Algas no aquário

Autor: Kris Weinhold / Tradução: Edson Rechi

Introdução

Qualquer aquarista provavelmente já teve que lidar com algas em seu aquário. Em um aquário plantado, um conjunto ainda mais complexo de variáveis, pode facilmente sair de controle e terminar com o triste surgimento de algas. Eu combinei informações de diferentes sites, acrescido de alguma experiência pessoal, e espero ter montado uma referência completa para os tipos mais comuns de algas encontradas no aquário plantado, juntamente com suas causas e soluções.

Este é um documento em contínuo desenvolvimento, então se você notar que algo está incorreto ou enganoso, por favor, não hesite em deixar um comentário com a sua correção.

Nota do tradutor: embora o artigo está associado a aquário plantado, estes tipos de algas podem surgir em qualquer aquário de água doce.

Índice

Barbas negras / BBA / Petecas / Black Brush (Rhodophyta)

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Barbas Negras, BBA ou black brush, podem apresentar uma série de gêneros específicos de algas “vermelhas” da família Rhodophyta. A maior parte das algas desta família são de ambiente marinho, mas uma espécie de água doce parece especialmente afetar aquários plantados. Esta alga pode variar sua coloração entre preto, marrom, vermelho ou verde e rapidamente poderá cobrir suas plantas e objetos decorativos se não for controlada.

Nota do tradutor: são conhecidas como “algas vermelhas”, devido sua coloração característica. Existe mais de 6.000 espécies, a maior parte ocorrente em ambiente marinho, existindo cerca de meia dúzia de espécies de água continental. Quando em ambiente marinho ou água de pH e dureza elevados podem apresentar coloração vermelho, enquanto em água doce com pH e dureza baixo apresentam coloração esverdeada ou negra.

– Causa:

Desequilibrio/excesso de nutrientes, N, P ou Fe. Procure manter os níveis N (10-20 ppm), para (0.5-2 ppm), K (10-20ppm), Ca (10-30 ppm), Mg 92-5 ppm), Fe (1 ppm). Neil Frank observou que raramente esta alga é encontrada em aquário de ciclídeos africanos, onde o pH e dureza é elevado, indicando que infelizmente esta alga prolifera em ambiente ácido, comumente encontrado em aquário plantado.

– Tratamento:

  • Aumento de CO2 – Isso vai estimular o crescimento das plantas, que deve estimular a competição por nutrientes disponíveis.
  • Excel/H202 (água oxigenada) – Use uma seringa para atingir as áreas afetadas. Remover em seguida quando a alga estiver mais pálida (cinza / branco).
  • Remoção manual – Use uma escova para remover o máximo possível.
  • Tratamento com hipoclorito de sódio – Mergulhe as plantas ou objetos infectados em uma solução de água sanitária com água potável, utilizando a proporção 1:20 de lixívia misturado a água. Antes de colocá-los de volta no aquário, certifique-se que estão livre do cheiro de lixívia.
  • Manutenção programada e adequada – faça uma ou duas trocas parciais de água semanalmente/quinzenalmente.
  • Comedores de algas – Comedor de algas siames (SAE) e o camarão Amano são conhecidos por comer esta alga.
  • Cobre (não recomendado) – há inúmeros algicidas contendo cobre que irá eliminar este tipo de alga, mas você corre o risco também de eliminar suas plantas e invertebrados com o uso.

Nota do tradutor: embora algumas literaturas mencionam que algumas espécies de peixes eliminam este tipo de alga, por experiência pessoal e de alguns amigos aquaristas, nunca foi presenciado alguma espécie de peixe algueiro se alimentando desta.

Algas Marrom / Brown Algae (Diatomáceas)

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Algas marrom, ou diatomáceas, frequentemente apresentam uma sujeira marrom viscosa que cobre as folhas e outros itens do aquário. Dificilmente surge em aquário maturado.

– Causas:

Aquário novo – aquário recém montado é propenso a este tipo de alga.

Excesso de nutrientes – a sílica em particular parece ser o estimulador. Confira com a concessionária de água de sua cidade se há grande concentração de sílica em seus reservatórios de água.

Lâmpadas velhas: lâmpadas antigas podem incentivar condições para o surgimento desta alga.

