Tanque – anel de concreto

Por Artur Taveira

Capacidade descontado substrato e borda livre de ~270 litros.

Anel de Concreto de 0.90 x 0.50 (Anel de Poço)

Colocado direto no chão e nivelado para que a superfície da água permaneça sempre a mesma distância da borda.

Fundo cimentado com massa de areia, cimento e brita n.1

Conforme mostra a foto convém fazer um rejunte (anel/fundo) em toda a circunferência.

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Após uma secagem de 2 dias, todo interior do anel deve ser pintado com uma tinta bem grossa de pó de cimento, água e açúcar refinado numa proporção deste de 15% em relação ao pó de cimento.

Essa tinta vai tapar os poros do anel e evitar a perda de agua por filtração no concreto, quase sempre nunca bem vibrado no processo de fabricação.

Numa próxima foto veremos o interior após a pintura.

Nesta foto podemos observar o anel já pintado com a tinta de cimento, mencionada anteriormente. Após a secagem da pintura costumo passar no interior do anel, e aí com um pano, uma mistura de água com vinagre, que tem a função de neutralizar o excesso alcalino típico do cimento.

A proporção da mistura é de 1/2 litro de vinagre para 2 litros d’água. Encharcar o pano com a mistura acima passando nas paredes e fundo do anel.

Deixar esse conteúdo todo da mistura no interior do tanque e encher com água até a borda e assim permanecer por 1 semana.

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Após essa semana, esvaziar toda a água e lavar bem todo o interior do tanque e deixar secar, por pelo menos 1 dia.

Agora vem o que sempre fizemos nos nossos tanques, o preparo do fundo. Nos anos 60 usávamos esse filtro (biológico) de fundo, sem nada no interior do tubo, mas agora com a disponibilidade das mídias de cerâmica esse tubo é preenchido com as mesmas.

A quantidade é sem dúvida pequena … mas é um bom “start” no processo biológico. Mais adiante colocarei fotos de como preparo esse filtro. Bem … neste caso usei tubo de eletro duto de PVC de 1/2” e suas respectivas conexões (tudo arranjado em ferro-velho)

Gostaria de observar que durante a semana que o anel permanece cheio com a primeira água, forma-se uma película flutuante e no fundo que parece um sal… produto da reação “vinagre/cimento”.

Nas aulas de química aprendemos que Ácido+Base produz Sal + Água (H2O). O anel pintado com a tinta de cimento, num outro ângulo, observe que a porosidade da parede do anel foi bastante reduzida.

Observe também que o tubo filtro divide o fundo ao meio.

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A parte horizontal do tubo filtro, possui ranhuras feitas com lamina de serra, que vou mostrar numa foto mais adiante.

Como vocês podem observar, não existe nenhum ralo de fundo, mas que com mais trabalho poderia ser feito, para facilitar futuras limpezas totais.

Eu nunca utilizei sistema de esgoto porque mantive tanques similares, estabilizados, por períodos de 3 a 5 anos.

Na próxima foto vou mostrar o preparo do material de fundo que é composto por areia lavada de rio grossa e peneirada fina.

Uso para isso 2 peneiras.

Uma chamada “peneira de café” e outra “peneira de arroz”, existe ainda a “peneira de fubá”… que produz uma areia muito fina… que não acho recomendável para a maioria das plantas.

Agora colocamos areia grossa ao redor do tubo-filtro, que vai ajudar a criar micro cavernas onde as bactérias poderão se proliferar com mais facilidade.

Como não existiam mídias de cerâmica nos anos 50/60, intuitivamente para nós, era aí que o processo biológico começava e se propagava pelo substrato.

Convém lembrar também que não existiam bombas d’água de hoje e toda a movimentação liquida era feita por injeção de ar pelos compressores existentes a época.

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A ideia do filtro biológico utilizando a areia do substrato como elemento filtrante, foi uma grande revolução no processo de estabilidade dos aquários e pequenos tanques.

Existiam os filtros da massa líquida, internos e externos (por sifão) que usavam a lã de vidro como elemento filtrante … tudo movimentado com injeção de ar via os pequenos compressores de então.

Lembrando que as ranhuras feitas com lâmina se serra na diagonal em relação ao eixo do tubo (no caso acima eletro duto preto rígido de PVC) estão todas alinhadas e voltada para baixo. Por elas a água penetra e atinge o interior onde estão as maravilhosas mídias cerâmicas com os seus micro poros.

