Peixe Espada (Xiphophorus hellerii)

 
Xiphophorus hellerii (Heckel, 1848)

Ficha Técnica

Ordem: Cyprinodontiformes — Família: Poeciliidae (Poecilídeos)

Nomes Comuns: Peixes Espada — Inglês: Green swordtail

Distribuição: América do Norte e Central

Tamanho Adulto: 16 cm (comum: 10 cm)

Expectativa de Vida: 3 anos

Comportamento: pacífico

pH: 7.0 a 8.0 — Dureza: 9 a 30

Temperatura: 22°C a 28°C

Distribuição e habitat

América do Norte e Central. Rio Nantla, Veracruz no México até noroeste de Honduras.

Introduzido e estabelecido em diversos países incluindo o Brasil, que pode ser encontrado nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo.

Ocorre principalmente em rios e córregos rápidos de água clara e alcalina, sendo comumente encontrado em meio a densa vegetação aquática, além de nascentes quentes e seus afluentes, canais e lagoas. Encontrado em água salobra e doce.

Descrição

Pode ser confundido com o comum Platy (Xiphophorus maculatus), principalmente fêmeas da espécie. Entre todas espécies do gênero, esta é a que possui maior distribuição geográfica, sendo encontrado em habitats distintos.

Embora sua distribuição geográfica coincida com outras espécies próximas, como o Platy ( Xiphophorus maculatus), é raro coletarem-se peixes de ambas as espécies no mesmo ecossistema, já que o Cauda-de-Espada aparece sobretudo na parte mais superior das bacias hidrográficas, enquanto o seu parente próximo predomina nas zonas mais terminais das mesmas, junto ao litoral. (Fonte: viviparos.com)

Muito comum em aquários, existem diversas linhagens domésticas, raramente sendo encontrado uma variedade pura (f1). Inclusive encontrado vestígios de material genético de outras espécies do gênero, nomeadamente cruzamentos entre Xiphophorus variatus e Xiphophorus maculatus. Encontramos diversas variedades reproduzidas em cativeiro, em seu ambiente natural também existem diversas sub-espécies, algumas ainda por classificar.

Esta espécie apresenta espécimes em várias cores e mistura de cores, mesmo cepas selvagens, incluindo o vermelho, verde, preto e albino, embora o mais conhecido seja a variedade vermelha, obtida através de cruzamentos seletivos em cativeiro. Apresenta ainda variedades de cauda dupla, nadadeira véu, Pintado, Neon verde, Marigold (wag), Abacaxi, Tuxedo e até mesmo fêmeas apresentando nadadeira caudal em forma de espada, similar aos machos.

A variedade selvagem comumente apresenta corpo esverdeado com uma linha vermelha ao longo de toda extensão da sua linha lateral, além da nadadeira caudal alongada com duas listras negras em suas bordas.

Relativo à reversão sexual da espécie, abaixo um trecho retirado do site viviparos.com, com autorização de seu administrador Miguel Andrade:

Tal como acontece com outras espécies do gênero Xiphophorus, e não só, têm surgido ao longo do tempo inúmeros testemunhos de reversão sexual ( o indivíduo pertence funcionalmente a um dos sexos mas geneticamente pertence ao oposto, ou “ muda de sexo “ a partir de certa altura ).

Ainda que não seja muito vulgar, este fenômeno acontece mesmo em populações criadas em cativeiro cujas origens são desconhecidas. Essas linhagens incluem habitualmente no seu material genético os vestígios de cruzamentos entre variedades e populações diferentes, pelo que o seu valor como matéria de estudo científico é questionável.

Ao contrário do que se acredita, não basta manter no mesmo aquário apenas fêmeas para que uma delas se transforme em macho, ou vice-versa.

O que é interessante é verificar que as fêmeas que deram à luz várias ninhadas de crias e se transformam em machos podem fertilizar outras fêmeas e produzir descendência.

Uma experiência relativa à reversão sexual completa foi muito bem documentada no artigo “Complete Sex-Reversal in the Viviparous Telost Xiphophorus helleri” ( J. M. Essemberg, 1926 ).

Macho e fêmea respectivamente

Criação em Aquário

Aquário com dimensões mínimas de 80 cm X 30 desejável. A decoração do aquário é um tanto indiferente para a espécie, porém, pode-se usar algumas rochas e plantas rusticas formando refúgios que será apreciado pela espécie.

