Tetra Engraçadinho (Hyphessobrycon flammeus)

 

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Hyphessobrycon flammeus (Myers, 1924)

Nome Popular: Tetra Engraçadinho, Rio Tetra — Inglês: Flame tetra

Família: Characidae (Caracídeos)

Distribuição: América do Sul; encontrado em rios costeiros do Rio de Janeiro, médio do rio Paraíba do Sul (RJ e SP) e alto do rio Tietê (SP).

Tamanho Adulto: 3 cm

Expectativa de Vida: 5 anos +

Temperamento: pacífico

Aquário Mínimo: 60 cm X 30 cm X 40 cm (54 L)

Temperatura: 22°C a 28°C

pH: 5.5 a 7.6 – Dureza: 5 a 25

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Visão Geral

No Rio de Janeiro é conhecido apenas a partir de sistemas costeiros, incluindo rios que escoam para a Baía de Guanabara, médio do rio Paraíba do Sul e o rio Guandu. Em São Paulo existem registros no alto do rio Tietê, um afluente dentro do sistema da bacia do rio Paraná, além de populações concentradas nas áreas metropolitanas do leste e oeste da cidade de São Paulo, entre os municípios de Suzano e Salesópolis e Itapecerica da Serra, respectivamente.

Anteriormente era tido como uma espécie endêmica do Rio de Janeiro, porém sua distribuição é mais ampla se restringindo aos estados vizinhos do Rio de Janeiro e São Paulo no sudoeste do Brasil, apesar de sua distribuição atual é um pouco incerta.

Ocorre em pequenos riachos de águas lentas escuras ou claras, normalmente a sombra de vegetação em profundida não superior a 50 cm e substrato arenoso. Formam cardumes relativamente numerosos com grande interação agonística entre os machos dominantes.

As cabeceiras do rio Tietê e Paraíba do Sul estão localizadas próximos uma da outra dentro do estado de São Paulo, e eles podem um dia ter sido ligados tanto com drenagens da Serra do Mar. Embora eles compartilhem um número de espécies de peixes nativos, H. flammeus não ocorre na parte superior do rio Paraíba do Sul em SP, indicando que há uma lacuna de várias centenas de quilômetros entre as populações nativas do Rio de Janeiro e São Paulo.

Carvalho et al. (2014) destaca a hipótese de que a espécie possa ter sido introduzida ao redor da cidade de São Paulo por aquaristas ou criadores comerciais, uma vez que não havia registro da espécie na área antes de 1977. A cidade é considerada uma das maiores envolvidas com o comércio de peixes ornamentais.

A espécie é considerada extinta ou criticamente ameaçada por órgãos ambientais desde 2004, principalmente pela degradação de seu ambiente natural através da poluição, construção de barragens, captações de água e outras espécies invasoras serem introduzidas. Apenas no rio Paraíba do Sul houve a introdução de mais de 40 espécies exóticas nos últimos anos.

Hyphessobrycon griemi é bastante semelhante morfologicamente a Hyphessobrycon flammeus. Segundo resumo de um artigo científico publicado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, exemplares coletados de H. flammeus se diferenciaram de H. griemi por apresentar menor número de raios ramificados na nadadeira anal (20-23 vs 23-26 respectivamente ) e menor diâmetro do olho como porcentagem do comprimento da cabeça (34,1 – 45,1 vs 43,0 – 49,3 respectivamente). H griemi diferencia-se de H. flammeus por apresentar menor número de escamas da serie longitudinal (27-29 vs 31-33 respectivamente) e maior número de escamas entre a linha lateral e as escamas da base da nadadeira dorsal (7-8 vs 6 respectivamente).

Aquário & Comportamento

Preferem aquário com bastante plantas formando zonas sombrias. Mostram-se mais coloridos e ativos quando mantidos em aquário densamente plantado. Pode-se adicionar raízes e folhas secas (opcional) como decoração.

É uma espécie gregária que formam hierarquia livre, com machos rivais disputando continuamente entre eles a atenção das fêmeas e posição hierárquica dentro do cardume. Pacífico pode ser mantido em aquário comunitário com peixes de pequeno a médio porte.

Reprodução & Dimorfismo Sexual

Ovíparo. O macho conduzirá a fêmea liberar os ovos entre rochas, plantas ou troncos, que serão fecundados e sua maioria irá para o fundo. Eclodem em até dois dias e larvas estarão nadando livremente em até 48 h. Pais não exibem cuidado parental. Fêmea pode liberar de 200 a 300 ovos.

O dimorfismo sexual é evidente em espécimes adultos, machos são menores e mais coloridos além de possuírem um tipo de gancho ósseo na nadadeira anal. Enquanto fêmea possui corpo mais roliço e cores mais pálidas.

Alimentação

Onívoro, essencialmente insetívoro. Alimenta-se de insetos, vermes e secundariamente plantas. Em cativeiro aceitará prontamente alimentos secos e vivos.

Etimologia: Hyphessobrycon; do grego hyphesson, que significa de menor estatura + grego bryko = morder, mordedor. flammeus: a partir do latim flammeus, que significa “cor de fogo“, em referência ao padrão de cor vermelho predominante em seu corpo.

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Referências

  1. Carvalho, F.R., G.C. de Jesus and F. Langeani, 2014. Redescription of Hyphessobrycon flammeus Myers, 1924 (Ostariophysi: Characidae), a threatened species from Brazil. Neotrop. Ichyol. 12(2):247-256.
  2. Mills, D. and G. Vevers, 1989. The Tetra encyclopedia of freshwater tropical aquarium fishes. Tetra Press, New Jersey. 208 p.
  3. Calcagnotto, D., SA Schaefer, and R. DeSalle, 2005 – Molecular Phylogenetics and Evolution 36(1): 135-153 – Relationships among characiform fishes inferred from analysis of nuclear and mitochondrial gene sequences.

Ficha por (Entered by): Edson Rechi — Agosto/2016

Sobre Edson Rechi 772 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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