Nota do tradutor: lâmpadas possuem um determinado número de horas de vida útil. Vencido o número de horas, a lâmpada poderá continuar funcionando, porém sem a mesma qualidade exigida, daí a importância trocar as lâmpadas periodicamente, especialmente em aquário com muitas plantas.

– Tratamento:

  • Tempo – esgotado o excesso de sílica da água, a maioria das vezes esta alga desaparece por si só.
  • Remoção manual – pode ser facilmente removidas manualmente com a mão, sifão ou escova.
  • Comedores de algas: Ottos, caramujos e neritinas costumam eliminar estas algas, entre outras.

Algas verde/azul, BGA, Blue Green (Cyanobactéria)

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Muitas vezes referida pelos aquaristas como algas, o BGA é na verdade um tipo de bactéria que pode facilmente infestar todo seu aquário em poucas horas. Surge como um revestimento verde, preto ou roxo, exalando um cheiro ruim quando retirado da água. Como qualquer bactéria consumidora de nitrogênio, ela esgotará completamente a coluna de água de qualquer nitrogênio disponível.

Nota do tradutor: cianofíceas, como também são conhecidas, não podem ser consideradas algas e nem bactérias comuns. São microorganismos com características celulares procariontes (bactérias sem membrana nuclear), porém com um sistema fotossintetizante semelhante ao das algas (vegetais eucariontes), ou seja, são bactérias fotossintetizantes. Existe uma confusão na nomenclatura destes seres, pois a princípio pensou tratar-se de algas unicelulares, posteriormente os estudos demonstraram que elas possuem características de bactérias.

– Causas:

Nitrato baixo – normalmente, quando a presença do nitrato é mínimo na coluna de água. Embora esta seja uma condição desencadeante, é agravado pela bactéria utilizar o nitrogênio restante.

Excesso de matéria orgânica – o nome diz tudo, excessos podem desencadear o BGA.

Lâmpadas velhas – lâmpadas velhas não emite luz utilizável pelas plantas. Esta pode ser mais uma questão de suas plantas não estarem competindo pelos nutrientes disponíveis com as algas.

Fraca circulação – circulação é fundamental em um aquário plantado de forma que não tenha “pontos mortos” e que os nutrientes sejam consumidos não apenas localmente, mas em toda estenção do aquário.

Nota do tradutor: embora a circulação seja fundamental em qualquer tipo de aquário, em aquário plantado devemos evitar criar um ambiente lótico.

– Tratamento:

  • Aumento do nitrato – dose uma concentração que atinja até 5 ppm de nitratos.
  • Plantas de crescimento rápido – adicione plantas que irão competir com as algas pelos nutrientes mais rapidamente.
  • Apagão – estas algas não podem viver sem luz.
  • Excel / H202 (água oxigenada)- use uma seringa para atingir áreas afetadas e em seguida remova manualmente.
  • Eritromicina – utilize este antibiótico na metade da dosagem diretamente na coluna d´água.

Nota do tradutor: o apagão só deve ser adotado se houver uma proliferação muito grande e não deverá ultrapassar mais que 48h. Após o apagão, deverá retirar todos os esporos e algas mortas do aquário manualmente ou sugando com um sifão.

Nota do tradutor: eritromicina normalmente não costuma debilitar as macrófitas aquáticas.

Cladophora

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Esta alga é de longe a mais difícil de remover do aquário. Possui formato de lã verde, dura, se favorece quando mistura-se ao substrato ou outros itens do aquário.

– Causas:

Marimo ball (bola marinha) – sendo da mesma família, as vezes pode introduzir a Cladophora em seu aquário.

Condições saudáveis – infelizmente se favorece nas mesmas condições de água que as plantas necessitam.

– Tratamento:

  • Remoção manual – use uma escova de dente ou pinça e remova o máximo possível que puder.
  • Excel / Água oxigenada – use uma seringa para atingir áreas afetadas e em seguida remova manualmente.
  • Sorte – muito difícil remover 100%.

Fiapos de algas / Algas felpudas / Fuzz Algae

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Geralmente surgem em folhas de plantas, dando uma aparência um pouco difusa em suas bordas.