Embora esta espécie seja encontrada em água doce, tolera a presença de um pouco de sal na água, podendo ser mantido em água levemente salobra. No entanto, não se faz necessário a adição de sal para sua manutenção em aquário, salvo algumas exceções.

Comportamento

Espécie pacífica tanto com indivíduos de outras espécies como os da mesma espécie, exceto em época de reprodução quando os machos podem se tornar agressivos entre si ou quando inseridos em pouco espaço. Os machos desenvolvem uma hierarquia distinta. Alguns espécimes podem mordiscar as nadadeiras de peixes lentos ou de longas nadadeiras, tal comportamento é bastante variável e mais frequente quando mantidos em pequenos aquários.

Deve-se criá-los em grupos, se possível utilizando a proporção de um macho para cada duas fêmeas, uma vez que frequentemente os machos procuram as fêmeas para se reproduzirem, podendo estressá-las ao extremo. Possuindo duas fêmeas para cada macho, a procura por fêmeas será generalizada e não somente sobre algumas.

Variedade Merry Gold e um casal a direita, note a fêmea maior e mais encorpada enquanto o macho apresenta a nadadeira caudal alongada

Reprodução

Vivíparo. Período de gestação varia entre 24 a 30 dias, fêmea produz de 20 a 200 larvas, dependendo de sua idade e pode liberar as larvas parceladamente. Fêmeas mais novas tendem a produzir menos. Macho irá fertilizar a fêmea, onde as larvas nascerão cerca de 28 dias, neste período se desenvolvem internamente na fêmea e quando expelidos já nascem formados e nadando livremente; duração do parto pode variar de duas a mais de dez horas. O intervalo entre os primeiros partos pode ser irregular e acontecer entre os 27 e os 90 dias.

É notória a preferência das fêmeas por machos que exibam a espada caudal mais longa, e coloração mais atraente, ( Jerald B. Johnson & Alexandra L. Basolo, 2003 ). A espécie apresenta comportamento violento de dominação, sobretudo entre os machos, principalmente quando estão competindo por fêmeas.

A fêmea pode armazenar esperma do macho por bastante tempo, utilizando o mesmo para suas próximas gestações.

Não ocorre cuidado parental. São extremamente prolíferos e se reproduzem facilmente.

Dimorfismo Sexual

Machos possuem nadadeira caudal mais longa, em forma de espada (daí seu nome popular), e são mais finos que as fêmeas, além de possuírem nadadeira anal adaptada chamado de gonopódio.

Fêmeas são mais encorpadas e sua nadadeira causal curta e arredondada.

Variedade WG Vermelho Véu. Existem dezenas de variedades da espécie obtido através de cruzamento seletivo

Alimentação

Onívoro, em seu ambiente natural alimenta-se de vermes, crustáceos, insetos e matéria vegetal.

Em cativeiro aceitará praticamente qualquer tipo de alimento, desde seco (flocos) até alimentos vivos como pequenos crustáceos e micro vermes.

Embora muitas literaturas indiquem se tratar de um peixe herbívoro, quando ocorrente em seu habitat natural tem forte preferência por insetos, vermes e pequenos crustáceos.

Etimologia:

SinônimosXiphophorus guntheri, Xiphophorus jalapae, Xiphophorus brevis, Xiphophorus strigatus, Xiphophorus rachovii

Referências

  1. Greenfield, D.W. and J.E. Thomerson, 1997. Fishes of the continental waters of Belize. University Press of Florida, Florida. 311 p.
  2. Robins, C.R., R.M. Bailey, C.E. Bond, J.R. Brooker, E.A. Lachner, R.N. Lea and W.B. Scott, 1991. World fishes important to North Americans. Exclusive of species from the continental waters of the United States and Canada. Am. Fish. Soc. Spec. Publ. (21):243 p.
  3. McKay, R.J., 1984. Introductions of exotic fishes in Australia. p. 177-199.
  4. In Courtenay, W.R. Jr. and J.R. Stauffer, Jr. (Editors). Distribution, Biology and Management of Exotic fishes. The John Hopkins University Press, Baltimore, Maryland, USA.Wischnath, L., 1993.
  5. Atlas of livebearers of the world. T.F.H. Publications, Inc., United States of America. 336 p.
  6. C.L.W. Jones, H. Kaiser, G. A. Webb & T. Hecht, 1998. Filial Cannibalism in the Swordtail Xiphophorus helleri ( Poeciliidae ), Aquarium Sciences and Conservation, 2, pp. 79-88.
  7. D. P. Kruger, P.J. Britz & J. Sales, 2001. The influence of livefeed supplementation on growth and reproductive performance of swordtail ( Xiphophorus helleri Heckel 1848 ) broodstock, Aquarium Sciences and Conservation 3 : pp. 265–273.
  8. Dierk Franck, Agnes Müller & Natascha Rogmann, 2003. A colour and size dimorphism in the green swordtail ( population Jalapa ) : female mate choice, male–male competition, and male mating strategies, Acta Ethol

