Myers cichlid (Caquetaia myersi) | Ficha técnica

Nome Científico: Caquetaia myersi (Schultz, 1944)
Ordem: Cichliformes — Família: Cichlidae
Nome popular: Myers cichlid
Distribuição: América do Sul; Bacia do rio Amazonas
Etimologia: Caquetaia é derivado do nome do Rio Caquetá na bacia amazônica, com o sufixo latino -ia que denota substantivo geográfico ou taxonômico.
Myersi, epíteto em homenagem a George Sprague Myers (1905–1985), especialista em peixes e anfíbios da Universidade de Stanford, foi o primeiro a observar que esta espécie de ciclídeo era distinta, embora não a tenha descrito formalmente.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)
Sinônimos: Caquetaia amploris, Petenia myersi
Descrição
Apresenta corpo ovalado e comprimido lateralmente com coloração amarelada a dourada, que brilha sob iluminação adequada. Listras verticais escuras difusas e uma grande mancha preta no meio do corpo. Olhos proeminentes, grandes e avermelhados, posicionados para focar em presas em movimento.
É um predador de emboscada altamente especializado, conhecido por sua anatomia adaptada e comportamento furtivo. Fica imóvel entre galhos e plantas aguardando a aproximação da presa e usa suas cores e manchas para se camuflar no ambiente iluminado pelo sol.
Possui mandíbula protrátil que se projeta para frente em frações de milissegundos, criando uma pressão que puxa a presa pra dentro da boca. Consegue capturar presas a uma distância surpreendente do corpo.
- Tamanho Adulto: 19 cm
- Expectativa de Vida: 5 anos +

Distribuição e Habitat
Bacia hidrográfica do Rio Amazonas. Entre os principais rios estão o Rio Caquetá e Rio Putumayo.
Países: Colômbia e Equador
Ambiente: Água doce
Habitat: Prefere as áreas calmas próximas às margens dos rios (quebradas) e lagoas de inundação. Vive sob a proteção de galhos caídos, folhagem em decomposição e raízes de árvores ciliares. Embora habite a bacia amazônica, é frequentemente encontrado em sistemas de águas claras ou ligeiramente misturadas com águas negras quentes.
- pH: 6.5 a 7.5
- Dureza: –
- Temperatura: 22°C a 30°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 200 litros com comprimento mínimo de 100 cm e 50 cm de largura desejável.
Use troncos grandes (driftwood) e rochas lisas e pesadas para criar barreiras visuais e esconderijos. Como são peixes fortes e que podem cavar (especialmente na época de reprodução), os troncos e pedras devem estar bem apoiados diretamente no vidro do fundo, e não sobre a areia, para evitar desabamentos.
Comportamento e Compatibilidade: Ao contrário de outros ciclídeos predadores (como os Petenia ou alguns Cichla), esta espécie é relativamente pacífica com peixes que não caibam em sua boca. Ele não costuma arrumar brigas por dominância pura, a menos que seu espaço seja invadido ou em época de reprodução.
A agressividade aumenta drasticamente contra membros da mesma espécie, especialmente se o aquário for pequeno ou se não houver barreiras visuais. Companheiros ideais são Cascudos e bagres de porte médio a grande, além de Lambaris e Pacus de tamanho médio.
- Área de Natação: Fundo / Meio
- Quantidade mínima: Casal ou Sozinho
- Nível de dificuldade: Fácil
Alimentação
Estritamente carnívoro e piscívoro na natureza, adaptado para consumir alimentos vivos através do seu mecanismo de sucção a vácuo. Baseada estritamente em pequenos peixes e invertebrados aquáticos.
O grande desafio em cativeiro é fazer o peixe aceitar alimentos secos, já que ele rejeita instintivamente o que não se move. Mas pode ser treinado para aceitar filés ou rações secas com persistência.

Reprodução
Ovíparo. Sua reprodução segue o padrão típico dos ciclídeos neotropicais, caracterizado por uma forte territorialidade, formação de casais monogâmicos e um instinto de cuidado parental altamente desenvolvido.
O casal escolhe um território e passa dias limpando uma superfície plana (como uma pedra lisa ou tronco). A fêmea deposita linhas de ovos adesivos na superfície limpa, e o macho os fertiliza imediatamente em seguida.
Uma única postura pode render de 500 a mais de 1.000 ovos, dependendo do tamanho e maturação da fêmea. Ambos os pais defendem agressivamente o perímetro contra qualquer intruso. A fêmea costuma ventilar os ovos com as nadadeiras para garantir a oxigenação.
A eclosão ocorre em aproximadamente 48 a 72 horas (dependendo da temperatura da água). Os pais movem as larvas recém-nascidas para pequenas covas cavadas na areia. Após cerca de 5 a 6 dias, o saco vitelino é reabsorvido e os alevinos começam a nadar livremente em nuvem, sempre sob a supervisão estrita dos pais.
- Maturidade Sexual: Próximo de 10 meses +
- Cuidado Parental: Ocorre
Dimorfismo Sexual: Machos ficam maiores, desenvolvem nadadeiras mais longas e pontiagudas. Fêmeas são menores, apresentam abdômen mais arredondado durante a época de desova e possuem nadadeiras arredondadas.
Referências
Barriga, R., 1991. Peces de agua dulce del Ecuador. Revista de Informacion tecnico-cientifica, Quito, Ecuador, Politecnica
Kullander, S.O., 2003. Cichlidae (Cichlids). p. 605-654. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil
Arguello, P. & Sanchez-Duarte, P. 2016. Caquetaia myersi. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T49830402A66406270. Accessed on 11 August 2026.
Publicado em Agosto/2026