Peixe Agulha (Potamorrhaphis eigenmanni) – Ficha técnica

Foto de Dominick Porcelli (CCBY-NC) — Itenez, Bolívia

Nome Científico: Potamorrhaphis eigenmanni (Miranda Ribeiro, 1915)

Ordem: Beloniformes — Família: Belonidae

Nome popular: Peixe Agulha — Inglês: Freshwater Needlefish

Distribuição: América do Sul, Alto Rio Madeira e seus afluentes;  bacia do rio Paraguai-Paraná.

Etimologia: Potamos (do grego) Significa “rio” + Rhaphis (do grego): Significa “agulha”, uma referência ao formato longo e afilado do corpo e focinho deste peixe.

Eigenmanni, homenageia o Dr. Carl H. Eigenmann (1863–1927), um proeminente ictiólogo e professor germano-americano especialista em peixes sul-americanos.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)

Sinônimos: Belone taeniata, Potamorrhaphis guianensis, Potamorhaphis eigenmanni


Descrição

O Peixe Agulha possui formato alongado, cilíndrico e hidrodinâmico, extremamente fino e mandíbulas alongadas em forma de agulha. Ambas as mandíbulas (superior e inferior) são muito longas, estreitas e repletas de pequenos dentes afiados.

As nadadeiras dorsal e anal são longas e ficam posicionadas bem próximas à cauda (região posterior), impulsionando ataques rápidos na superfície. Nada de forma sutil entre galhos e vegetação flutuante.

  • Tamanho Adulto: 23 cm
  • Expectativa de Vida: 3 a 5 anos

Distribuição e Habitat

Distribuído na bacia Amazônica no alto do rio Madeira e seus principais afluentes, como os rios Beni, Mamoré e Guaporé.

Também encontrado por extensas áreas do Pantanal brasileiro e segue a hidrovia em direção ao sul (bacia do Paraná e do Paraguai), com registros consolidados na Argentina e Paraguai.

Países: Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai. No Brasil ocorre nos estados do Amazonas, Mato Grosso e Rondônia.

Habitat: Riachos lêntico (igarapés), pântanos, lagoas marginais e as margens calmas de grandes rios. O ambiente é repleto de galhadas caídas, troncos submersos e uma densa cobertura de plantas flutuantes ou vegetação ciliar que invade a água.

Frequenta desde águas cristalinas até águas levemente “chás” (coradas por taninos e ácidos húmicos liberados por folhas caídas), mas evita águas extremamente barrentas ou com excesso de sedimentos em suspensão, que prejudicam sua visão de caça.

  • pH: 6.0 a 7.2
  • Dureza: 2 a 12 dGH
  • Temperatura: 24°C a 30°C
Foto de Guillermo Tarapow (CCBY-NC) no Rio Paraguai, Villa Hayes

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 200 litros com comprimento mínimo de 100 cm e 40 cm de largura desejável.

O aquário deve estar totalmente tampado, sem frestas. Ao menor sinal de susto ou durante a caça noturna, eles saltam com extrema facilidade para fora da água.

Deixe espaço livre para natação no topo, mas adicione plantas flutuantes (como Salvinias ou Alfaces-d’água). Elas servem de refúgio e diminuem o estresse do peixe.

Comportamento e Compatibilidade: São peixes pacíficos entre si podendo ser mantidos em grupos, desde que haja espaço para todos na superfície.

São ótimos para aquários comunitários de grande porte, pois ignoram completamente o que acontece no meio e no fundo do aquário. Evite apenas peixes pequenos o suficiente para caberem em sua boca e peixes muito agitados e beliscadores de nadadeiras.

  • Área de Natação: Superfície
  • Quantidade mínima: Sozinh0 ou Grupo
  • Nível de dificuldade: Médio

Alimentação

Sua dieta é baseada no oportunismo e no que cai ou vive na película superior da água como insetos terrestres como formigas aladas, moscas, pequenas mariposas, grilos, cupins e besouros.

