Medaka Peixe Arroz Japonês (Oryzias latipes)

Nome Científico: Oryzias latipes (Temminck & Schlegel, 1846)
Ordem: Beloniformes — Família: Adrianichthyidae
Nome popular: Peixe Arroz Japonês, Medaka — Inglês: Japanese rice fish, Japanese medaka
Distribuição: Ásia
Etimologia: Oryzias; do grego (oryza), que significa ‘arroz’, em referência à tendência de alguns membros do gênero de habitar campos de arroz. Latipes; do latim latipes, que significa “pés largos”. Uma analogia anatômica à nadadeira anal longa e larga do peixe, que os naturalistas do século XIX associaram visualmente a um pé expandido.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)
Sinônimos: Aplocheilus latipes, Poecilia latipes
Descrição
O Medaka é um animal de estimação popular desde o século XVII no Japão. Muito antes de ganhar um nome científico, o medaka já fazia parte do cotidiano japonês. Durante o Período Edo (1603–1867), ele se tornou um animal de estimação popular. Devido à sua resistência e facilidade de reprodução, a população criava esses peixes em pequenos vasos de cerâmica e tanques de jardim, dando início às primeiras seleções artificiais de cores (como mutações laranjas e brancas).
Sua coloração natural normalmente é esbranquiçada a prateada. No entanto, muitas variantes de cores seletivamente criadas estão disponíveis, como laranja, dourado, preto, rosa, albino e até mesmo variantes transgênicas “brilhantes” geneticamente modificados, obtidos da proteína fluorescente extraída de águas-vivas e fixada ao DNA em peixes embrionários.
É amplamente utilizado como organismo modelo (assim como os camundongos e as moscas-das-frutas) devido a características biológicas únicas que facilitam o estudo da genética, toxicologia e biologia do desenvolvimento:
- Transparência: Os embriões (e algumas variedades adultas modificadas) são transparentes. Isso permite que os cientistas observem o desenvolvimento de órgãos e do sistema nervoso em tempo real, sem cirurgias.
- Ciclo rápido: Eles têm um tempo de geração curto (atingem a maturidade sexual em menos de três meses) e produzem ovos diariamente, fornecendo farto material de pesquisa.
- Genoma mapeado: O genoma do medaka foi totalmente sequenciado em 2007, o que impulsionou pesquisas sobre doenças humanas, já que compartilhamos muitos genes evolutivos comuns.
O maior feito histórico da espécie aconteceu em julho de 1994, a bordo da missão STS-65 do ônibus espacial Columbia. O medaka tornou-se o primeiro vertebrado a se reproduzir com sucesso no espaço. Quatro peixes adultos foram enviados ao espaço em um aquário especial projetado pela agência espacial japonesa (NASDA, hoje JAXA).
Nos primeiros dias na microgravidade, os peixes ficaram desorientados e começaram a nadar em loops (círculos rápidos). No entanto, em poucos dias eles se adaptaram e aprenderam a usar as luzes do aquário como referência para “cima” e “baixo”, voltando a nadar normalmente.
Os animais acasalaram em órbita e a fêmea depositou ovos. O desenvolvimento embrionário ocorreu sem anomalias e, ainda no espaço, nasceram 30 filhotes de medaka.
Tanto os pais quanto os filhotes “espaciais” retornaram vivos e saudáveis à Terra. O experimento provou que a gravidade não é um fator impeditivo para a fertilização e desenvolvimento inicial de vertebrados.
Entre tantos testes, vale destacar que por meio da tecnologia transgênica que embriões de Oryzias latipes têm uma proteína fluorescente implantada; sendo muito sensível à toxicidade. O embrião expressa fluorescência quando a toxicidade está presente em uma solução. O teste é rápido e confiável.
Espécie resistente para se criar em aquário e bastante prolífero, com fêmeas capazes de reproduzir quase diariamente quando em boas condições.
Os membros da família Adrianichthyidae frequentemente são chamados de “peixes-arroz”, em referência à tendência de alguns membros do gênero de habitar campos de arroz. Eram tradicionalmente considerados membros da ordem Cyprinodontiformes, portanto, estão intimamente relacionados ao grupo dos Killifishes.
Embora pertençam à ordem Beloniformes (mesma ordem das agulhas e peixes-voadores), os peixes-arroz foram historicamente classificados junto aos Killifishes e compartilham muitos hábitos de reprodução e resistência com eles. Rosen e Parenti reclassificaram a espécie dentro do grupo Beloniformes em 1981, algumas publicações ainda os classificam como Killifish.
- Tamanho Adulto: 4 cm
- Expectativa de Vida: Na natureza cerca de um ano, em cativeiro 3 anos

