Pacu Tietê (Myloplus tiete) | Ficha técnica

Espécime macho adulto em aquário

Nome Científico: Myloplus tiete (Eigenmann & Norris, 1900)

Ordem: Characiformes — Família: Serrasalmidae

Nome popular: Pacu Prata, Pacu Rosa, Pacu Tietê

Distribuição: América do Sul, Bacia do rio Paraguai e Paraná

Etimologia: Myloplus, deriva das palavras gregas mýlos (que significa “moinho” ou “dente molar”) e plóos / plous (que se refere a “navegação” ou “movimento”). Alusão à sua fileira de dentes adaptados para triturar sementes e vegetais, comum nos pacus.

Tiete, referência geográfica ao Rio Tietê, no Estado de São Paulo. A espécie foi descrita originalmente em 1900 a partir de exemplares coletados no Rio Piracicaba, um dos principais afluentes da bacia do Tietê.

Status de Conservação (IUCN Red List): Classificado globalmente como Quase Ameaçada (NT) na Lista Vermelha da IUCN. No entanto, a nível nacional, a situação é mais crítica: o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do ICMBio enquadra o peixe na categoria Em Perigo (EN).

Sinônimos: Myleus tiete, Myletes tiete


Descrição

O peixe Pacu Rosa, ou Pacu Prata, como também é conhecido possui corpo ovalado e fortemente comprimido lateralmente, perfil típico dos pacus. Sua coloração geral é prateada, com tons claros avermelhados no abdômen.

As nadadeiras dorsal, peitoral, pélvica e caudal são transparentes (hialinas), enquanto a nadadeira anal possui um tom avermelhado, terminando com a borda externa escura ou preta.

Boca em posição terminal. Possui dentes molariformes (achatados, parecidos com dentes molares humanos) adaptados para triturar vegetais, sementes e frutos.

A construção massiva de barragens e hidrelétricas fragmentou sua distribuição, isolando as populações e bloqueando as rotas migratórias naturais necessárias para a sua sobrevivência. Devido ao risco no território brasileiro, a espécie é alvo prioritário do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação de Espécies Aquáticas Ameaçada.

Por se alimentar de sementes e conseguir transitar por diferentes trechos do rio, esta espécie funciona como um importante dispersor de sementes. Ele ajuda a reflorestar as margens dos rios naturalmente através de suas fezes, mantendo o equilíbrio do ecossistema.

  • Tamanho Adulto: 30 cm (Comum: 16 cm)
  • Expectativa de Vida: 8 a 12 anos
Grupo de espécimes adultos em aquário

Distribuição e Habitat

A sua distribuição geográfica original abrange a bacia do rio Paraná-Paraguai, mas a sua ocorrência atual está extremamente restrita e fragmentada.

A Bacia do Alto Rio Paraná é a principal região de ocorrência registrada pela literatura científica. O peixe habita trechos específicos desse sistema fluvial localizados nos estados de São Paulo, Paraná e na divisa com o Mato Grosso do Sul. Devido ao avanço da degradação ambiental, as populações sobreviventes estão isoladas em poucos locais.

Países: Endêmico do Brasil.

Habitat: prefere ambiente lêntico (águas calmas ou de movimentação lenta). Depende diretamente de rios que possuam vegetação ciliar preservada, pois se alimenta de frutos, sementes e folhas que caem das árvores nas margens.

  • pH: 6.0 a 7.4
  • Dureza: –
  • Temperatura: 22°C a 28°C
Espécime macho adulto em aquário

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 400 litros com comprimento mínimo de 200 cm e 50 cm de largura desejável.

Apesar de não crescer tanto, a espécie possui o corpo alto, exigindo bastante espaço para girar e nadar.

Devido ao forte hábito herbívoro (como o consumo de Egeria e macrófitas), devorará qualquer planta natural do aquário. O tanque deve ser decorado apenas com troncos e rochas.

Como eles raspam troncos e rochas atrás de algas, os equipamentos internos (como aquecedores e termostatos) devem ter protetores para evitar acidentes. Eles literalmente comem fios e tudo mais o que estiver exposto.

Peixes herbívoros processam muita matéria vegetal, gerando uma quantidade alta de fezes e detritos. É indispensável um sistema de filtragem robusto (Sump ou Canister) com alta vazão.

É um peixe ameaçado de extinção e seu comportamento alimentar e tamanho impõem desafios técnicos.

Comportamento e Compatibilidade: Sua agressividade é relativamente baixa, mas muito ativo e territorial com a própria espécie quando o espaço é insuficiente, formando uma hierarquia. Pacífico com outras espécies que não caibam em sua boca. Evite peixes muito pequenos.

