Corydora Mosaico (Brochis haraldschultzi) – Ficha técnica

Espécime adulto em aquário — Foto de Blair Chen (c)

Nome Científico: Brochis haraldschultzi (Knaack, 1962 )

Ordem: Siluriformes — Família: Callichthyidae

Nome popular: Corydora Mosaico, Corydora Reticulada — Inglês: Mosaic corydoras

Distribuição: América do Sul, Bacia Amazônica e Araguaia

Etimologia: Brochis do grego brogchia (ou brókhos), que significa “laço” ou “garganta/traqueia”, possivelmente em alusão ao arranjo anatômico das guelras ou dos escudos ósseos próximos à cabeça da espécie.

haraldschultzi é um epíteto em homenagem a Harald Schultz (1909–1966), etnólogo, antropólogo e coletor de espécimes brasileiro de ascendência alemã, que organizou expedições exploratórias pela região.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)

Sinônimos: Corydoras haraldschultzi


Descrição

Anteriormente classificado como Corydoras haraldschultzi, apresenta corpo cinza-prateado com padrão reticulado de mosaico em tons escuros e pretos. Nariz pronunciado e longo, característica marcante da espécie, além de nadadeiras peitorais e ventrais apresentam uma coloração laranja vibrante e chamativa.

São respiradores de ar facultativos e possuem o intestino modificado e altamente vascularizado que evoluiu para facilitar a absorção de oxigênio atmosférico, podendo sobreviver em águas com baixo nível de oxigênio.

Possui dois espinhos em suas extremidades junto as nadadeiras peitorais, este mecanismo serve como defesa contra predadores. Ao ser molestado, os espinhos são projetados ferindo o predador. Os espinhos duros da nadadeira peitoral são capazes de perfurar a pele humana e uma ‘picada’ pode ser muito dolorosa, de fato, por isso deve-se ter atenção durante o manuseio.

Esta espécie possui senso olfativo bastante evoluído e seus barbilhões permitem que ela encontre alimentos enterrados no substrato. Como a maioria dos peixes gatos, é uma espécie blindada não possuindo escamas, apresentando duas fileiras de placas ósseas em cada lateral de seu corpo cobrindo a região da cabeça.

Considerados como peixes de “couro”, possuem uma camada bastante fina de muco epitelial externo, não suportando a presença de sal na água, podendo facilmente levá-lo a morte por desidratação devido a diferença osmótica criada.

Curiosamente, divide parte de sua distribuição de forma sintópica (vive exatamente no mesmo local) com Corydoras sterbai (atual Hoplisoma sterbai). Como as duas espécies evoluíram juntas compartilhando o mesmo ambiente, desenvolveram uma camuflagem visual muito parecida para confundir predadores.

  • Tamanho Adulto: 6 cm
  • Expectativa de Vida: 5 a 8 anos
Espécimes adultos em aquário — Foto de domínio publico

Distribuição e Habitat

Ocorre no Rio Tocantins, Rio Araguaia e principalmente no alto Rio Guaporé, um importante afluente da bacia do Rio Madeira, fronteiriço entre o Brasil e a Bolívia.

Países: Brasil e Bolívia

Habitat: Habita rios de águas claras, ligeiramente ácidas e ricas em taninos. Prefere canais de movimentação lenta. Frequenta as margens dos rios e riachos com fundos cobertos por areia fina ou matéria orgânica vegetal em decomposição, onde consegue vasculhar o solo.

  • pH: 6.0 a 7.4
  • Dureza: 2 a 12
  • Temperatura: 24°C a 28°C

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 80 litros com comprimento mínimo de 80 cm e 30 cm de largura desejável.

Substrato deve conter areia fina e macia. Cascalho grosso ou cortante machuca os barbilhões e causa infecções graves. Utilizar bastante troncos, raízes e plantas altas para criar zonas de sombra e segurança.

Comportamento e Compatibilidade: É uma espécie extremamente pacífica e gregária, devendo ser mantido em grupo de pelo menos 6 indivíduos. Pode ser mantido em aquário comunitário, desde que com peixes pequenos e igualmente pacíficos. Possui hábito noturno.

Devido sua capacidade de respirar ar atmosférico, comumente pode ser visto nadando rapidamente até a superfície para engolir ar e voltar para o substrato para repousar.

Conhecidos por “piscar” os olhos, quando na verdade os olhos giram em suas órbitas causando a impressão de estarem piscando.

  • Área de Natação: Fundo
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

Onívoro. Se alimenta naturalmente de vermes anelídeos, larvas de insetos (como quironomídeos) e pequenos crustáceos, além de pequenos moluscos, zooplâncton e detritos orgânicos e secundariamente algas e restos de plantas enquanto busca por presas vivas.

Em aquário aceitará prontamente alimentos secos e vivos, devendo ser fornecido alimentos para peixes de fundo.

Usa os bigodes táteis para detectar vibrações e o cheiro de presas escondidas sob o substrato. O nariz alongado serve especificamente para cavar mais fundo na areia macia em busca de alimento.

Foto de Nicolas Charpin (c) obtida em https://www.planetcatfish.com/

Reprodução

Ovíparo. A reprodução segue o comportamento típico dos calictídeos (família Corydoradinae), caracterizado pela famosa posição em T e pelo cuidado parental ausente após a desova.

O macho persegue ativamente a fêmea até que ela ceda aos seus estímulos. O macho se posiciona perpendicularmente à frente do focinho da fêmea (formando a posição em forma de T). Ela prende as nadadeiras pélvicas formando uma “bolsa” onde deposita poucos ovos por vez.

A fêmea encosta a boca na região genital do macho para coletar o esperma (que passa pelo seu trato digestivo ou é direcionado pelas brânquias em direção aos ovos). Logo após a fêmea nada procurando superfícies limpas e planas para colar os ovos adesivos.

Uma fêmea saudável pode liberar de 50 a 100 ovos em uma única temporada de desova. Os ovos eclodem em um período de 3 a 5 dias, dependendo diretamente da temperatura da água, e estarão nadando livremente em 3 dias após.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 10 meses
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: Os machos estão maduros são ligeiramente menores do que as fêmeas. Olhando o cardume por cima, as fêmeas maduras são visivelmente mais largas, roliças e robustas na região abdominal (devido ao desenvolvimento dos ovos). Os machos são esguios e magros.


Referências

  • Burgess, W.E., 1992. Colored atlas of miniature catfish. Every species of Corydoras, Brochis and Aspidoras. T.F.H. Publications, Inc.
  • Müller, J.: et al., 2022. Air breathing among fishes: an updated and annotated checklist. To be published. Currently, data entered from a draft, with original source references.
  • Reis, R.E., 2003. Callichthyidae (Armored catfishes). p. 291-309. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.

Publicado em Junho/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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