996. Fishes of the Cambodian Mekong. FAO species identification field guide for fishery purposes. FAO, Rome

Huang, C.-Y., C.-P. Lin and H.-C. Lin, 2011. Morphological and biochemical variations in the gills of 12 aquatic air-breathing anabantoid fish. Physiological and Biochemical Zoology

Britz, R. and J.A. Cambray, 2001. Structure of egg surfaces and attachment organs in anabantoids. Ichthyol. Explor. Freshwat.

Müller, J.: et al., 2022. Air breathing among fishes: an updated and annotated checklist. To be published. Currently, data entered from a draft, with original source references.

Sidthimunka, A., 1973. Length-weight relationships of freshwater fishes of Thailand. International Center for Aquaculture Research and Development Series

Publicado em Agosto/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site que acabou se tornando outro hobby: escrever sobre peixes ornamentais.

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