Tilápia Vermelha, Tilápia Saint Peter

 

Essa espécie exótica foi generalizada como sinônimo de tilápia vermelha na região sudeste e diversas linhagens vermelhas são assim denominadas. De um modo geral as linhagens vermelhas cultivadas no Brasil apresentam crescimento inferior entre 30% a 50% e uma menor eficiência reprodutiva comparada à linhagem tailandesa.

Essa espécie de corpo um pouco alto, comprimido e cor vermelha tem maior aceitação e valorização em certo nichos de mercado, que as tilápias cinzas, justificando assim o cultivo das vermelhas em algumas localidades.

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A boca é terminal tem pequenos dentes, quase imperceptíveis. A nadadeira dorsal divide-se em duas partes, uma anterior espinhosa e uma posterior ramosa. A nadadeira caudal é arredondada e apresenta tons avermelhados. A coloração geral do corpo varia do rosa claro (quase branco) a um tom laranja-claro – laranja-forte.

Algumas linhagens são desprovidas de pigmentação ou manchas escuras, enquanto que outras podem apresentar manchas escuras bem evidentes em diversas partes do corpo.

Preferem viver nos lagos e represas, ou ambientes de água parada, embora também possam ser encontradas em rios com águas rápidas. Normalmente não ficam perto de estruturas, permanecendo nos fundos de argila ou areia procurando comida. O verão é a melhor época para encontrá-las.

As tilápias são espécies oportunistas, que apresentam uma grande capacidade de adaptação aos ambientes lênticos. Além disso, suportam grande
variações de temperatura e toleram baixos teores de oxigênio dissolvido.

Origem

As tilápias vermelhas são mutantes genéticos selecionados a partir de espécies de tilápias do gênero Oreochromis, que se distingue dos demais gêneros por incubarem seus ovos na boca.

A exemplo da tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus), tilápia azul (O. aureus), tilápia de Moçambique (O. mossambicus) e tilápia de Zanzibar (O. hornorum), as tilápias vermelhas também incubam os ovos na boca O primeiro híbrido vermelho de tilápia descrito na literatura foi produzido em Taiwan no final da década de 60, e foi um cruzamento entre uma fêmea de O. mossambicus de coloração vermelho-alaranjada com um macho normal de O. niloticus, e passou a ser chamada de tilápia vermelha taiwanesa. Uma segunda variedade de tilápia vermelha foi desenvolvida na Flórida nos anos 70, através do cruzamento de uma fêmea de O. hornorum de coloração natural com um macho vermelho-dourado de O. mossambicus.

A tilápia vermelha da Flórida foi introduzida no Brasil e na Jamaica, de onde foram distribuídas para países da América do Sul e Central com a sua constituição genética original, ou após serem cruzadas com Oreochromis niloticus (tilápia do Nilo) e O. aureus (tilápia azul).

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A terceira variedade de tilápia vermelha documentada foi produzida em Israel, originária de tilápias do Nilo vermelhas egípcias cruzadas com tilápias azuis selvagens (O. aureus), sendo posteriormente introduzidas na Jamaica e na Colômbia. Outras variedades de tilápia vermelha também foram desenvolvidas, entretanto, informações sobre as suas origens não estão disponíveis. Lamentavelmente, todas as três variedades originais de tilápias vermelhas têm sido cruzadas com outras tilápias vermelhas de origens desconhecidas ou tipos selvagens de Oreochromis sp., de modo que a composição genética da maior parte das tilápias vermelhas é desconhecida. Normalmente, a prole de tilápias vermelhas contém alevinos com coloração selvagem ou escura, e coloração avermelhada ou rosa com manchas pretas irregulares. No entanto, algumas variedades de tilápias vermelhas “puras” (true breedings) quando cruzadas, geram uma prole de 100%, ou próximo disso, de tilápias vermelhas.

É bem verdade que, ao falarmos de 100% de coloração vermelha cometemos um erro de nomenclatura, já que a cor vermelha é usada para descrever inúmeras variações de cor, incluindo os fenótipos branco, rosa, bronze, vermelho-alaranjado e vermelho, bem como as combinações dessas cores no mesmo peixe. Uma tilápia vermelha “pura” não terá prole com peixes de coloração escura ou com manchas pretas irregulares misturadas com o vermelho ou rosa. Os reprodutores de tilápias vermelhas devem ser continuamente selecionados para a coloração vermelha, caso contrário, por inúmeras gerações, a prole mostrará sinais de estar revertendo para a coloração inicial. Por outro lado, cuidados devem ser tomados pois a seleção contínua visando a cor vermelha pode também selecionar outras características que não são benéficas para o cultivo dos peixes. Suspeita-se que o continuo cruzamento consangüíneo de tilápias visando a coloração vermelha pode ser a principal causa da baixa sobrevivência dos ovos, larvas e alevinos que caracterizam algumas variedades vermelhas. Assim sendo, a confusa e rápida mudança na composição genética das tilápias vermelhas tem tornado muito difícil o processo de seleção das melhores variedades para cultivo.

Tolerância à água salgada

Algumas variedades de tilápia vermelha são tolerantes a água salgada. A tilápia de Moçambique (Oreochromis mossambicus) é conhecida por tolerar salinidades oceânicas, bem como as tilápias vermelhas com herança da tilápia de Moçambique também podem ser cultivadas ao redor de 36 g/l de salinidade. As variedades Flórida e Taiwanesa também crescem igual, ou melhor, em água salgada. A variedade Flórida pode se reproduzir em salinidades acima de 36 g/l, entretanto, as taxas de fertilização dos ovos, eclosão e sobrevivência das larvas são mais altas em 12 g/l e caem acentuadamente a partir de 18 g/l. Por sua vez, a tilápia do Nilo não é tão tolerante a água salgada quanto os híbridos de tilápia vermelha com herança genética da tilápia de Moçambique. Apesar de poder se adaptar a salinidades de 25 a 30 g/l, a tilápia do Nilo tem um crescimento comprometido em salinidades acima de 15 g/l. Há registros de que a tilápia do Nilo desova em salinidades acima de 20 g/l, mas a eclosão dos ovos já é reduzida em salinidades acima de 10 g/l, comparado com a água doce ou 5 g/l de salinidade.

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Tolerância a baixas temperaturas

As tilápias do Nilo e de Moçambique podem suportar uma temperatura mínima da água de 10–11ºC por vários dias, enquanto a tilápia azul (O. aureus) pode suportar até 8ºC também por diversos dias. No entanto, a variedade Flórida original da tilápia vermelha não é tolerante ao frio. O crescimento dessa variedade vermelha em água com 18 e 36 g/l de salinidade, foi muito menor a 22ºC do que a 27 e 32ºC e a incidência de doenças foi maior quando a temperatura da água caiu abaixo de 16 oC. Pesquisas mostraram que a tolerância ao frio dos híbridos de tilápias vermelhas não foi significativamente diferente da tolerância de seus ancestrais. A temperatura na qual morreram 50% das O. aureus puras e 50% da prole de O. aureus com tilápia vermelha, foi de 7,3ºC. Por outro lado, a temperatura em que morreram 50% das tilápias nilóticas puras e híbridos vermelhos de O. niloticus foi de 8.2 e 8.916ºC, respectivamente.

Sobre Edson Rechi 769 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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