Ficha por (Entered by): Edson Rechi — Maio/2014
* Atualizado Outubro/2017
Colaboradores (collaboration): –

Sobre Edson Rechi 769 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

30 Comentário

  1. boa tarde , poderiam tirar uma dúvida sobre o comportamento do espada?
    Tinhamos 2 no aquário, 1 faleceu … o que ficou aderiu ao grupo dos mato grosso… e desde então ele pensa que é um mato grosso, ele passou a evitar ao outro espada que colocamos no aquário… se tornou agressiva com os da mesma espécie. Isso pode acontecer? Dele estar pensando que é um mato grosso pelo convivio ?
    obgd

     
    • Não, ele continua sendo uma espada. Questão é que como não havia concorrente, vide peixes da mesma espécie, ele dominou tudo. Adicionando novos espadas ele vai querer mostrar quem manda (dominância). Tem a questão da reprodução também. Se o espada que já possui for macho e adicionar uma única fêmea, ele vai persegui-lá incansavelmente também, neste caso se o aquário comportar adicione umas duas ou três fêmeas.

       
  2. Boa tarde…meus espadas estão ficando todos bem em cima da agua…quase q com a cabeça fora….o que pode ser? ph e temperatura estão normais…

     
  3. 0 de amônia, ph em 7.2, temperatura em 26°
    Montei o aquário ha 1 mês e trateia agua 10 dias antes de colocar os peixes…
    Colocamos 1 Kinguio, 2 peixes vidro, 2 espadas sangue, 2 curbiculas e 2 molinésia dalmata….os molinesias morreram nesse domingo…na segunda coloquei + 4 espadas…hj só tem 1 dos novos…troquei 27 l de agua como sugeriu a loja…1 dos espadas reagiu, mas o outro estava ficando esbranquiçado e agora morreu…

     
  4. Montei o aquário ha 1 mês e trateia agua 10 dias antes de colocar os peixes…
    Colocamos 1 Kinguio, 2 peixes vidro, 2 espadas sangue, 2 curbiculas e 2 molinésia dalmata….os molinesias morreram nesse domingo…na segunda coloquei + 4 espadas…hj só tem 1 dos novos…troquei 27 l de agua como sugeriu a loja…1 dos espadas reagiu, mas o outro estava ficando esbranquiçado e agora morreu…
    0 de amônia, ph em 7.2, temperatura em 26°

     
    • Duvido muito que amônia está zerada com o tanto de peixe que inseriu num aquário imaturo, uma vez que foi montado recentemente. Faça uma troca parcial de uns 50% de água e não adicione mais nenhum peixe até o aquário equilibrar. Use produtos que contenham bactérias nitrificantes para ajudar.

       
  5. Desculpe-me, não teria pq passar dados inverídicos se estou pedindo ajuda…segui todas as orientações, inclusive a quantidade de peixes que foi sugerida pela loja. Fiz a troca de água também e acredito que se fosse problema na agua, os outros também seriam afetados…penso que os espadas que comprei na segunda-feira já deveriam estar doentes, isso pode acont3ecer, certo? de qquer forma obrigada pela ajuda!

     
    • Estarem doentes é uma possibilidade. A quantidade de peixes para a litragem de seu aquário está bem grande. Isso gera uma carga de amônia bem grande e o sistema de filtragem não dá conta. Tente não adicionar mais peixes e use um acelerador de biologia para equilibrar o sistema. Vai fazendo testes de amônia, nitrito e pH. Quando estiverem ok adicione os peixes aos poucos, nunca de uma só vez. Novamente friso, reveja a quantidade de peixes que pretende inserir. 23 litros é bem pouco para praticamente todos os peixes inseridos anteriormente.

       
  6. oi Edson…realmente foi alguma parasitose, pois só os novos espadas morreram…os antigos e os demais estão bem…trouxe um especialista aqui e ele fez as medições…estava td normal…o aquário tem 33 l, não quero muitos peixes…a loja havia me sugerido ate 20, mas achei demais, e coloquei 9… estou fazendo as medições diariamente e troca de filtro! Obrigada pela ajuda!

