Copeína, Red-spotted copella (Copella eigenmanni) | Ficha técnica

Espécime macho em aquário — Foto de Muséum-Aquarium de Nancy/D. Terver (c)

Nome Científico: Copella eigenmanni (Regan, 1912)

Ordem: Characiformes — Família: Lebiasinidae

Nome Popular: Copeína — Inglês: Red-spotted copella

Distribuição: América do Sul, Costa atlântica entre o Pará, Brasil, e a foz do Rio Orinoco

Etimologia: Copella, diminutivo do nome genérico Copeina em homenagem ao paleontólogo, anatomista, herpetólogo e ictiólogo americano Edward Drinker Cope (1840–1897). Eigenmanni, em referência ao professor Dr. Carl Henry Eigenmann (1863–1927), um ictiólogo americano nascido na Alemanha.

Sinônimos: Copeina eigenmanni


Descrição

Peixe de corpo alongado, cilíndrico e esguio, características típicas da família Lebiasinidae. O corpo possui uma base que varia do bege claro ao castanho amarelado, com o dorso ligeiramente mais escuro e o abdômen esbranquiçado ou prateado.

O seu nome comum em inglês (red-spotted copella) deve-se a pequenas linhas ou fileiras de pontos vermelhos ou alaranjados brilhantes que correm ao longo das laterais do corpo, especialmente visíveis nos machos saudáveis.

Apresenta uma faixa escura horizontal (às vezes sutil) que se estende do focinho, passa pelo olho e vai até a base da cauda. As nadadeiras são em sua maioria transparentes ou levemente amareladas.

A classificação desta espécie é um tanto confusa devido a sua localização. Como observado, as localidades tipo para esta espécie são generalizadas e os sintipos são variados quanto ao tamanho e preservação.

Os sintipos rotulados “Bogotá” foram provavelmente coletados perto da cidade colombiana de Villavicencio no Rio Meta, e são Copella metae. As demais localidades de distribuição estão entre a foz do Orinoco na Venezuela e do Pará (Brasil), como foi presumido pelos autores. Alguns estudos indicam que sua distribuição pode se estender até o Suriname.

A família Lebiasinidae está incluída na ordem Characiformes e por vezes é dividida nas subfamílias nominais Lebiasininae e Pyrrhulininae, embora não tenha havido uma revisão importante do agrupamento nos últimos anos.

O gêneros Copella e Copeina estão estritamente relacionados com o gênero Pyrrhulina devido aspectos morfológicos parecidos, mas possuem diferenças anatômicas cruciais e comportamentos reprodutivos únicos.

Algumas espécies do gênero Copella, como a Copella arnoldi (conhecida como Splash Tetra), saltam fora da água com a fêmea para colocar os ovos na parte inferior de folhas suspensas. O macho passa os dias seguintes batendo a cauda na superfície para borrifar água nos ovos e mantê-los úmidos até que eclodam. Já o gênero Pyrrhulina possui uma reprodução mais convencional para a família. Eles desovam estritamente dentro da água, fixando os ovos em folhas de plantas submersas, raízes ou diretamente no substrato.

Anatomicamente são diferentes. Copella possui um corpo consideravelmente mais esguio, cilíndrico e alongado. A distância entre as suas narinas anteriores e posteriores é maior do que na maioria dos outros gêneros da família. Apresentam quase sempre uma mancha negra bem definida na nadadeira dorsal. Seu tamanho adulto varia entre 3 a 5 cm em média.

Enquanto o gênero Pyrrhulina apresenta o corpo visivelmente mais robusto, alto e levemente comprimido nas laterais. Suas nadadeiras tendem a ser um pouco mais curtas e arredondadas em comparação com o perfil aerodinâmico e alongado das nadadeiras dos machos de Copella. Seu tamanho adulto varia entre 5 a 8 cm.

  • Tamanho Adulto: 3,6 cm
  • Expectativa de Vida: 3 a 5 anos +

Distribuição e Habitat

Amplamente distribuído na porção norte da América do Sul, habitando principalmente duas grandes bacias hidrográficas:

Bacia do Rio Orinoco, ocorre com grande certeza nas regiões de llanos da Colômbia.