– Causas:

Desequilíbrio de nutrientes – Mantenha os seguintes níveis de nutrientes: N (10-20ppm), para (0,5-2ppm), K (10-20ppm), Ca (10-30ppm), Mg (2-5ppm), Fe (0,1 ppm) .

Baixa emissão de CO2 – Mantenha entre 20-30 ppm de concentração de CO2, conforme permitido pela fauna.

– Tratamento:

  • Mantenha os níveis adequados de nutrientes e CO2.
  • Comedores de algas – Comedor de algas siâmes (SAE), camarões Amano, Ottos e Molinésias normalmente comem esta algas.

Poeira Verde / Green Dust Algae (GDA)

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Esta alga surge com um biofilme verde, similar a uma poeira verde, normalmente na superfície dos vidros do aquário. É causado por esporos e parece evitar inertes ou folhas das plantas.

– Causa:

Infelizmente ainda não foi possível localizar as causas concretas para seu surgimento.

Nota do tradutor: excesso de nutrientes na coluna d´água aliado a troca repentina da maior parte das lâmpadas de uma só vez contribuem para seu surgimento.

– Tratamento:

  • GDA parece ter um ciclo de vida finito, de modo que você poderá deixar ocorrê-lo sem interferência, deixando a algas endurecer e sumir em cerca de três semanas. Após este tempo, pode-se remover o restante que sobrou raspando ou com trocas parciais de água.
  • Comedores de algas – neritinas podem ajudar em sua eliminação, mas o mais recomendado é através da remoção manual completa aliado a troca parciais de água.

Ponto verde / Green Spot (Choleochaete orbicularis)

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Mancha verde é comum no vidro do aquário, quando não há troca parcial de água rotineira, ou quando a adição de fertilizantes tem sido conduzida incorretamente. Podem ser encontradas também em folhas de Musgo de Java, Anubias e Bolbits, entre outras.

– Causa:

Baixo nível de fosfato (PO4) – ocorre quase exclusivamente quando os níveis de fosfato estão muito baixo ou esgotados.

– Tratamento:

  • Remoção manual – Use uma lâmina de barbear para remover mais facilmente a partir do vidro.
  • Aplicação de fosfato – dose uma concentração de 0,5 – 2.0 ppm de fosfato na água.
  • Comedores de algas – caramujos Neritina podem ajudar na remoção nas folhas e vidros.

Água verde / Green Water (Euglaena)

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Provocado por protistas unicelulares (euglenóides), nadadores livres do gênero Euglaena. Contém clorofila A e B, além de carotenóides, dando-lhe a sua coloração verde, mas não são plantas. Com mais de 40 gêneros de Euglanóides e mil espécies, esta alga é uma das formas de vida mais abundante e comum do planeta, sendo essencial para a cadeia alimentar. Infelizmente, ou felizmente, nenhum aquarista o quer em seu aquário, devido a estética.

– Causa:

Aquário novo – normalmente logo após um aquário ser montado, pode ocorrer a instalação e estabelecimento dos microorganismos (nado livre que se alimentam de plâncton).

Desequilíbrio de nutrientes – mantenha os níveis de nutrientes: N (10-20ppm), para (0,5-2ppm), K (10-20ppm), Ca (10-30ppm), Mg (2-5ppm), Fe (0,1 ppm) .

Medicamentos – se o uso de algum medicamento afetar o biofiltro do aquário.

– Tratamento:

  • Há uma série de tratamentos para a água verde:
  • Apagão – deixe as luzes do aquário totalmente apagado e evite qualquer luz ambiente por 5 dias. Suas plantas possuem reservas, podendo sobreviver por este período, as algas não.
  • Micro filtro – filtros de partículas finas podem limpar a água.
  • Esterilizador UV – uma das formas mais eficaz de combate será utilizando a luz ultravioleta. Alguns relatos dizem que a luz UV também afeta os nutrientes na coluna de água.
  • Floculantes – agrupa pequenas partículas, permitindo que a filtragem mecânica os remova da água.
  • Daphnia – Colocado em uma rede ou criatório pequeno, irá consumir as algas.
  • Pequenas trocas parciais – fazer mudanças de água (5-10%) todos os dias até a água clarear.

Nota do tradutor: algumas plantas podem não tolerar apagão por 5 dias.

