Dianema, Porthole catfish (Dianema longibarbis) – Ficha técnica

Nome Científico: Dianema longibarbis (Cope, 1872)
Ordem: Siluriformes — Família: Callichthyidae
Nome popular: Dianema — Inglês: Porthole catfish
Distribuição: América do Sul, Bacia do Rio Amazonas
Etimologia: Dianema vem do grego di (que significa “dois”) e nema (que significa “filamento”). É uma referência aos dois longos barbilhões que o peixe possui perto da boca.
Longibarbis do latim longus (“longo”) e barba (“barba”), indicando literalmente “barba longa” ou “de longos barbilhões”.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)
Sinônimos: Decapogon verissimi, Callichthys adspersus
Descrição
O peixe Dianema possui corpo alongado e cilíndrico, diferindo do formato das corydoras comuns. Ele não possui escamas, mas sim duas fileiras de placas ósseas laterais que protegem o corpo como uma armadura.
Sua boca é voltada para baixo (posição inferior), ideal para se alimentar no fundo. Possui dois pares de barbilhões longos e bem visíveis que funcionam como órgãos sensoriais táteis para localizar comida na fresta das rochas ou na areia.
A coloração base é marrom-clara ou acinzentada, com pequenos pontos escuros salpicados pelo corpo e nadadeiras. Uma linha escura sutil cruza a lateral do corpo. As nadadeiras peitorais e dorsais possuem raios rígidos e pontiagudos (espinhos) que servem como mecanismo de defesa contra predadores.
Ao contrário de outros peixes de fundo que passam o tempo todo praticamente estáticos, esta espécie é bem ativo e frequentemente nada a meia-água em pequenos grupos (cardumes).
Assim como outros da mesma família, possui a capacidade de engolir ar atmosférico na superfície da água, utilizando o intestino modificado para absorver oxigênio.
- Tamanho Adulto: 9,8 cm
- Expectativa de Vida: 5 a 8 anos

Distribuição e Habitat
Distribuído de forma ampla por toda a bacia do Rio Amazonas.
Países: Brasil e Peru. No Brasil pode ser encontrado nos estados do Amazonas e Rondônia.
Habitat: Ocorre em igarapés, riachos de movimentação lenta, lagos de várzea e áreas florestais inundadas. Vive associado ao fundo desses ecossistemas, que costumam ser ricos em vegetação marginal, troncos caídos, raízes e uma grossa camada de folhas em decomposição (serapilheira), onde encontra abrigo e alimento.
- pH: 6 a 8 (Preferencialmente levemente ácido)
- Dureza: –
- Temperatura: 24°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 100 litros com comprimento mínimo de 80 cm e 30 cm de largura desejável.
Substrato preferencialmente macio e fino, cascalhos grossos ou pontiagudos cortam os barbilhões do peixe, gerando infecções bacterianas fatais.
A decoração poderá consistir em muitos troncos, raízes e folhas secas (como as de amendoeira) para criar esconderijos. Plantas altas e flutuantes ajudam a diminuir a intensidade da luz, deixando o peixe menos tímido.
Comportamento e Compatibilidade: São extremamente pacíficos e ideal para aquário comunitário. Combinam perfeitamente com Tetras, Discos, Bandeiras, Apistogramas e outros peixes de fundo calmos (como Coridoras e Cascudos de porte pequeno). Evite peixes agressivos ou excessivamente grandes.
Mantenha no mínimo 4 a 6 indivíduos para que demonstre seu comportamento natural.
- Área de Natação: Fundo / Meio
- Quantidade mínima: Grupo
- Nível de dificuldade: Fácil
Alimentação
Onívoro com preferência carnívora. Eles buscam o alimento no fundo, mas também sobem até a meia-água para comer. Em cativeiro comem rações de fundo (bottom fish) de alta qualidade em pastilhas ou rações em grânulos.

Reprodução
Ovíparo. O macho constrói um ninho feito de bolhas de ar e muco logo abaixo da superfície da água. Na natureza, ele ancora esse ninho sob folhas flutuantes. No aquário, pode-se usar uma planta flutuante larga ou um pedaço de isopor.
O casal se posiciona de cabeça para baixo sob o ninho para realizar a fertilização. Os ovos são depositados diretamente no ninho de bolhas. O macho assume a guarda do ninho e protege os ovos contra invasores até que eclodam.
Os ovos eclodem em aproximadamente 24 a 48 horas, dependendo da temperatura e após os alevinos consumirem o saco vitelino nadam livremente em cerca de 3 dias.
- Maturidade Sexual: Próximo de 12 meses
- Cuidado Parental: Ocorre
Dimorfismo Sexual: Machos apresentam os primeiros raios das nadadeiras peitorais ligeiramente mais grossos e rígidos, enquanto as fêmeas quando maduras, possuem o corpo visivelmente mais roliço, largo e volumoso na região ventral devido ao desenvolvimento dos ovos.
Referências
- Reis, R.E., 2003. Callichthyidae (Armored catfishes). p. 291-309. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
- Müller, J.: et al., 2022. Air breathing among fishes: an updated and annotated checklist. To be published. Currently, data entered from a draft, with original source references.
- Zuchi, N., C. Röpke, A. Shibuya, T. Farago, M. Carmona, J. Zuanon and S. Amadio, 2020. Length-weight relationship of fish species from Central Amazon floodplain. J. Appl. Ichthyol.
Publicado em Junho/2026