Bacia do Rio Amazonas, encontrado no sistema do alto Rio Negro (região que abrange o Brasil e a Venezuela) e na drenagem do alto Rio Putumayo (na Colômbia).

Países: Brasil, Guiana e Venezuela.

Ambiente: Água doce

Habitat: Ocorre em grupos na superfície de pequenos riachos com águas límpidas. Também habita lagoas, onde é encontrado simpatricamente com killifish do gênero Rivulus.

  • pH: 5.5 a 7.0
  • Dureza: 1 a 4 dGH
  • Temperatura: 22°C a 29°C
Espécime fêmea adulta em aquário — Foto de H-J Franke (c)

Criação em Aquário

Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.

O aquário deverá possuir preferencialmente plantas altas ou de superfície. Plantas flutuantes são particularmente benéficas, pois proporcionam abrigo e simulam o habitat natural do peixe. Um substrato escuro e iluminação fraca ajudarão a realçar as cores.

Como a maioria dos peixes do gênero, é intolerante ao acúmulo de poluentes orgânicos e requer água limpa, o que significa que trocas semanais de água devem ser consideradas e nunca deve ser introduzido em um aquário biologicamente imaturo.

É uma espécie que passa a maior parte de seu tempo na superfície, devendo manter o aquário bem tampado, pois possui hábito de pular para fora.

Comportamento e Compatibilidade: É uma espécie de comportamento pacífico que deve ser mantido com peixes igualmente pacíficos e de mesmo porte. De hábito gregário, como tal deve ser mantido em maior número possível para que mostrem seu comportamento natural e sua coloração fique mais acentuada.

  • Área de Natação: Superfície
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

É um micro predador se alimentando naturalmente de vermes, insetos e pequenos crustáceos, especialmente pequenos insetos que caem na superfície da água. Em aquário aceitará alimentos vivos e secos sem dificuldade.


Reprodução

Ovíparo. O macho escolhe um território e usa suas nadadeiras para cavar uma pequena depressão (cova) no substrato de areia. Ele limpa a área e começa a se exibir de forma vigorosa para atrair a fêmea.

Quando a fêmea aceita, o macho se posiciona ao lado e ligeiramente abaixo dela. Ele usa sua nadadeira anal para criar uma espécie de “bolsa” ou encaixe temporário logo abaixo da abertura genital da fêmea.

A fêmea libera os ovos dentro dessa bolsa, onde o macho os fertiliza imediatamente. Em seguida, eles deixam os ovos caírem cuidadosamente dentro da cova de areia previamente cavada. Uma única desova pode render até 300 ovos.

Logo após a desova, o macho assume total responsabilidade pelo ninho. Ele se torna territorial e afasta a fêmea e qualquer outro peixe que se aproxime. Os ovos eclodem muito rápido, geralmente entre 24 e 48 horas (dependendo da temperatura da água, idealmente mantida por volta de 26°C).

O macho continua guardando os filhotes até que o saco vitelino seja totalmente absorvido e eles comecem a nadar livremente pela coluna d’água (o que leva mais alguns dias). A partir desse momento, os alevinos tornam-se independentes.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 8 meses +
  • Cuidado Parental: Ocorre parcialmente

Dimorfismo Sexual: Evidente com machos sendo maiores e nadadeiras mais longas, além de apresentarem cores mais intensas. Fêmeas são menores e visivelmente mais encorpadas (salientes/roliças).


Referências

  • Beolens, B., M. Grayson and M. Watkins, 2023. Eponym dictionary of Fishes. Dunbeath, Caithness (Scotland, UK): Whittles Publishing Limited
  • Eschmeyer, W.N. (ed.), 1998. Catalog of fishes. Special Publication, California Academy of Sciences, San Francisco.
  • Vari, R.P., 1995. The Neotropical fish family Ctenoluciidae (Teleostei: Ostariophysi: Characiformes): supra and intrafamilial phylogenetic relationships, with a revisionary study. Smithson. Contri. Zool.
  • Weitzman, M. and S.H. Weitzman, 2003. Lebiasinidae (Pencil fishes). p. 241-251. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.

Publicado em Setembro/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site que acabou se tornando outro hobby: escrever sobre peixes ornamentais.

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