Nota do tradutor: pode-se desenvolver um micro-filtro utilizando um cartucho/refil de máquina de lavar roupa acoplado a uma bomba submersa.

Nota do tradutor: o uso do UV não deverá ser contínuo, devendo estar ligado somente se houver real necessidade ou preventivamente.

Nota do tradutor: este método pode ser um tanto exaustivo, podendo o aquarista retirar 20-30% de água do aquário durante 3 ou 4 dias seguidos. Apenas evite trocas de água maior. Certifique-se de identificar e eliminar a fonte do problema, ou ele poderá persistir ou retornar.

Cabelo / Filamentosa / Hair / Thread Algae

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Consiste em filamentos verdes e longos, podendo atingir 30cm de comprimento. Muitas vezes mistura-se entre musgos e é por vezes cultivada propositadamente como um suplemento alimentar extra para os habitantes do aquário.

– Causa:

Níveis excessivos de ferro – concentrações > 0.15 ppm

– Tratamento:

  • Remoção manual – utilize uma escova de dentes para remover tanto quanto possível.
  • Manter uma rotina regular de manutenção com trocas parciais de água semanal/quinzenal
  • Reequilibrar Nutrientes – manter os níveis de nutrientes: N (10-20 ppm), para (0.5-2 ppm), K (10-20 ppm), Ca (10-30 ppm), Mg (2-5 ppm), Fe (.1ppm).

Algas Chifres / Staghorn (Compsopogon sp.)

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Chamada de chifre devido sua ramificação lembrar chifres de um veado. Geralmente aderem a folhas e equipamentos. Os fios podem ser branco, cinza ou verde.

– Causas:

Desequilíbrio de nutrientes – mantenha os níveis de nutrientes: N (10-20ppm), para (0,5-2ppm), K (10-20ppm), Ca (10-30ppm), Mg (2-5ppm), Fe (0,1 ppm) .

Baixas emissões de CO2 – mantenha 20-30ppm de concentração de CO2, conforme permitido pela fauna.

– Tratamento:

  • Remoção manual – Use uma escova de dentes para remover o máximo possível.
  • Trocas parciais – mantenha um cronograma de mudança da água semanal/quinzenal.
  • Aumento de CO2 – Isso vai estimular o crescimento da planta, que deverá ajudar as plantas competirem por recursos nutricionais com as algas.
  • Tratamento com hipoclorito de sódio – Mergulhe as plantas ou objetos infectados em uma solução de água sanitária com água potável, utilizando a proporção 1:20 de lixívia misturado a água. Antes de colocá-los de volta no aquário, certifique-se que estão livre do cheiro de lixívia.
  • Mantenha uma dosagem de macro-nutrientes (NPK) adequado.

Nota do tradutor: A maioria dos peixes e invertebrados não comem esta alga.

Referências:

Aquatic Plant Central Thread
Aquatic Plant Central – Algae Finder
AquaticScape
Fighting Algae with Hydrogen Peroxide
The Skeptical Aquarist

Artigo original: http://www.guitarfish.org/algae

Sobre Edson Rechi 706 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

6 Comentário

  1. Acho que nem sempre é necessário retirar as algas. Na minha opinião, há situações em que elas complementam o visual do aquário, dando um toque mais natural. No meu aquário tenho uma alga escura que parece um cabelo. Ela cobre as pedras e de vez em quando eu retiro o excesso, mas gosto do aspecto dela.

  2. Bom dia, quando falando do tratamento contra BBA logo depois que escreveu “procure manter os níveis N (10-20 ppm), para (0.5-2 ppm) (…)”. Esse para seria para reduzir a quantidade de N?

  3. Acredito que a pior de todas a ser combatida é a peteca, sempre tive em meus aquários em menor ou maior grau, no momento em bem menor grau depois que mudei o substrato, sempre arranco manualmente mas elas sempre voltam devido a esporos que ficam na água, uma verdadeira praga!

  4. Olá, gostaria de esclarecer que o comedor de alga siamês verdadeiro se alimenta sim de algas petecas . Digo isso de experiência própria, pois quando tiver de retirar 2 indivíduos que estavam fazendo muita bagunça no aquário devido ao tamanho que estavam, tive um boom de algas petecas, so controlado com a reintrodução de novos siameses.

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