Copeína, Piratantã (Copella arnoldi) | Ficha técnica

Espécime adulto em aquário coletado na Guiana Francesa — Foto de Jérémy Delolme (CCBY-NC)

Taxonomia

Nome Científico: Copella arnoldi (Regan, 1912)

Ordem: Characiformes — Família: Lebiasinidae

Nome Popular: Copeina, Piratantã — Inglês: Splash tetra

Etimologia: Copella, diminutivo do nome genérico Copeina em homenagem ao paleontólogo, anatomista, herpetólogo e ictiólogo americano Edward Drinker Cope (1840–1897).

Arnoldi, em referência ao aquarista alemão Johann Paul Arnold (Hamburgo 1869–1952), que enviou espécimes tipo para Boulenger para estudo e identificação.

Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)

Sinônimos: Copeina arnoldi


Distribuição & Habitat

América do Sul: baixo do Amazonas, litoral das Guianas até a foz do Rio Orinoco.

Países: Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname. Introduzido em Trinidade e Tobago. No Brasil é nativo do estado do Pará.

Habitat: Encontrado em riachos rasos, tanto de águas claras com densa vegetação, quanto em riachos de águas negras em pântanos e áreas úmidas.

  • pH: 5.5 a 7.4
  • Dureza: 1 a 4
  • Temperatura: 22°C a 29°C

Descrição

Relativamente comum no aquarismo, Regan (1912) descreveu três espécies de Copella da região costeira do Atlântico entre a foz do Orinoco na Venezuela e a foz do Amazonas no Pará, Brasil: C. arnoldi, C. carsevennensis e C. eigenmanni.

No entanto, exibe um grau de variação em certos aspectos da morfologia e padrão de cores entre as espécies, e Zarske (2011) considera que as populações das Guianas representam C. carsevennensis (Regan, 1912), o que implica que a distribuição de C. arnoldi  é restrito à bacia amazônica inferior.

Zarske (2011) também designa uma ‘localidade tipo’ alternativa de Ilha do Arapiranga, uma ilha no estuário do Amazonas localizada perto da cidade de Belém, no estado do Pará, leste do Brasil, de onde espécimes de aquário são aparentemente coletados.

Esta espécie possui boca relativamente grande e voltada para cima, com dentes pontiagudos, contrastando com a boca dos peixes lápis (Nannostomus) que é mais horizontal. Os ossos maxilares são curvados em forma de S e as narinas são separadas por uma crista de pele.

Apresenta uma mancha escura na nadadeira dorsal e uma linha escura do focinho ao olho, que pode continuar até a região do opérculo. Não possui linha lateral nem nadadeira adiposa.

  • Tamanho adulto: 3,5 cm
  • Expectativa de vida: 3 a 5 anos
Espécime adulto — Foto de Norbert VERNEAU (CCBY-NC)

Manutenção em aquário

Aquário de pelo menos 60 litros com comprimento mínimo de 60 cm e 30 cm de largura desejável.

O aquário deverá possuir preferencialmente plantas altas ou de superfície. Plantas flutuantes são particularmente benéficas, pois proporcionam abrigo e simulam o habitat natural do peixe. Um substrato escuro e iluminação fraca ajudarão a realçar as cores.

Como a maioria dos peixes do gênero, é intolerante ao acúmulo de poluentes orgânicos e requer água limpa, o que significa que trocas semanais de água devem ser consideradas e nunca deve ser introduzido em um aquário biologicamente imaturo.

É uma espécie que passa a maior parte de seu tempo na superfície do aquário, devendo manter bem tampado pois possui hábito de pular para fora.

Comportamento e Compatibilidade: É uma espécie pacífica que deve ser mantida com peixes igualmente pacíficos e de mesmo porte. Bastante agitado e de comportamento gregário, como tal deve ser mantido em maior número possível para que mostrem seu comportamento natural e sua coloração fique mais acentuada. Machos competem uns com os outros pela atenção das fêmeas.

  • Área de Natação: Superfície
  • Quantidade mínima: Grupo
  • Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação

É um micro predador se alimentando naturalmente de vermes, insetos e pequenos crustáceos, especialmente pequenos insetos que caem na superfície da água. Em aquário aceitará alimentos vivos e secos sem dificuldade.