São peixes que facilmente se estressam. Movimentos bruscos na frente do vidro ou luzes intensas podem assustá-los, fazendo-os nadar erraticamente e se chocar contra os vidros ou decorações.

  • Área de Natação: Fundo / Meio
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Médio
Detalhe da cabeça e boca em espécimes adultos

Alimentação

É um herbívoro generalista se alimentando naturalmente de macrófitas aquáticas. Consome grandes quantidades de plantas que flutuam ou crescem submersas nos rios (como as do gênero Egeria), além de frutos e sementes que caem diretamente das árvores da floresta ciliar na água.

Raspam algas presas a troncos e rochas submersas quando os recursos escasseiam.

Utiliza seus fortes dentes molariformes (achatados) para esmagar sementes duras e cortar folhas fibrosas antes de engolir.


Reprodução

Ovíparo. É um peixe reofílico, o que significa que ele precisa realizar migrações rio acima para conseguir se reproduzir na natureza.

Libera todos os óvulos de uma única vez quando atinge o local ideal de desova, geralmente em trechos de cabeceira com águas mais rápidas e oxigenadas. A fertilização ocorre diretamente na coluna d’água. Machos e fêmeas liberam seus gametas simultaneamente, e os ovos fertilizados são carregados pela correnteza até áreas de várzea inundadas, que funcionam como berçários naturais.

O tempo de eclosão dos ovos varia entre 20 e 64 horas após a fertilização. Pós eclosão, passam de 3 a 5 dias de vida flutuando e nutrindo-se exclusivamente do seu saco vitelino, quando estarão nadando livremente.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 12 meses ou cerca de 10-12 cm
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: Durante a época de acasalamento, o gênero Myloplus apresenta alterações físicas bastante visíveis. Os machos adultos desenvolvem uma nadadeira anal com dois lobos (formato recortado), enquanto a das fêmeas mantém o formato padrão.

Os machos aptos a reproduzir desenvolvem longos filamentos na nadadeira dorsal e cores bem mais vivas e avermelhadas ao longo do corpo.

Fêmea acima e macho abaixo

Referências

** Agradecimento especial a Caio Sampaio pelas fotos e colaboração no desenvolvimento deste artigo **

  • Andrade, M.C., M. Jégu and T. Giarrizzo, 2016. A new large species of Myloplus (Characiformes: Serrasalmidae) from rio Madeira basin, Brazil. ZooKeys
  • Andrade, P.M. and F.M.S. Braga, 2005. Diet and feeding of fish from Grande River, located below the Volta Grande reservoir, MG-SP. Braz. J. Biol.
  • Eschmeyer, W.N. (ed.), 1998. Catalog of fishes. Special Publication, California Academy of Sciences, San Francisco. 3 vols.
  • Jégu, M., 2003. Serrasalminae (Pacus and piranhas). p. 182-196. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
  • López, H.L., A.M. Miquelarena and J. Ponte Gómez, 2005. Biodiversidad y distribución de la ictiofauna Mesopotámica. Miscelánea
  • Sistema para transposição de peixe – Sidney Lazaro Martins (USP)
  • REPRODUÇÃO E LARVICULTURA DE Myloplus rubripinnis – Marina Pereira da Silva
  • Dionízio, Yasmin Pinheiro. Caracterização morfológica e molecular dos digenéticos parasitos de Myliplus tiete (characiformes, serrasalmidae) Myloplus tiete procedentes do rio Paraná, sudeste do Brasil
  • A new large species of Myloplus (Characiformes, Serrasalmidae) from the Rio Madeira basin, Brazil – Marcelo C. Andrade 1, Michel Jégu 2, Tommaso Giarrizzo 3
  • Biodiversidade dos digenéticos parasitos de Myloplus tiete (Characiformes, Serrasalmidae) procedentes do rio Paraná, Sudeste do Brasil – Aline Cristina Zago — Faculdade de Ciências (FC). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Bauru. Bauru , SP, Brasil
  •  Silva, Natália Luiza – Ecologia trófica de Myloplus tiete, uma espécie nativa e ameaçada de extinção, na bacia do alto rio Paraná: abordagem integrada entre conteúdo estomacal e isótopos estáveis – (UNESP)
  • Ribeiro, Jordana Alvares – Caracterização da dieta de Myloplus tiete (Characiformes, Serrasalmidae), espécie nativa e ameaçada de extinção no rio Paraná, Brasil (UNESP)

Publicado em Junho/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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