Insetos aquáticos também são consumidos como larvas e pupas de mosquitos (como Diptera) e ninfas de libélulas que sobem à tona para respirar ou emergir, além de larvas e filhotes de outras espécies de peixes que frequentam a vegetação flutuante.

A alimentação do Peixe Agulha em aquário é o aspecto mais desafiador da manutenção desta espécie. Por ser um predador de superfície estrito, ele raramente aceitará rações secas comerciais (flocos ou grânulos). A dieta deve ser baseada em alimentos que flutuam e se movimentam na superfície da água como insetos, pequenos grilos, larvas de quironomídeos e pequenos peixes e crustáceos.

Com paciência, é possível acostumá-los a alimentos congelados como Bloodworms e Artemia, desde que jogados diretamente no fluxo de água para simular movimento. Pedaços de camarão ou peixe branco cortados em tiras finas e oferecidos com o auxílio de uma pinça longa, movimentando o alimento na água para atrair o peixe.

Espécime adulto em seu ambiente natural em San Cayetano, Corrientes, Argentina — Foto de Oscar Galli Merino (CCBY-NC)

Reprodução

Ovíparo. Normalmente ocorre entre os meses de outubro e dezembro, coincidindo com o início das chuvas e a subida do nível dos rios (período de inundação nos complexos do Pantanal e Rio Madeira).

Buscam áreas de remanso protegidas por arbustos submersos ou densa vegetação flutuante.

O macho assume uma postura ativa na superfície. Ele se posiciona ao lado da fêmea ou cruza a frente dela em formato de “X”, tocando as laterais do corpo da fêmea, empurrando-a gentilmente em uma posição oblíqua, mantendo as cabeças de ambos ligeiramente orientadas para baixo antes de irem em direção aos ninhos naturais.

A fêmea libera uma quantidade pequena de ovos adesivos por desova (geralmente entre 15 e 40 ovos). Esses ovos possuem pequenos filamentos pegajosos (gavinhas) de 2 a 3 mm que servem para se ancorar firmemente às raízes das plantas. Isso impede que os ovos afundem na lama ou sejam levados pela correnteza.

Em temperaturas tropicais típicas (entre 27°C e 30°C), os ovos eclodem rapidamente, levando de 9 a 10 dias para liberar as larvas.

Ao nascerem, as larvas são pelágicas e permanecem coladas à superfície protetora das plantas flutuantes. Desde o primeiro dia de vida livre, já apresentam comportamento estritamente carnívoro, alimentando-se de micro-organismos e larvas de insetos menores.

  • Maturidade Sexual: Indeterminada na literatura científica
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: Pouco acentuado, quando atingem a maturidade sexual, as fêmeas tendem a ser ligeiramente maiores e mais encorpadas que os machos. A região abdominal fica visivelmente mais roliça e volumosa, especialmente na época de reprodução devido ao acúmulo de ovos.

Os machos possuem o corpo mais esguio, magro e retilíneo ao longo de toda a extensão do tronco, mesmo quando bem alimentados. Durante o período reprodutivo, alguns machos podem apresentar um reflexo prateado ou esverdeado ligeiramente mais intenso na linha lateral do corpo quando expostos à luz direta, atuando como um discreto atrativo para a corte.


Referências

  • Collette, B.B., 1982. South American freshwater needlefishes of the genus Potamorrhaphis (Beloniformes: Belonidae). Proc. Biol. Soc. Wash.
  • Breder, C.M. and D.E. Rosen, 1966. Modes of reproduction in fishes. T.F.H. Publications, Neptune City, New Jersey.
  • Habitat transitions alter the adaptive landscape and shape phenotypic evolution in needlefishes (Belonidae) – Matthew A Kolmann, Michael D Burns, Justin Y K Ng, Nathan R Lovejoy, Devin D Bloom
  • Similarities in feeding behaviour between some marine and freshwater fish in two tropical communities. — Ivan Sazima (Departamento de Zoologia de Campinas – SP Brasil)

Publicado em Junho/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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