Distribuição e Habitat
Distribuído a partir do Japão e o entendimento atual o considera supostamente restrito a uma área correspondente, mais ou menos, aos limites dos mares da China Oriental e Meridional e do Mar do Japão Meridional. Registrado no Laos, Vietnã, grande parte do leste da China (incluindo as ilhas de Hainan e Hong Kong), Taiwan, leste da Coreia e Japão, das Ilhas Ryuku no sul até Honshu no centro do arquipélago.
Foi introduzido e se tornou praga em vários países, incluindo Estados Unidos, Cuba, Cazaquistão, Turcomenistão, Irã e Rússia (de onde invadiu a bacia do Mar Negro).
Países: Nativo da Coréia do Sul e Norte, China, Taiwan, Vietnã, Laos e Japão.
Ambiente: Água doce, Água salobra
Habitat: Tende a ocorrer em águas costeiras, mas é adaptável e foi coletado em uma variedade de tipos de habitat, desde manguezais fortemente salobros e influenciados pelas marés até riachos florestais de água doce e ácidos, arrozais, canais agrícolas, grandes bacias hidrográficas , lagoas e meandros. Relatado até mesmo no Oceano (Mar Negro). Espécie anfídromo, ou seja, passa da água salgada para a doce em algum momento de sua vida.
- pH: 6.5 a 8.5
- Dureza: –
- Temperatura: 16°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 36 litros com comprimento mínimo de 40 cm e 30 cm de largura desejável.
Quando mantido em aquário densamente plantado com substrato escuro exibem coloração bastante chamativa, além das plantas servirem de refúgio para alevinos se desenvolverem em meio aos adultos. Outros adornos consistem no uso de raízes e alguns galhos. Plantas de superfície também é bastante apreciada pela espécie.
A exposição permanente a condições quentes provavelmente resultará em uma vida útil mais curta e, em muitos países/casas bem isoladas, é melhor mantê-la sem aquecimento artificial durante todo o ano.
Comportamento e Compatibilidade: Seu comportamento em aquário é bem semelhante aos Poecilídeos com machos sempre à procura das fêmeas para reproduzir. Razão pela qual deverá ter um número maior de fêmeas juntos aos machos.
São pacíficos e podem ser criados em aquário comunitário com espécies igualmente pacíficas e de pequeno porte. Aquaristas mais experientes costumam manter em aquário mono espécie.
- Área de Natação: Meio / Superfície
- Quantidade mínima: Grupo
- Nível de dificuldade: Fácil

Alimentação
É um micro predador onívoro generalista que se alimenta de pequenos insetos, larvas, crustáceos e zooplâncton na natureza. Secundariamente algas filamentosas, fitoplâncton e detritos orgânicos vegetais flutuantes.
Em aquário aceitam alimentos secos e vivos sem dificuldades.
Reprodução
Na natureza, ela é altamente sazonal, ocorrendo entre a primavera e o verão (quando os dias são mais longos e quentes). Em cativeiro, se as condições forem controladas, eles podem se reproduzir diariamente.
O processo geralmente ocorre nas primeiras horas da manhã, logo ao amanhecer. O macho adota uma coloração ligeiramente mais escura e começa a nadar ao redor da fêmea em círculos rápidos. Quando a fêmea aceita, o macho se aproxima e usa suas nadadeiras dorsal e anal (que são maiores e modificadas) para “abraçar” e prender o corpo da fêmea contra o dele.
Diferente da maioria dos peixes que espalham os ovos imediatamente, o medaka tem um método exclusivo. A fêmea libera um grupo de 10 a 30 ovos de uma vez, que são fertilizados instantaneamente pelo macho. Os ovos ficam temporariamente presos ao poro genital da fêmea por filamentos adesivos, assemelhando-se a um pequeno cacho de uvas grudado na barriga dela.
A fêmea nada com esses ovos pendurados por algumas horas até encontrar plantas aquáticas, raízes flutuantes ou musgos para esfregar o corpo e fixar os ovos em um local seguro.
O desenvolvimento do embrião depende diretamente da temperatura da água que pode variar entre 10 a 20 dias. Graças à casca transparente do ovo, é possível ver os olhos e o coração do embrião batendo dias antes de nascer.
Ao nascerem, os filhotes são minúsculos (cerca de 3 mm) e nadam imediatamente para a superfície da água.
Eles consomem o resto de seu saco vitelino nas primeiras 24 horas quando estarão nadando livremente.
- Maturidade Sexual: Próximo de 2 a 3 meses
- Cuidado Parental: Não ocorre
Dimorfismo Sexual: Os machos adultos são mais coloridos, possuem nadadeiras dorsais e anais mais longas e têm um corpo mais fino que o das fêmeas. A papila genital nos machos forma um tubo curto e ligeiramente cônico, enquanto nas fêmeas é bilobada.

Referências
- Roberts, T.R., 1998. Systematic observations on tropical Asian medakas or ricefishes of the genus Oryzias, with descriptions of four new species. Ichthyol. Res.
- Iwamatsu, T., 2004. Stages of normal development in the medaka Oryzias latipes. Mech. Develop.
- Balon, E.K., 1990. Epigenesis of an epigeneticist: the development of some alternative concepts on the early ontogeny and evolution of fishes. Guelph Ichthyol. Rev.
- Huber, J.H., 1996. Killi-Data 1996. Updated checklist of taxonomic names, collecting localities and bibliographic references of oviparous Cyprinodont fishes (Atherinomorpha, Pisces). Société Française d’Ichtyologie, Muséum National d’Histoire Naturelle, Paris, France
- Robins, C.R., R.M. Bailey, C.E. Bond, J.R. Brooker, E.A. Lachner, R.N. Lea and W.B. Scott, 1991. World fishes important to North Americans. Exclusive of species from the continental waters of the United States and Canada. Am. Fish. Soc. Spec. Publ.
- Nakabo, T., 2002. Fishes of Japan with pictorial keys to the species, English edition I. Tokai University Press, Japan
- Yamamoto, T., 1975. Medaka (killifish): Biology and strains. Keigaku Pub. Co., Tokyo
Publicado em Novembro/2025
Atualizado Setembro/2026
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