Ituí Fantasma (Adontosternarchus nebulosus) | Ficha técnica

Foto de The Water Fron TSL (c) em https://www.thewaterfrontslc.com/

Nome Científico: Adontosternarchus nebulosus (Lundberg & Cox Fernandes, 2007)

Ordem: Gymnotiformes — Família: Apteronotidae

Nome popular: Ituí Fantasma, Peixe Faca Fantasma — Inglês: Clouded ghost knifefish

Distribuição: América do Sul, bacia Amazônica

Etimologia: Adontosternarchus, proveniente da combinação de três radicais gregos; a– (sem, ausência de) + Odontos (dente) + Sternarchus (um gênero de peixes Ituís). Significa, literalmente, “Ituí sem dentes”.

Nebulosus, deriva do latim e significa “nublado”. Faz alusão ao seu padrão de coloração característico, que apresenta manchas escuras e irregulares sobre um fundo mais claro.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco Preocupante (2026)

Sinônimos: –


Descrição

O Ituí Fantasma é um peixe elétrico da bacia amazônica, possui corpo alongado, comprimido lateralmente e desprovido de dentes mandibulares, uma característica comum do seu gênero.

Possui um padrão manchado e irregular de tons escuros no dorso e nas laterais, seguido por uma longa área pálida que se estende até o pedúnculo caudal.

Assim como outros integrantes da família Apteronotidae, ele possui um filamento dorsal (órgão eletro receptor) e células modificadas que geram um campo elétrico de fraca intensidade utilizado para localização de objetos e comunicação social no fundo escuro dos rios.

  • Tamanho Adulto: 21,8 cm
  • Expectativa de Vida: 8 a 10 anos

Distribuição e Habitat

Distribuído na Amazônia brasileira e peruana. No Brasil habita o Rio Amazonas e vários de seus grandes afluentes. Há registros científicos de coletas nos rios Negro, Madeira, Purus, Juruá, Tefé, Trombetas e Tocantins.

No Peru ocorre na porção alta da bacia, com registros documentados principal do rio e em afluentes como o Rio Napo.

Países: Brasil e Peru. No Brasil ocorre nos estados do Amazonas e Rondônia.

Ambiente: Água doce

Habitat: É uma espécie de hábito predominantemente demersal (vive próximo ao fundo). É adaptado a transitar em águas profundas, sendo capturada em amplitudes que variam de 2 a 30 metros de profundidade.

Encontrado tanto em rios de água preta (ácida e de baixa condutividade, como o Rio Negro) quanto em rios de água branca (barrenta e rica em sedimentos, como os rios Amazonas e Madeira).

Embora prefira a profundeza dos rios, também pode ser encontrado associado às margens e a estruturas de troncos caídos, onde busca proteção contra predadores maiores.

  • pH: 6 a 7
  • Dureza: 1 a 4 dKH
  • Temperatura: 24°C a 30°C
Foto de Anthony Giardenelli (CCBY-NC) em https://www.inaturalist.org/

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 200 litros com comprimento mínimo de 100 cm e 40 cm de largura desejável.

Substrato deverá ser obrigatoriamente areia fina e macia. Como passa o tempo todo no fundo, cascalhos grossos ou pontiagudos podem machucar seu abdômen e focinho. A iluminação deve ser fraca ou difusa. Preferencialmente use plantas flutuantes (como salvínias ou lentilhas-d’água) para bloquear a luz, pois ele tem hábitos noturnos e se estressa com claridade forte.

É obrigatório fornecer muitos troncos, raízes e cavernas de pedra para que possa se refugiar.

Devido a ausência de escamas, o que o torna extremamente sensível a oscilações na água e a medicamentos como formalina, Permanganato de Potássio, Sulfato de Cobre e sal grosso. Este último embora tolerado em doses terapêuticas baixíssimas, evite o uso rotineiro.

Comportamento e Compatibilidade: Comportamento tímido mas altamente territorial com membros da mesma espécie e o sinal elétrico de um indivíduo interfere no do outro. Evite colocar mais de um espécime junto, exceto se o aquário for grande o suficiente (500L +) e com muitas tocas para se esconderem.

Pacífico com outras espécies, escolha companheiros calmos que habitam o meio/topo do aquário, como Tetras grandes, Rodóstomus, Discos ou Colisas. Evite peixes muito pequenos (que possam virar comida) e peixes agressivos de fundo (como alguns cascudos grandes ou ciclídeos territoriais).

  • Área de Natação: Fundo
  • Quantidade mínima: Sozinho
  • Nível de dificuldade: Médio

Alimentação

Onívoro. Se alimenta naturalmente de invertebrados bentônicos (como vermes nematódeos, cladóceros e rotíferos), além de protozoários.

Dificilmente aceita ração seca de início, embora possa ser treinado para tal. Ofereça alimentos vivos ou congelados como artêmia, tubifex, bloodworms, dáfnias e enquitreias, preferencialmente à noite.

Foto de Inter Aquaristik (c) em https://www.interaquaristik.de/

Reprodução

Ovíparo. Não há relatos documentados de reprodução bem-sucedida em aquários domésticos. A maior parte dos exemplares disponíveis no mercado global é capturada na natureza (selvagens) ou reproduzida comercialmente em grandes tanques escavados na Ásia (frequentemente por meio de indução hormonal).

Sua biologia reprodutiva baseia-se em hábitos observados na bacia amazônica e em parentes próximos da família Apteronotidae. Acredita-se que realizem a postura em áreas protegidas e escuras de fundo, fixando os ovos adesivos entre raízes submersas e vegetação densa.

Sendo animais elétricos, o macho e a fêmea utilizam impulsos elétricos de fraca intensidade para se localizarem e se comunicarem no breu dos rios profundos. O acasalamento ocorre tipicamente na escuridão total.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 12 meses
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: O dimorfismo sexual externo é praticamente inexistente.


Referências

  • Lundberg, J.G. and C. Cox Fernandes, 2007. A new species of South American ghost knifefish (Apteronotidae: Adontosternarchus) from the Amazon basin. Proc. Acad. Nat. Sci. Phila.
  • Peixes do Rio Madeira Vol. 3 – Santo Antônio Energia
  • A new species of South American ghost knifefish (Apteronotidae: Adontosternarchus) from the Amazon Basin – John Lundberg e Cristina Cox Fernandes — ResearchGate

Publicado em Junho/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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