     
  7. Gostei dos comentários acima. Eu iniciei o aquário no ano passado. Pensava que poderia fazer tudo rapidamente e quando comecei a pesquisar, descobri que era necessário ciclar, testar parâmetros, etc. Hoje comprei um casal de espadas e notei a fêmea beliscando o macho. Ao ler este site descobri que ela não pode ficar sozinha. vou comprar outras fêmeas para desestressar. Será que essa agressividade pode ser por estar grávida?

     
  8. Boa noite,

    Sou da cidade do Rio de Janeiro e gostaria de adquirir alguns exemplares de espada véu.

    Alguém saberia onde poderia encontrar?

    desde já agradeço

     
  9. Boa tarde! Eu poderia colocar dois mexiricas e três espadas em um aquário de 65 litros? Já tenho um labeo bicolor pequeno, que passa a maior parte do dia sob as rochas… Poderia colocar ainda dois molinésias ou ficaria muito cheio?

     
  10. Gostaria de saber quando eles atingem, aproximadamente, o período ideal para uma possível reprodução. Adquiri alguns semana passada, estão pequenos (aprox 2cm), mas um veio com a barriga bem grande e agora dois estão assim. Não sei se estão grávidos ou isso é normal mesmo. Desde já, agradeço!

     
  11. Oi bom dia comprei três Espadinhas num evento da escola de minhas filhas e sinceramente não sei muito como cuidar deles. Comprei pq ela tinha um beta morreu. Agora olhei como cuidar dele, vi que tem que comprar alguns acessórios tipo, termômetros, bomba e aquário grande é isso mesmo?

     
  12. Olá, tudo bom? Tenho um aquário de 20lts.
    E coloquei 4 casais de espadas um casal de cada cor, com um filtro de 100lts hora e um termostato 15w. Já faz uns 2 meses que coloquei eles, estão ótimos com as cores lindas. Eu posso colocar mais algum casal?

     
  13. A minha peixe espada não esta comendo no 3° dia que ela chegou aqui em casa, no 2° dia ela tb n tava, só que dei uns pedacinhos do miolo do pão e ela comeu e tb comeu um pouco da ração. E ela também, na hora de dormir (entre as 7 horas) em vez de ela ir pro fundo do áquario e parar seus funcionamentos, ela fica rodando o áquario por cima e de vez em quando para, só que começa denovo ( me falaram que estes peixes não precisa de bomba de ar) . Me ajuda ae, não quero que ela morra que nem os outros peixes ;-;, se ela não comer nada nestes dias, vou ter que achar outra femia e torce pra que vire macho, dai quando nascer os filhotes, ela terá que comer eles pra poder não morrer de fome.

     
  14. Edson bom dia
    Tenho 3 espada (2 femeas 1 macho), 3 corydoras num aquario de 60 L. Tinha também 4 molynesias negras mas pouco a pouco foram morrendo. Primeiro, via que a molynesia maior atacava os menores do grupo, apareceram algumas manchas brancas. Quando essa maior ficou sozinha, ela estava bonita, com as bordas das nadadeira até amarelas e as abria como um bettafish, depois com o tempo foi ficando minguadinha e acabou morrendo também. Sabe o que pode ter ocorrido?
    Aquario estabilizado há 6 meses ph 7,2 sem amonia e nitrito.
    Outra pergunta é que percebo que os espadas destroem as plantas do aquario, sempre tenho que repor. É normal da espécie? Há alguma planta aquática que posso colocar e que não vai ser destruída por eles? Tenho um pinheirinho grande que resiste muito bem.
    Paisagisticamente, gosto de plantados.
    Obrigado.

     
    • Bom dia Antônio

      Quanto ao ataque, normalmente sempre haverá um dominante, normalmente macho, que ficará importunando os demais. Razão pela qual deverá manter um cardume numeroso com a proporção de um macho para cada duas a três fêmeas. Poecilídeos em geral como os Espadas e Mollys que possui possuem dieta onívora com forte tendência a herbivoria, por isso estão comendo suas plantas. Tente adicionar plantas com folhas mais rusticas ou acrescentar alimentos vegetais na dieta. Algumas rações a base de vegetais e spirulina são bem aceitas e indicadas.

      Abraço!!

       

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