Carapeba, Carapicu-açú (Gerres cinereus)

Espécime adulto fotografado na Ilha Galeta, Colón, Panamá — Foto de Eduardo Estrada (CCBY-NC)

Nome Científico: Gerres cinereus (Walbaum, 1792)

Ordem: Eupercaria/misc — Família: Gerreidae

Nome popular: Carapeba, Carapicu-açú — Inglês: Yellow fin mojarra

Distribuição: Praticamente em todo Atlântico Ocidental

Etimologia: Gerres deriva do latim gerres (plural gerris), que era um termo usado por Plínio, o Velho, para descrever um tipo de anchova ou um pequeno peixe salgado.

Cinereus vem do latim cineris ou cinereus, que significa “cinzento” ou “cor de cinza”, fazendo referência à coloração prateada/acinzentada do corpo do peixe.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco Preocupante (2026)


Descrição

O Carapeba, ou Carapicu, como também é conhecido, é um peixe abundante em águas costeiras rasas, áreas arenosas e manguezais do Atlântico Ocidental (da Flórida ao Brasil). Possui corpo prateado, nadadeiras amareladas

Embora os adultos habitem recifes, fundos arenosos e bancos de grama marinha, eles frequentemente entram em lagoas costeiras, estuários e até mesmo rios para se alimentar e crescer. Os juvenis formam grandes cardumes nessas áreas protegidas até estarem prontos para migrar para águas mais profundas.

É um recurso importante para a pesca artesanal, comercializada fresca e utilizada para farinha de peixe, considerada de menor preocupação pela IUCN.

  • Tamanho Adulto: 41 cm (comum 30 cm)
  • Expectativa de Vida: 10 anos +

Distribuição e Habitat

Atlântico Ocidental: Bermudas e Flórida, EUA; Bahamas, norte do Golfo do México, ao redor do Caribe, incluindo Antilhas até a costa sul-americana no Brasil.

Países: Praticamente todos os países da costa Atlântico Ocidental. No Brasil ocorre nos estados do Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco,Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Sergipe.

Habitat: Habita águas costeiras rasas em áreas arenosas e de arrebentação, pradarias marinhas, perto de recifes e canais de mangue. Entra em água salobra, por vezes até em água doce.

  • pH: 7.4 a 8.6
  • Dureza: –
  • Temperatura: 24°C a 28°C
Espécime adulto fotografado na praia de Riviera (Flórida-EUA) — Foto de Frank Krasovec (CCBY-NC)

Criação em Aquário

A criação em aquários é considerada rara e desafiadora, sendo geralmente restrita a aquários públicos ou sistemas de grande escala devido ao seu porte e comportamento.

Comportamento e Compatibilidade: –

  • Área de Natação: Fundo / Meio / Superfície
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: –

Alimentação

Onívoro. Se alimenta naturalmente de invertebrados bentônicos, como vermes, amêijoas e crustáceos, além de insetos.

Frequentemente visto se alimentando em bancos de areia entre recifes, enfiando a boca no sedimento e expelindo areia pelas aberturas branquiais


Reprodução

Ovíparo. A reprodução acontece uma ou duas vezes ao ano, com picos de desova variando conforme a região (no Pacífico mexicano, por exemplo, ocorrem em junho e outubro).

Possui uma alta taxa reprodutiva, com fêmeas produzindo entre 37.000 e 1,7 milhão de ovócitos, dependendo do tamanho e idade.

A fertilização é externa (desova pelágica). Os peixes liberam seus ovos no fundo do mar raso, muitas vezes em áreas com vegetação densa ou manguezais, que oferecem proteção contra predadores para os ovos e larvas.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 20 cm (12 meses)
  • Cuidado Parental: Não ocorre

Dimorfismo Sexual: Pouco evidente.


Referências

Alvarez-Hernández, J.H., 1999. Edad y crecimiento de la mojarra Gerres cinereus en la costa sur del estado Quintana Roo, México. Proc. Gulf Carrib. Fish. Inst.

Austin, H. and S. Austin, 1971. The feeding habits of some juvenile marine fishes from the mangroves in western Puerto Rico. Caribb. J. Sci.

Bautista-Romero, J.J., S.S. González-Peláez, L. Campos-Dávila and D.B. Lluch-Cota, 2012. Length-weight relationship of wild fish captured at the mouth of Río Verde, Oaxaca, Mexico and connected lagoons (Miniyua, El Espejo, Chacahua and Pastoría). J. Appl. Ichthyol.

Cervigón, F. and W. Fischer, 1979. INFOPESCA. Catálogo de especies marinas de interes economico actual o potencial para América Latina. Parte 1. Atlántico centro y suroccidental. FAO/UNDP, SIC/79/1. 372 p. FAO, Rome.

Cervigón, F., R. Cipriani, W. Fischer, L. Garibaldi, M. Hendrickx, A.J. Lemus, R. Márquez, J.M. Poutiers, G. Robaina and B. Rodriguez, 1992. Fichas FAO de identificación de especies para los fines de la pesca. Guía de campo de las especies comerciales marinas y de aquas salobres de la costa septentrional de Sur América. FAO, Rome. 513 p. Preparado con el financiamento de la Comisión de Comunidades Europeas y de NORAD.

Claro, R., 1994. Características generales de la ictiofauna. p. 55-70. In R. Claro (ed.) Ecología de los peces marinos de Cuba. Instituto de Oceanología Academia de Ciencias de Cuba and Centro de Investigaciones de Quintana Roo.

Silva Lee, A.S., 1974. Habitos alimentarios de la cherna criolla Epinephelus striatus Bloch y algunos datos sobre su biologia. Academia de Ciencias de Cuba, Instituto de Oceanologia, Serie Oceanologica No. 25, La Habana, Cuba.

Publicado em Maio/2026

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EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site o qual pretende tornar a maior referência de peixes ornamentais em língua portuguesa.

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