Dando sequência, esta outra foto mostra com mais detalhe a granulação da areia (obtida de areia de rio passada na peneira para feijão e depois lavada na peneira de arroz).

Observar também a mangueira de ar que vai ser introduzida num furo bem justo lá na parte inferior do tubo vertical e amarrado com três abraçadeiras de
London.

No caso da foto observe também que a boca do tubo por onde a água bombeada e o ar vai sair, deve ficar parcialmente submersa na massa liquida para produzir um turbilhonamento suave na superfície que vai ajudar na oxigenação da água.

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A injeção de ar no tubo filtro deve ser regulada para promover um processo de bombeio lento (eu tenho intuitivamente por base do alvorecer ao entardecer) no meu caso das 06:00 as 19:00 horas com o compressor controlado por um temporizador.

Acho que numa medida empírica esse processo total de bombeio poderia a cada 13 horas manipular toda a massa líquida do tanque.

Bem, isto é uma sugestão, mas cada um pode adotar a velocidade de bombeio que achar melhor, mas lembre-se que na natureza a maioria dos processos biológicos estáveis se dão de forma lenta.

Nesta foto, aparece ainda com mais detalhe a areia grossa utilizada no caso. Essa areia foi obtida pelo peneiramento de uma areia destinada a construção civil e extraída do Rio Guandu no RJ.

Claro que em cada região a composição da areia vai variar em função da formação dos solos e rochas por onde o rio percorre.

É preciso ter cautela com areia que as vezes é recolhida de pequenos cursos d’água que atravessam as cidades pequenas ou grandes e que na maioria das vezes recebem a descarga dos esgotos sem nenhum tratamento, o que ocorre na maioria das cidades brasileiras.

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Essas areias contém todo o tipo de gorduras, óleos vegetais e minerais, bem como, detergentes oriundos da limpeza residencial, comercial e industrial.

Esses elementos são de difícil trato (digestão!) pelas bactérias e por ficarem incrustados nos grãos da areia, poderão permanecer aí por tempo indeterminado, prejudicando o início, a prosperidade e manutenção do processo biológico esperado no substrato.

Por incrível que pareça, a matéria orgânica contida nas águas e areias acabam sendo o menor problema posto que serão recicladas (digeridas) pelos micro-lixeirinhos !!!

Agora vamos a uma nova etapa, que seria o uso da “terra gorda”, ou terra de barranco, como parte inferior do substrato.

Já nos anos 60 eu usava o barro como substrato-adubo para no fundo de todos os nossos tanques e aquários. Sim esse barro bem vermelho, gordo muito usado pelos tradicionais viveiristas de roseiras.

Como mostra a foto abaixo, o barro é colocado cuidadosamente no fundo para que não se misture com a areia grosa e não fique próximo ao tubo-filtro.

O barro não deve ser compactado e sim espalhado, para posteriormente receber como cobertura a areia resultado da peneiração da peneira tipo arroz.

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Tenho lido sobre o uso de outras terras e húmus, na adubação, mas não tenho nenhuma experiência com esses materiais.

Somente usamos o barro na adubação, inclusive com a introdução do mesmo em aquários já estabilizados, utilizando uma técnica específica para não turvar a água e adubar regiões determinadas do fundo do tanque ou aquário. Pretendo fazer experiência com húmus de minhoca a partir do esterco exclusivo de boi de pasto.

Não como adubo exclusivo e sim conjugado com o barro … vai ser uma outra estória …

Nesta foto podemos observar com mais detalhe, a colocação do barro, sem que atinja a areia grossa que circunda o tubo filtro.

O barro em questão foi peneirado com a peneira do tipo feijão e não sofreu nenhum tipo de preparo ou higienização.

Naturalmente o barranco origem deste barro estava num local que não apresentava nenhuma possibilidade de contaminação humana.

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Aqui nesta foto vemos todo o fundo recoberto pelo barro, com uma camada não compactada de aproximadamente 3 cm de espessura. Naturalmente que a quantidade, digo, a altura da camada da de barro vai depender da necessidade e das plantas que pretendamos plantar.

Lembrar que por cima do barro, aplicaremos a areia conforme as fotos seguintes

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Agora fazemos a cobertura de areia, a começar por cima do tubo-filtro e cobrindo todo o barro com uma camada generosa de areia de pelo menos 3 a 4 cm.