Reprodução

Ovíparo. Possui sistema de reprodução incomum com o macho cuidando dos ovos. Durante a época de reprodução, o macho escolhe um local adequado com folhagem ou outro objeto suspenso fora da água, se exibindo tentando atrair alguma fêmea.

Quando ele atrai uma fêmea para este local, o par simultaneamente salta para fora da água e se agarra a uma folha baixa com suas nadadeiras pélvicas por até dez segundos. Neste processo, a fêmea põe um lote de seis a dez ovos que são imediatamente fertilizados pelo macho, antes que ambos os peixes caiam de volta na água. Outros lotes são colocados de maneira semelhante até que haja 100 a 200 ovos na folha e a fêmea esteja exausta.

O macho então expulsa a fêmea e permanece por perto, espirrando água repetidamente nos ovos para mantê-los úmidos. A taxa de respingos é de até cerca de 38 respingos por hora. Os ovos eclodem após cerca de 36 a 72 horas e os alevinos caem na água quando o cuidado paternal cessa.

Um casal pode depositar ovos em vários lugares ou um único macho pode desovar com várias fêmeas. Assim como acontece com outras espécies de Copella, o crescimento dos alevinos é bastante lento.

  • Maturidade Sexual: Próximo de 10 meses
  • Cuidado Parental: Ocorre

Dimorfismo Sexual: Machos adultos são maiores, mais coloridos e possuem nadadeiras mais longas. As fêmeas tendem a ter forma do corpo mais roliça, especialmente quando estão em época de reprodução.

Espécimes adultos em seu ambiente natural em Guiana Francesa — Foto de Geoffrey Monchaux-lefevre (CCBY-NC)

Referências

  • Balon, E.K., 1990. Epigenesis of an epigeneticist: the development of some alternative concepts on the early ontogeny and evolution of fishes. Guelph Ichthyol.
  • Breder, C.M. and D.E. Rosen, 1966. Modes of reproduction in fishes. T.F.H. Publications, Neptune City, New Jersey.
  • Freitas, T.M.S., A.T.T. De Paula, H. Leão, N.L. Benone and L.F.A. Montag, 2019. Length-weight relationships of 11 fish species from streams of Anapu River Basin, State of Pará, eastern Amazon, Brazil. J. Appl. Ichthyol.
  • Kenny, J.S., 1995. Views from the bridge: a memoir on the freshwater fishes of Trinidad. Julian S. Kenny, Maracas, St. Joseph, Trinidad and Tobago.
  • Machado, A.F.d.V.N., C.M.C. Lobato, R.R. Gusmão, L.F.d.A. Montag and B.S. Prudente, 2020. Length-weight relationships of eleven fish species captured in 18 streams of the Capim River basin, Brazil. J. Appl. Ichthyol.
  • Mills, D. and G. Vevers, 1989. The Tetra encyclopedia of freshwater tropical aquarium fishes. Tetra Press
  • Nomura, H., 1984. Nomes científicos dos peixes e seus correspondentes nomes vulgares. In H. Nomura (ed.). Dicionário dos peixes do Brasil. Editerra, Brasília, Brasil
  • Pereira, R., 1982. Peixes de nossa terra. Livraria Nobel, Sao Paulo, Brazil.
  • Robins, C.R., R.M. Bailey, C.E. Bond, J.R. Brooker, E.A. Lachner, R.N. Lea and W.B. Scott, 1991. World fishes important to North Americans. Exclusive of species from the continental waters of the United States and Canada. Am. Fish. Soc. Spec. Publ.
  • Weitzman, M. and S.H. Weitzman, 2003. Lebiasinidae (Pencil fishes). p. 241-251. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
  • Ecologia reprodutiva e alimentar do peixe lápis Copella arnoldi (Characiformes: Lebiasinidae) em riachos da Amazônia Oriental. –  Rafael Rodrigues Farias

Publicado em Agosto/2026

EdsonRechi

Aquarista desde criança quando tentava manter peixes sem sucesso. Após um longo período sem aquários, voltei para o aquarismo em 2004 por influência de minha esposa. Desde então, já mantive diversos tipos de aquários e peixes. Articulista, além de organizar e palestrar em eventos ligados ao hobby nos últimos anos. Atualmente se dedica ao site que acabou se tornando outro hobby: escrever sobre peixes ornamentais.

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