Tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus)

Oreochromis-niloticus

Oreochromis niloticus (Linnaeus, 1758)

Nome Popular: Tilápia do Nilo — Inglês: Nile tilapia

Família: Cichlidae (Ciclídeos)

Origem: África, introduzido em inúmeros países pelo mundo todo

Tamanho Adulto: 60 cm (comum: 40 cm)

Expectativa de Vida: 10 anos

Temperamento: comportamento

Aquário Mínimo: 150 cm X 50 cm X 50 cm (375 L)

Temperatura: 14°C a 33°C

pH: 6.0 a 8.6 – Dureza: indiferente

Visão Geral

Sua distribuição ocorre naturalmente em rios costeiros de Israel, na bacia do Nilo (incluindo Lagos Albert, Edward e Tana), Jebel Marra, Lago Kivu, Tanganyika, rio Awash, entre outros inúmeros lagos etíopes, além da bacia do rio Omo. Na África Ocidental sua distribuição abrange as bacias do Senegal, Gâmbia, Volta, Benue e Chad.

Amplamente introduzido em todos os continentes (exceto Ártico) para fins da aquicultura, estando sem segundo lugar, atrás apenas das Carpas, causando sérios impactos ecológicos negativos após sua introdução.

As seguintes subespécies foram previamente reconhecidas: Oreochromis niloticus baringoensis, Oreochromis niloticus cancellatus, Oreochromis niloticus eduardianus, Oreochromis niloticus filoa, Oreochromis niloticus niloticus, Oreochromis niloticus sugutae, Oreohromis niloticus tana e Oreohromis niloticus vulcani.

Encontrado em uma grande variedade de habitats de água doce como rios, lagos, canais de esgotos e canais de irrigação, estando presente em quase todas as grandes e médias bacias hidrográficas do Brasil. Talvez seja o ciclídeo mais comum em águas continentais no país. Ocasionalmente podem frequentar água salobra.

Foi introduzida no Brasil em 1971 juntamente com Sarotherodon hornorum ou tilápia-de-zanzibar. Anteriormente, em 1952, outra espécie de tilápia foi introduzida, a Tilápia-do-Congo (Tilapia rendalli) de habito alimentar herbívoro, que não se mostrou atraente a piscicultura, acabou virando praga em algumas áreas, e esta sendo substituída pela tilápia-do-nilo que apresenta melhores resultados. Existe ainda uma variedade desenvolvida em Israel, “Saint-Peters”, ou Tilápia Vermelha, derivada de Oreochromis niloticus, que atualmente vem sendo cultivada, podendo chegar até 5 kg.

Existem vários motivos para a sua disseminação planetária: tem potencial para o cultivo, se adapta facilmente a qualquer ambiente (inclusive a baixos níveis de oxigênio na água), e é resistente até a altas temperaturas. Possui forte propensão a virar praga, somando-se as suas características já inerentes e a competição que estabelece com espécies nativas por comida e espaço.

O nome tilápia-do-nilo tem a ver com o seu continente de origem, a África, e o rio que corta quase toda a extensão do continente, do Sul ao Norte, até desaguar no mediterrâneo (já no Egito). Tanto que ilustrações arqueológicas em tumbas egípcias sugerem que este peixe já era cultivado há mais de três mil anos.

De coloração azulada ou acinzentada, que pode apresentar variação de tonalidade, tem também algumas listras claras e escuras. Os machos são extremamente territorialistas e costumam nadar em cardumes (sobretudo quando alevinos e jovens).

Aquário & Comportamento

Considere aquário com 300 litros ou mais para um pequeno cardume de peixes juvenis, para adulto ideal manter em aquário com pelo menos 200 cm de comprimento. A decoração do aquário para a espécie é indiferente, plantas serão comidas.

É um peixes bastante robusto e territorial em época de reprodução, porém costuma ser tranquilo com outros peixes de mesmo porte podendo ser mantido com outros ciclídeos Africanos ou da América Central de agressividade mediana. Peixes menores serão comidos e frente e indivíduos da mesma espécie costumam impor forte hierarquia com disputas constantes por posições mais elevadas.

Reprodução & Dimorfismo Sexual

Ovíparo. A desova é iniciada pelo macho que escava um buraco. Ele, então, guarda esta área ferozmente e tentar seduzir as fêmeas para acasalar com ele. Uma fêmea disposta põe seus ovos diretamente sobre o local determinado, permitindo que o macho os fertilize antes de levá-los para sua boca. O macho então abandona o território deixando sob responsabilidade da fêmea. Esta transportará os ovos fertilizados na boca por até uma semana antes dos alevinos estar nadando livremente. Ela cuidará da prole pelas duas a três semanas seguintes.