Esta areia foi obtida da peneiração da peneira do tipo arroz.

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Aqui uma foto com melhor detalhe da aplicação da areia.

Claro que por cima da areia e dependendo da necessidade da planta e do gosto de cada um, cascalho pode ser aplicado nas mais diversas granulações. No meu caso, fiquei só na areia.

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Aqui nesta foto, o fundo já todo recoberto e já entrando com a água, que neste caso aqui foi proveniente da empresa de águas no caso a CEDAE (que dá uma caprichada legal no cloro… mata tudo !!! até quem bebe…)

Eu disponho de água de mina no meu terreno, mas uso a da CEDAE, para propiciar uma desinfecção do tanque. Esta água eu não troco mais … só vou repondo a evaporação e a possível perda por filtração residual do concreto do anel.

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Não vejo nenhum problema da reposição por água clorada, desde que esta não ultrapasse a 15% da massa liquida inicial.

Observe na foto, além do meu dedo !!!! hihihi a garrafa pet cortada para evitar o turbilhonamento da areia …

Detalhe do tubo filtro, com as mídias cerâmicas em todo o seu interior (parte horizontal e até aproximadamente metade da parte vertical)

A água subindo …

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Quase cheio …

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Tanque completamente cheio …

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Observe a primeira injetada de ar… o pó branco da mídia cerâmica saindo pelo tubo mistura com a água…

E agora aquilo que sempre fizemos nos nossos tanques… e aquários quando do pontapé inicial…

A desinfecção com azul de metileno…

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Azul de Metileno a vontade….

Observe a coloração…

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A tampinha do vidro… caiu no tanque!

Agora tudo azulzinho… e a injeção de ar vai ficar ligada direto até que a água assuma a sua transparência normal… o que costuma acontecer num prazo de 48 horas…

Podemos usar também Permanganato de Potássio isoladamente ou numa aplicação posterior ao processo com o Azul de Metileno…

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No passado não tínhamos disponibilidade de produtos para monitorar os parâmetros da água, tais como, PH, DH e nível de cloro.

Bem agora as coisas são mais fáceis … aguarda-se a estabilização da água … e resto é com cada um …

O tempo passou e na foto abaixo podemos observar tanque já estabilizado que passou por todo o processo das fotos anteriores.

Não abro mão das flutuantes, que são importantíssimas na interface água-ar , além de propiciar todo um microambiente adequado junto as suas raízes, a qualquer alevino de … qualquer espécie …

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Observe um pote de Sorvete Kibon… com as Valisnérias Gigantes… esse pote recebeu uma adubação diferente e faz parte de uma observação sobre Alelo-químicos que estou realizando…

Por se tratar de processos a longo prazo… só Deus sabe quando vou poder concluir algo …

Observe num detalhe deste mesmo tanque … um casal de Molinésias Lira …

Observe também algas filamentosas … fazem parte da observação da Alelopatia … que é um assunto bastante interessante e que pode explicar algumas causas de sucessos e fracassos com as plantas submersas … quando confrontadas lado a lado num mesmo ambiente.

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Os pontinhos pretos espalhados junto ao fundo … são as folhinhas de um Flamboyant Vermelho que está próximo aos tanques.

Tenho neste tanque caramujos Physa Acuta e também o Planorbis… que são os lixeirinhos…

Observe dois tanques interligados por um sifão de tubo de PVC.

Naturalmente existe uma esponja bem porosa no interior da boca do tubo para não deixar com que os alevinos migrem de um tanque para outro …

Com isso dobramos virtualmente a massa d’água e a estabilidade dos dois tanques fica exponencialmente maior.

A reposição da água evaporada é feita alternadamente em cada um … obrigando a circulação da massa liquida e todos os seus micro habitantes entre eles.

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O presente trabalho não tem nenhuma pretensão de ensinar e/ou trazer conceitos.

Trata-se de uma sugestão, resultado de uma prática que vem desde o meu falecido pai … Estou com 61 anos e lido com as plantinhas e os peixinhos desde que me entendo como gente … e continuo aprendendo!

 

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5 Comentário

  1. Obrigado pelas dicas. Eu já tinha em mente criar um lago com esses anéis por conta dos custos e facilidade. Fiquei realmente agradecido e gostei do resultado final.

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