É uma espécie bastante prolifera que pode desovar por até seis vezes por ano e os alevinos se desenvolvem rapidamente.

O dimorfismo sexual é evidente. Machos desenvolvem as pontas da nadadeira dorsal e anal em formato pontiagudo e mais alongado, enquanto nas fêmeas são arredondadas.

Alimentação

Onívoro com tendência herbívora. Juvenis alimentam-se de plâncton. Adultos alimentam principalmente de plantas e algas, insetos e crustáceos, secundariamente pequenos peixes, sementes, frutos e raízes. Em cativeiro não é exigente e aceitará qualquer tipo de alimento fornecido, devendo ser incluído matéria vegetal regularmente.

EtimologiaOreochromis (Latin), aurum = ouro + chromis (grego) = um peixe. Niloticus =  palavra amárico (etíope) que significa “primavera quente”

Oreochromis-niloticus2

Referências

  1. Trewavas, E., 1983. Tilapiine fishes of the genera Sarotherodon, Oreochromis and Danakilia. British Mus. Nat. Hist., London, UK. 583 p.
  2. Frimodt, C., 1995. Multilingual illustrated guide to the world’s commercial warmwater fish. Fishing News Books, Osney Mead, Oxford, England. 215 p.
  3. Bailey, R.G., 1994. Guide to the fishes of the River Nile in the Republic of the Sudan. J. Nat. Hist. 28:937-970.
  4. Philippart, J.-C. and J.-C. Ruwet, 1982. Ecology and distribution of tilapias. p. 15-60. In R.S.V. Pullin and R.H. Lowe-McConnell (eds.) The biology and culture of tilapias. ICLARM Conf. Proc. 7.
  5. Breder, C.M. and D.E. Rosen, 1966. Modes of reproduction in fishes. T.F.H. Publications, Neptune City, New Jersey. 941 p.
  6. Trewavas, E. and G.G. Teugels, 1991. Oreochromis. p. 307-346. In J. Daget, J.-P. Gosse, G.G. Teugels and D.F.E. Thys van den Audenaerde (eds.) Checklist of the freshwater fishes of Africa (CLOFFA). ISNB, Brussels; MRAC, Tervuren; and ORSTOM, Paris. Vol. 4.
  7. Teugels, G.G. and D.F.E. Thys van den Audenaerde, 2003. Cichlidae. p. 521-600. In D. Paugy, C. Lévêque and G.G Teugels (eds.) The fresh and brackish water fishes of West Africa Volume 2. Coll. faune et flore tropicales 40. Institut de recherche de développement, Paris, France, Muséum national d’histoire naturelle, Paris, France and Musée royal de l’Afrique Central, Tervuren, Belgium, 815p.
  8. Eccles, D.H., 1992. FAO species identification sheets for fishery purposes. Field guide to the freshwater fishes of Tanzania. Prepared and published with the support of the United Nations Development Programme (project URT/87/016). FAO, Rome. 145 p.
  9. IGFA, 2001. Database of IGFA angling records until 2001. IGFA, Fort Lauderdale, USA.
  10. Monteiro, Maria Lúcia Guerra – Aproveitamento de resíduos de tilápia (Oreochromis niloticus) para elaboração de novos produtos com valor agregado
  11. Características morfométricas, rendimento e composição do filé de tilápia do Nilo, Oreochromis niloticus, da linhagem tailandesa, local e do cruzamento de ambas – Julio Hermann Leonhardt, Mauro Caetano Filho, Heitor Frossard, Aleksey Machado Moreno
  12. EFETIVIDADE DE MÉTODOS DE IDENTIFICAÇÃO SEXUAL EM TILÁPIAS-DO-NILO (OREOCHROMIS NILOTICUS) REVERTIDAS SEXUALMENTE COM HORMÔNIO EM RAÇÃO COM DIFERENTES GRANULOMETRIAS – Lilian Cristina Makino, Laura Satiko Okada Nakaghi, Maria do Carmo Faria Paes, Euclides Braga Malheiros, Teresa Cristina Ribeiro Dias-Koberstein

Ficha por (Entered by): Edson Rechi — Junho/2016

Colaboradores (collaboration): –

Sobre Edson Rechi 724 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

3 Comentário

  1. Olá, tenho um aquário 130 lts estou Ciclando deste dia 02/09/17 é possível colocar umas 03 Tilapias de 7 cm…neste ambiente nunca tive este peixe…tenho em um aquário menor tetra Buenos Aires p qual pretendo usá-los neste aquário após Ciclalo qual sugestão de vcs..obg

  2. Gostaria de saber uma informação tenho uma represa de 18 de comprimento por 6 de largura com 1 metro e meio de profundidade.
    Qual o calculo que tenho que fazer para saber quantos peixes posso colocar.

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